Trio é condenado a 45 anos por matar suspeito de estupro
Francisco Guitemberg Vieira Pinto foi executado com 12 tiros quando chegava em ponto de ônibus
Três pessoas foram condenadas pelo Tribunal do Júri pela morte de Francisco Guitemberg Vieira Pinto, executado a tiros enquanto aguardava ônibus para ir ao trabalho em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande. O crime ocorreu em 21 de dezembro de 2021, no cruzamento das ruas Bernardino Mendes e Abrão Mattar.
De acordo com a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a execução foi planejada por Agda da Silva Xavier Alencar, que teria acusado a vítima de estupro e decidido se vingar. Para isso, ela alugou uma pistola calibre 9 milímetros e combinou com o sobrinho Henrique da Silva Raimundo para que ele executasse o crime.
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No dia do crime, Agda entregou a arma para Florizia Batista da Silva Xavier, que ficou responsável por levá-la até Henrique, que foi de bicicleta até o ponto de ônibus onde a vítima aguardava transporte. Henrique efetuou cerca de 17 disparos, dos quais 12 atingiram Francisco. A vítima morreu no local.
A denúncia aponta ainda que os disparos ocorreram em via pública e que a vítima foi surpreendida, sem chance de defesa. Por isso, o Ministério Público classificou o crime como homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Após o assassinato, a arma foi entregue para outra pessoa guardar antes de ser devolvida ao proprietário. Ainda segundo a investigação, Agda teria levado o próprio celular para ser formatado e orientado familiares a apagar mensagens e dados para evitar que a polícia encontrasse provas da participação deles no crime.
Defesa
Durante o julgamento, Agda negou ter planejado a execução. Ela afirmou que comprou a arma após ser ameaçada pela vítima em um segundo episódio de abuso e disse que temia pela própria vida. Segundo a ré, Henrique teria decidido matar Francisco por conta própria, revoltado com a situação.
A defesa pediu aos jurados a absolvição da acusação de homicídio qualificado e sugeriu, alternativamente, eventual condenação por homicídio privilegiado, alegando forte abalo emocional. Também solicitou absolvição pelo crime de fraude processual, sustentando que a acusada não poderia ser obrigada a produzir provas contra si mesma.
Florizia declarou em depoimento que não tinha conhecimento de qualquer plano para matar a vítima e disse desconhecer o suposto abuso relatado por Agda. Segundo ela, após o crime apenas aceitou devolver a arma ao proprietário para evitar que sua avó se envolvesse em problemas com a Justiça.
Sentenças
O Conselho de Sentença, no entanto, decidiu condenar os três. Henrique foi sentenciado a 16 anos e 10 dias de prisão, sendo 14 pelo homicídio e mais dois pelo porte ilegal de arma de fogo. Agda recebeu dois meses de pena a mais por ter sido acusada de fraude processual.
Já Florizia foi sentenciada 13 anos e um mês de prisão pelo homicídio, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual. Os três deverão cumprir a pena inicialmente em regime fechado e podem recorrer da decisão. O julgamento durou aproximadamente 12 horas e a sentença é assinada pelo juiz Rodrigo Pedrini Marcos.
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