Miguel Couto, o homem que odiava japoneses
Miguel Couto foi um dos mais renomados médico e politico brasileiro no inicio do século passado. Em Campo Grande, homenagens foram prestadas a ele em grande quantidade, aliás, não conheço outra personagem que tenha recebido tanta reverência como ele nesta cidade. Há hospital, bairro, escola, rua e até uma subestação da Energisa com o nome Miguel Couto. Fica a falsa impressão de que esse médico foi deveras importante para esta capital. Ele nada fez por esta cidade. Só sabia combater os japoneses.
O “Perigo Amarelo”.
A campanha contra a imigração de japoneses para o Brasil foi muito forte no decênio 1920-1930. Miguel Couto e seus sequazes, baseavam-se nos argumentos eugênico, de superioridade de uma raça. Aquela ideia que originaria o ódio aos judeus dos nazistas. Para ele, os nipônicos representariam perigos para a superior “raça brasileira”. Argumentava que os japoneses formavam “colônias isoladas", não assimilando a cultura, tornando-se “indesejáveis”. Desejava que os tão necessários imigrantes, especialmente para as fazendas de café, fossem exclusivamente de origem europeia.
Os 2% de japoneses.
Esse homem conseguiu aprovar no Congresso Brasileiro uma lei que previa a entrada de apenas 2% do total de japoneses que já viviam no país. Como até então havia 142 mil japoneses em nosso território, apenas 2.800 poderiam entrar no Brasil. Ocorre que Miguel Couto não era muito versado em matemática e quase nada sabia sobre os japoneses no país. Um parlamentar apresentou uma emenda que liberava as crianças japonesas de até 14 anos entrarem no pais. No ano seguinte, mais de 5 mil japoneses “furaram” o bloqueio proposto por esse médico.
De pai para filho, o ódio frutificou. O papel de Kokichi.
Embora Miguel Couto tenha falecido em 1.934, seu preconceito influenciou o Congresso por bom tempo. O antiniponismo chegou a tal ponto que, em 1.946, uma emenda constitucional para proibir a entrada de japoneses no Brasil, proposta pelo deputado Miguel Couto Filho, filho do médico preconceituoso, foi debatida e, ao ser levada à votação, ocorreu o empate. Só foi rejeitada devido ao voto de minerva do presidente da Câmara. Miguel Couto, pai e filho, odiava japoneses. O ódio aos japoneses chegou a Campo Grande e Aquidauana. Guenka Kokichi pagou para o jornal “Correio do Sul“. de Aquidauana, para publicar um artigo em resposta aos ataques contra a imigração japonesa, e distribuiu em C.Grande centenas desse jornal. ”Depois disso, silenciaram os ataques”, conta ele.
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