Sucuri-verde surge em córrego e impressiona moradores em Campo Grande
A cobra foi registrada em área de mata na região do bairro da Cohab
Moradores da região da Cohab, no sul de Campo Grande, foram surpreendidos por uma visitante incomum. Um vídeo que circula em grupos de WhatsApp nesta sexta-feira (20) mostra uma sucuri-verde bem grande transitando pelo Córrego Bálsamo. Chama atenção o tamanho do animal e a aparição em plena área urbana.
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Moradores da região da Cohab, em Campo Grande, se surpreenderam com o avistamento de uma sucuri-verde de grande porte no Córrego Bálsamo. O animal, que pode atingir até 7 metros, chamou atenção por aparecer em área urbana, gerando preocupação entre os residentes, especialmente por ser um local frequentado por crianças. Especialistas explicam que a presença da espécie não é incomum, já que a sucuri-verde é natural de ambientes aquáticos com vegetação. A bióloga Fernanda Alves Riquelme destacou que o avanço urbano sobre áreas naturais e a maior circulação de pessoas contribuem para os avistamentos, sem necessariamente indicar aumento populacional da espécie.
O Córrego Bálsamo está localizado em uma área com extensa vegetação, cercada pelo Residencial Ramez Tebet, na região próxima ao Museu José Antônio Pereira.
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A sucuri-verde (Eunectes murinus) é uma das maiores serpentes do mundo, podendo atingir entre 3 e 6 metros de comprimento, com fêmeas chegando a cerca de 7 metros. O porte avantajado do animal visto no córrego foi justamente o que mais impressionou os moradores.
A presidente da Cohab (Associação de Moradores do Núcleo Habitacional Universitária I & II), professora Iracema Silva Cardoso, relatou surpresa e preocupação com o registro. “É inacreditável o tamanho dessa sucuri aqui na Cohab. Aqui tem muitas crianças que, em finais de semana, feriados e férias, costumam tomar banho nesse córrego”, afirmou.
Especialistas explicam que, embora cause susto, a presença da espécie não é necessariamente incomum.
A bióloga da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Fernanda Alves Riquelme, esclarece que a sucuri-verde é um animal semiaquático naturalmente associado a ambientes com água, como rios, lagoas e córregos com vegetação ciliar. “Caso o local apresente água constante, oferta de alimento e algum grau de cobertura vegetal, é plenamente possível que o animal utilize aquele ambiente como habitat”, explicou.
Segundo ela, a cobra também pode ter se deslocado de outro fragmento de mata ou corpo d’água próximo, já que a espécie é capaz de percorrer distâncias consideráveis, especialmente em períodos de cheia.
A bióloga ressalta ainda que a presença em área urbana não significa, necessariamente, que o animal esteja fora de seu habitat. “Muitos cursos d’água urbanos funcionam como corredores ecológicos, conectando diferentes áreas naturais”, destacou.
O aumento de avistamentos de serpentes em cidades também tem explicações ambientais.
Conforme Fernanda, em muitos casos não são os animais que invadem a cidade, mas o avanço urbano sobre áreas que já eram habitats naturais. Campo Grande, apesar de capital, ainda possui diversos fragmentos de vegetação nativa, além de córregos e áreas de transição entre o urbano e o natural.
"Alterações ambientais, como desmatamento, fragmentação e mudanças no regime de chuvas e oferta de alimento também podem estimular deslocamentos da fauna. Além disso, a maior circulação de pessoas e o uso constante de celulares e redes sociais ampliam a percepção desses encontros", destacou Fernanda.
Questionada pela reportagem sobre um aumento de avistamentos de cobras em regiões próximas ao perímetro urbano, a bióloga afirmou: "O avistamento é mais frequente, não necessariamente em função de aumento populacional da espécie, mas devido à intensificação do contato entre a fauna silvestre e áreas urbanizadas, o que é compatível com a realidade de Campo Grande."

