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Capital

Advogado que entregou celular falso é acusado de integrar quadrilha de tráfico

Antonio César Jesuíno foi denunciado por ajudar traficantes oferecendo propina a policiais civis

Por Ana Paula Chuva | 21/01/2026 06:45
Advogado que entregou celular falso é acusado de integrar quadrilha de tráfico
Antonio Cesar está em situação regular no Cadastro Nacional de Advogados (Foto: Reprodução)

Preso preventivamente desde o dia 9 de janeiro, o advogado Antonio César Jesuíno denunciou o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por integrar organização criminosa alvo da Operação Snow, deflagrada em março de 2024. Ele atuava na defesa de Joesley da Rosa, apontado como líder da quadrilha que atuava no tráfico de drogas.

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O advogado Antonio Cesar Jesuíno foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por integrar organização criminosa especializada em tráfico de drogas. Preso desde janeiro, ele atuava na defesa de Joesley da Rosa, apontado como líder do grupo. A investigação revelou que Jesuíno registrou boletim de ocorrência falso e articulou pagamento de propina a policiais para recuperar caminhões retidos. Entre outubro de 2023 e fevereiro de 2024, o advogado recebeu mais de R$ 50 mil de integrantes da organização criminosa por seus serviços ilegais.

Antonio, a serviço de Joesley, registrou boletim de ocorrência falso alegando que Luiz Paulo da Silva Santos teria subtraído 2 caminhões usados pela organização. Os veículos na verdade, estavam “apreendidos” em uma empresa de reciclagem como garantia de pagamento de dívida de agiota.

O advogado alegava que Luiz era da confiança de Joesley e lhe prestava serviços e se aproveitou da situação para furtar os veículos. A história foi inventada para usar a força policial, através de pagamento de propina, para apreender os caminhões da empresa de reciclagem e devolvê-los ao empresário.

“Não passa despercebido, ainda, que a atuação de ANTONIO CESAR JESUINO não se limitou à falsa denunciação de crime, mas também envolveu o pagamento de propina a agentes públicos para que os caminhões apreendidos fossem devolvidos a JOESLEY DA ROSA”, revela a denúncia.

O valor acordado seria de R$ 30 mil entre o advogado e os policiais, mas Antônio César teria informado que os policiais passaram a pedir mais dinheiro para a devolução do caminhão. Primeiramente, seriam pagos R$ 5 mil antes da entrega dos veículos e os R$ 25 mil restantes depois. Entretanto, os policiais teriam passado a pedir um adicional de R$ 10 mil, totalizando o pagamento inicial em R$ 15 mil.

Tal pagamento entre o advogado e Joesley foi mediado por Rodney Gonçalves Medina, também denunciado. Em determinado momento, após o registro do boletim, ele cobrou que o interlocutor, identificado como '2ª DP (Polícia)', realizasse a apreensão dos caminhões: “Bora prender os caminhões?”

O policial civil não identificado responde a Rodney que, na data em questão, não poderia fazer a apreensão dos caminhões na empresa de reciclagem porque tinha um compromisso no Fórum de Campo Grande. Em 6 de dezembro de 2023, os caminhões, que já estavam no pátio da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos), são restituídos a Joesley e, um dia depois, o líder da quadrilha fez “duas transferências para Antonio, totalizando o montante de R$ 20.000,00”.

Ao todo, o advogado recebeu de integrantes da organização criminosa R$ 50.290,38 entre outubro de 2023 e fevereiro de 2024. “Em resumo, os atos praticados por ANTONIO CESAR JESUINO, entre os quais a falsa denunciação de crime e o pagamento de propina a agentes públicos, este último de maneira reiterada e constante, são absolutamente incompatíveis com o exercício da advocacia e demonstram a participação dolosa dele na organização criminosa”, relata a denúncia.

Prisão - Segundo o MP,  o bacharel está preso preventivamente desde o dia 9 deste mês. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão para entrega do celular e na ocasião apresentou resistência e questionou a legalidade a medida judicial. Advertido sobre as consequências do descumprimento da ordem, o investigado compareceu em fevereiro de 2024 para entregar o aparelho.

Após análise técnica do telefone, foi constatado que o celular não pertencia ao advogado, mas a um terceiro. O dispositivo estava sem chip telefônico e sem cartão de memória, além de não apresentar fotos, vídeos ou histórico de mensagens e navegação.

Os promotores do Gaeco avaliaram que o advogado adotou uma estratégia de dissipação de provas, com o objetivo de ocultar conversas que poderiam ligá-lo aos líderes da organização criminosa.

Ainda conforme o Ministério Público, o profissional exercia papel estratégico dentro do grupo criminoso, com atuação que ia além da prestação de serviços advocatícios. Os relatórios indicaram que o advogado realizava a blindagem jurídica dos integrantes e intermediava o pagamento de propina a policiais para a liberação de caminhões carregados com drogas.


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