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Capital

Com agressor solto, família pede justiça pela morte de idoso espancado em casa

Denúncia foi aceita, mas citação do réu por homicídio qualificado espera fim do recesso judicial

Por Bruna Marques | 15/01/2026 14:57
Com agressor solto, família pede justiça pela morte de idoso espancado em casa
Aristides com rosto machucado após ser agredido (Foto: Arquivo pessoal)

A família de Aristides Salamoni, de 80 anos, pede justiça pela morte do idoso, brutalmente espancado dentro da própria casa, na Vila Alba, em Campo Grande. O crime aconteceu na manhã de 28 de setembro do ano passado. Aristides chegou a ser socorrido, mas morreu dois dias depois. O principal suspeito, de 35 anos, namorado de uma inquilina, está solto.

RESUMO

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A família de Aristides Salamoni, idoso de 80 anos brutalmente espancado em sua residência em Campo Grande, clama por justiça. O crime ocorreu em 28 de setembro, quando o namorado de uma inquilina, de 35 anos, agrediu o idoso após desentendimentos sobre o uso do portão eletrônico durante a madrugada. Aristides faleceu dois dias após o ataque devido a complicações. O suspeito, que estava internado em uma clínica para dependentes químicos, responderá por homicídio qualificado. A denúncia foi apresentada ao Ministério Público em dezembro, mas o processo encontra-se em fase inicial devido à suspensão dos prazos processuais.

Segundo a filha, Rosilma Salamoni, de 53 anos, nutricionista, o homem não foi preso. Ele apenas compareceu à delegacia para prestar depoimento, depois que a própria namorada repassou os dados à polícia. “Nada aconteceu. O processo deve estar engavetado. Eu não entendo de lei, mas eu sinto na pele o que é injustiça”, afirma.

Na terça-feira (13), data em que Aristides completaria 81 anos, Rosilma publicou um vídeo nas redes sociais pedindo justiça. Em tom emocionado, ela relembrou o dia do crime.

“Hoje, meu pai estaria completando 81 anos. No dia 28 de setembro do ano passado, meu pai foi violentamente espancado dentro de casa. Seis horas da manhã, num domingo, papai e mamãe estavam se preparando para ir à missa. Por quem? Uma pessoa que nunca vimos na vida. O namorado de uma inquilina”, disse.

De acordo com o relato da filha, Aristides e a esposa moravam na casa da frente de um terreno onde havia quitinetes alugadas nos fundos. O acesso às unidades era feito por um corredor lateral, próximo ao quarto do casal. Na madrugada do crime, o namorado de uma das inquilinas entrou e saiu diversas vezes do local, acionando o portão eletrônico durante a noite.

Com agressor solto, família pede justiça pela morte de idoso espancado em casa
Marcas de sangue no local onde o idoso foi espancando (Foto: Arquivo pessoal)

A movimentação constante provocou latidos de um cachorro de outra moradora, o que levou inquilinos a ligarem para Aristides reclamando do barulho. Por volta de 4h da manhã, o idoso enviou um áudio à inquilina pedindo que o rapaz parasse com a entrada e saída durante a madrugada.

Horas depois, por volta das 6h, Aristides foi até o fundo da casa para fechar um portão que dava acesso à lavanderia. O portão costumava ficar apenas com uma tela. Foi nesse momento que ele encontrou o agressor. “Ele perguntou se meu pai se incomodava com a presença dele. Meu pai respondeu que não era a questão de estar com a namorada, mas de ficar entrando e saindo a madrugada inteira”, contou Rosilma.

Segundo ela, o rapaz desferiu um soco através da tela. Aristides caiu e bateu em um vaso. Em seguida, o agressor abriu a tela e continuou as agressões. A perícia esteve no local, fotografou o cenário e recolheu informações.

No depoimento, o suspeito alegou que Aristides teria tentado atacá-lo com uma cadeira, versão contestada pela família. “Meu pai era cardiopata, tinha mal de Parkinson e 80 anos. Não tinha condição alguma de levantar uma cadeira de madeira para jogar em alguém”, afirma a filha.

Mesmo com o idoso caído e ferido, o agressor teria ido até o portão, retornado e continuado a espancá-lo no chão. A esposa de Aristides tentou intervir e acabou sendo agredida. Um outro inquilino apareceu para ajudar. O agressor fugiu em seguida.

A namorada dele, segundo os depoimentos, só soube do ocorrido por volta das 10h da manhã. Naquele momento, Aristides ainda estava vivo. O advogado da família registrou boletim de ocorrência como tentativa de homicídio. Após a internação do idoso, a inquilina deixou o imóvel. A polícia a localizou por meio do contrato de aluguel, colheu o depoimento e obteve a identificação do suspeito.

Quando os policiais foram atrás do agressor, a família dele informou que o havia internado em uma clínica para dependentes químicos. “A gente entendeu o que ele fazia de madrugada, entrando e saindo. Usava droga. E a violência sem sentido veio daí”, disse Rosilma. “Uma pessoa que meu pai nunca tinha visto na vida”.

Aristides não resistiu às complicações e morreu dois dias depois. O laudo apontou como causa da morte sepse, síndrome pós-traumática, pneumonia aspirativa e trauma contuso.

Passados meses do crime, a família afirma não ter respostas. “A mesa estava vazia nas festas de fim de ano. Os netos perderam um avô maravilhoso, minha mãe perdeu um companheiro de uma vida inteira e eu perdi meu pai”, disse Rosilma. “A gente quer saber por que tanta morosidade. Será que esse homem ainda está em Campo Grande? O que a gente espera é justiça”.

Denúncia - O Campo Grande News apurou que a denúncia foi apresentada ao MP (Ministério Público) no dia 17 de dezembro e, no dia seguinte, foi recebida pelo juiz Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Júri. Na decisão, o magistrado determinou a citação do acusado para apresentar resposta à acusação. No entanto, o mandado de citação ainda não foi expedido em razão da suspensão dos prazos processuais, vigente até 20 de janeiro. O réu responderá por homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe e de a vítima ter mais de 60 anos.

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