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Capital

Com grana curta, mais feriados no ano não empolgam quem vive sem folga no bolso

Com a maioria das datas em dias úteis, moradores de Campo Grande questionam se o descanso compensa a renda

Por Gabi Cenciarelli | 01/01/2026 13:08
Com grana curta, mais feriados no ano não empolgam quem vive sem folga no bolso
Calendário de 2026, ano que terá 10 feriados nacionais (Foto: Mylena Fraiha)

Depois de um 2025 em que muitos feriados caíram em sábados e domingos, o calendário de 2026 chama atenção pelo maior número de datas em dias úteis. Em Mato Grosso do Sul, serão 11 feriados e 11 pontos facultativos ao longo do ano, combinação que garante ao menos seis feriadões, com possibilidade de emendas e fins de semana prolongados.

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O ano de 2026 terá 11 feriados nacionais, com nove deles ocorrendo em dias úteis, um aumento significativo em comparação a 2025. Em Campo Grande, além dos feriados nacionais, o decreto municipal prevê 11 pontos facultativos ao longo do ano. Apesar do maior número de folgas, trabalhadores e comerciantes demonstram preocupação com o impacto econômico. Para autônomos e pequenos empresários, os feriados representam perda de renda, enquanto assalariados, embora valorizem o descanso, admitem que a atual situação financeira limita as possibilidades de aproveitamento dos dias livres.

Apesar disso, a percepção nas ruas é marcada por cautela. Entre trabalhadores com carteira assinada, autônomos e comerciantes, a pergunta é recorrente: adianta ter mais feriados quando falta dinheiro para aproveitar?

Auxiliar de dentista, Marilei Cunha, de 57 anos, defende a importância da pausa, mas reconhece os limites. “É bom ter feriado, porque o brasileiro trabalha muito. Tem que ter sim para o povo descansar”, afirma. Em seguida, pondera que nem todos conseguem aproveitar. “O comércio abre, eles não têm feriado. Quem consegue mesmo é quem tem condição financeira.”

Com grana curta, mais feriados no ano não empolgam quem vive sem folga no bolso
Etelvina da Luz Ramos, em conversa com o Campo Grande News (Foto: Marcos Maluf)

A cautela aparece mesmo diante de datas que, no papel, favorecem a folga prolongada. Em abril, Tiradentes, no dia 21, cai numa terça-feira. Em junho, Corpus Christi, no dia 4, será numa quinta, o que costuma gerar emenda para parte dos trabalhadores.

Para a terapeuta Etelvina da Luz Ramos, de 53 anos, porém, a expectativa é baixa. “Esse ano caiu muito feriado em sábado e domingo. Dizem que ano que vem vai ter bastante em dia de semana”, comenta. “Às vezes é curto, fica difícil se programar. Mas sair da rotina um dia só já ajuda.”

Para quem trabalha por conta própria, o impacto dos feriadões é direto no bolso. Em datas como essas, o descanso pode significar prejuízo. Autônomo, Carlos Eduardo Rosendo, de 44 anos, resume a conta. “A gente cobra diária. Se não trabalha, não recebe. O feriado funciona mais no calendário do que na realidade.” A esposa, Mari Valdes, de 39 anos, concorda. “Para descansar é bom, para ficar em casa. Para viajar, não dá.”

Com grana curta, mais feriados no ano não empolgam quem vive sem folga no bolso
Carlos Eduardo Rosendo e Marli Valdez durante entrevista (Foto: Marcos Maluf)

No segundo semestre, outras datas também ampliam as possibilidades de folga. O Dia do Trabalho, em 1º de maio, cai numa sexta-feira. A Independência do Brasil, em 7 de setembro, será numa segunda. Já o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, fecha a semana numa sexta-feira. Para quem mantém o comércio aberto, porém, esses feriados prolongados nem sempre são motivo de comemoração.

A comerciante Elenice de Viato Sobrinho, de 57 anos, diz que as pausas impactam diretamente a renda. “Muitas empresas são prejudicadas. Cai a produção, cai a renda”, afirma. Dona de um banho e tosa, ela conta que trabalha até aos domingos e não vê vantagem nos feriados. “A gente já está numa crise financeira. Ter feriado não ajuda. Para mim, não adianta.”

Já aposentada, Elisa Coronel, de 61 anos, observa os reflexos dos feriadões na rotina da cidade. “Veio feriado, já fecha tudo. A semana vira semana de feriado”, critica. Para ela, o impacto maior recai sobre famílias com crianças. “As crianças não estudam. Para elas é bom, dá para aproveitar, mas ninguém trabalha.”

Entre quem tem carteira assinada, a avaliação também vem com ressalvas. A assistente administrativa Elisandra Rodrigues, de 41 anos, lembra que 2025 teve poucos feriados aproveitáveis e vê 2026 com expectativa moderada. “Esse ano foi pouco. Ano que vem parece que vai ter uns 11 feriados”, comenta. Ainda assim, reconhece que a situação econômica limita qualquer plano. “Na situação que a gente está, não tem muito o que fazer. Tem que trabalhar e correr atrás. Mas se der para descansar um pouquinho, já ajuda.”

Com grana curta, mais feriados no ano não empolgam quem vive sem folga no bolso