Influenciador condenado por tráfico pede para continuar estudos na prisão
A defesa de Alisson Benitez Grance apresentou pedido durante a audiência de custódia

Durante a audiência de custódia neste sábado (14) após a prisão do influenciador digital Alisson Benitez Grance, conhecido nas redes sociais como “Du Mato”, a defesa apresentou um pedido para que ele pudesse continuar estudando enquanto cumpre pena no sistema prisional.
RESUMO
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O influenciador digital Alisson Benitez Grance, conhecido como "Du Mato", se entregou à polícia em Campo Grande após condenação a 8 anos e 2 meses de prisão por tráfico de drogas. Durante a audiência de custódia, sua defesa solicitou a continuidade dos estudos durante o cumprimento da pena. A condenação baseou-se em uma impressão digital encontrada em fita adesiva usada para embalar drogas enviadas pelos Correios. O influenciador alega inocência, afirmando que a fita seria proveniente de um lote furtado de sua loja em 2021. O caso gerou três processos distintos, com algumas absolvições, segundo sua defesa.
O influenciador se entregou no fim da tarde desta quinta-feira (12), em Campo Grande. Contra ele havia um mandado de prisão definitivo expedido pela 5ª Vara Criminal de Campo Grande, após condenação a 8 anos e 2 meses de prisão pelo crime de tráfico de drogas.
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Como a prisão ocorreu por cumprimento de mandado judicial e não em flagrante, a audiência de custódia teve uma função limitada. Nesse tipo de audiência, o juiz não decide se a pessoa permanece presa ou não, já que a ordem de prisão já foi determinada anteriormente pela Justiça.
A análise realizada na audiência se restringiu a dois pontos. O primeiro foi verificar se os direitos do preso foram respeitados no momento da prisão. O segundo foi confirmar se o mandado de prisão ainda estava válido.
Durante a sessão, a defesa também apresentou questionamentos sobre o local onde a pena será cumprida e sobre a possibilidade de continuidade dos estudos. O juiz explicou que não poderia decidir essas questões naquele momento.
Essas definições passam a ser tratadas na fase de execução penal. Nessa etapa, as decisões ficam sob responsabilidade do Juízo da Execução Penal e da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), responsável pela gestão das unidades prisionais no Estado.
Para que o pedido relacionado aos estudos seja analisado, será necessário apresentar documentos que comprovem o vínculo ou a intenção de continuar estudando. Somente depois disso o Juízo da Execução Penal poderá avaliar se a continuidade dos estudos será autorizada dentro do sistema prisional.
Entenda - O advogado Luiz Kevin Barbosa afirmou que a entrega foi organizada para evitar qualquer tipo de abordagem policial inesperada. Segundo ele, Du Mato estava em uma casa no Bairro Pioneiros quando decidiu se apresentar. O defensor foi até o local e pediu apoio de uma equipe policial para que a condução fosse feita com segurança.
“Ele se entregou. Eu chamei a polícia até o local para levá-lo com segurança", disse. Ainda de acordo com o advogado, havia viaturas nas proximidades aguardando a saída do influenciador, o que motivou a articulação para que a apresentação ocorresse de forma organizada.
Horas antes de se apresentar à polícia, ele conversou com exclusividade com o Campo Grande News e afirmou que pretende cumprir a decisão judicial, mas sustenta que a condenação é injusta e diz ser alvo de perseguição desde o início de 2025.
Segundo Du Mato, a investigação que resultou na condenação teria sido construída a partir de uma única prova: uma impressão digital encontrada em uma fita adesiva usada para embalar drogas enviadas pelos Correios.
Ele afirma que a fita pode ter vindo de um lote de materiais furtados de sua loja em 2021.
Na época, o influenciador mantinha um comércio na Rua da Divisão, em Campo Grande. Em dezembro daquele ano, o local foi arrombado e, segundo ele, diversos produtos foram levados, incluindo rolos de fita adesiva.
“Arrombaram meu comércio, furtaram várias fitas adesivas e todo o dinheiro que eu tinha no caixa. No mesmo dia eu registrei boletim de ocorrência”, relatou.
Algum tempo depois, ele afirma ter sido surpreendido com processos criminais relacionados a remessas de drogas enviadas pelos Correios. A ligação com o caso, segundo a investigação, ocorreu após a perícia identificar uma impressão digital dele em uma fita usada na embalagem de maconha.
Du Mato nega qualquer participação no envio das drogas. “Pegaram meu celular e encontraram alguma conversa traficando? Não. Existe alguma prova de que eu cometi crime? Não”, disse.
Três processos do mesmo caso - O advogado dele, Luiz Kevin Barbosa, afirmou que o caso gerou três processos distintos, todos baseados na mesma apreensão de drogas.
Segundo a defesa, as investigações identificaram várias remessas de entorpecentes enviadas pelos Correios e a presença da digital do influenciador em um dos pacotes acabou sendo utilizada para vinculá-lo aos demais.
“A investigação encontrou uma digital dele em um pacote e começaram a usar essa digital para citar ele nos outros processos”, explicou o advogado.
Ainda de acordo com a defesa, Du Mato chegou a ser absolvido em alguns desses processos. Em um deles, decisão recente teria apontado que não havia elementos que comprovassem sequer que ele esteve em agência dos Correios ou teve contato com as drogas apreendidas.
“Não tem nada que comprove que ele sequer chegou perto de uma droga”, afirmou o advogado.
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