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IPTU 2026: por que o valor do carnê aumentou tanto em Campo Grande?

Levantamento aponta três fatores principais que, somados, explicam o salto no carnê

Por José da Cruz | 07/01/2026 16:23
IPTU 2026: por que o valor do carnê aumentou tanto em Campo Grande?
Contribuinte mostra carnê do IPTU, contestado na Central do Cidadão

Mesmo com reajuste oficial limitado à inflação, mudanças nos descontos, na taxa do lixo e na classificação dos imóveis elevaram a conta para milhares de contribuintes — em alguns casos, o aumento passou de 300%.

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O IPTU 2026 em Campo Grande registrou aumentos expressivos, chegando a 396% em alguns casos, mesmo com reajuste oficial limitado à inflação de 5,32%. A elevação é resultado de três fatores principais: redução do desconto para pagamento à vista de 20% para 10%, reclassificação em massa dos imóveis e aumento da taxa do lixo acima da inflação. A atualização do Perfil Socioeconômico Imobiliário afetou 44,7% dos imóveis, que subiram de categoria, enquanto apenas 16,9% foram rebaixados. A taxa de lixo teve reajuste de até 24% para algumas categorias, impactando principalmente imóveis de padrão médio e alto. A legalidade das mudanças está sendo questionada por especialistas.

No começo de 2026, moradores de Campo Grande começaram a relatar um susto comum: o valor do Carnê do IPTU 2026 chegou muito mais alto do que no ano anterior. Em alguns imóveis, o aumento ultrapassou 100%, 200% e até 396%.

A Prefeitura afirmou que o reajuste do IPTU ficou restrito à inflação medida pelo IPCA-E, de 5,32%. Mas uma análise detalhada dos dados mostra que, embora o imposto em si tenha seguido o índice inflacionário, outros mecanismos administrativos e fiscais elevaram o valor final pago pelos contribuintes.

O levantamento aponta três fatores principais que, somados, explicam o salto no carnê:

Nova classificação dos imóveis elevou a taxa do lixo

Um ponto decisivo foi a atualização do Perfil Socioeconômico Imobiliário, sistema que classifica os imóveis da cidade em nove categorias e serve de base para o cálculo da taxa de coleta de lixo.

A última revisão desse perfil havia sido feita em 2017. Em 2025, a prefeitura promoveu uma atualização em massa, alegando necessidade de refletir o crescimento urbano da cidade.

O que os dados mostram?

  • 213,7 mil imóveis (44,7%) subiram de categoria

  • 80,8 mil (16,9%) desceram

  • 184,2 mil (38,4%) permaneceram iguais

Ou seja: para cada imóvel rebaixado, quase três foram promovidos para categorias superiores, que pagam taxa de lixo mais cara.

Esse desequilíbrio levanta questionamentos sobre a proporcionalidade da medida e reforça a percepção de que a reclassificação ampliou a base de cobrança, elevando a arrecadação.

Taxa do lixo teve aumento acima da inflação

Além da reclassificação, houve aumento real no valor cobrado por metro quadrado (VUT) da taxa de lixo, especialmente para imóveis de padrão médio e alto.

Enquanto a inflação do período foi de 5,32%, algumas categorias tiveram reajustes próximos de 24%, ou seja, mais de quatro vezes a inflação.

O efeito prático foi um peso maior para imóveis de classe média e alta, sob o argumento de compensar valores menores cobrados de imóveis de padrão mais baixo.

Menor desconto para quem paga à vista

Até 2025, quem quitava o IPTU à vista tinha 20% de desconto. Em 2026, esse abatimento caiu para 10%. Na prática, isso significa um aumento real imediato para quem sempre pagou em parcela única, os chamados contribuintes do “Carnê Azul”. Isso fez com que o contribuinte tivesse a sensação de que houve reajuste, sendo que o caso é de perda de abatimento.

Exemplo simples:

  • 2025: IPTU de R$ 1.000 → desconto de R$ 200 → paga R$ 800

  • 2026: IPTU de R$ 1.000 → desconto de R$ 100 → paga R$ 900

Aumento real: 12,5%, mesmo antes de considerar a inflação.
Somado ao IPCA-E (5,32%), o impacto chega a 17,82%.

A estimativa é que só essa mudança gere cerca de R$ 50 milhões a mais em arrecadação para o município.

Casos extremos: aumentos de até 396%

A soma de todos esses fatores, menor desconto, nova classificação, reajuste da taxa de lixo e atualização cadastral, resultou em situações extremas.

Há registros de imóveis que pagavam pouco mais de R$ 300 e passaram a pagar mais de R$ 1.500. Em um caso específico, o carnê saltou de R$ 2.422 para R$ 12.364, um aumento de 396%.

Embora a prefeitura sustente que as medidas têm respaldo legal, especialistas apontam que o conjunto das ações pode ser analisado pelo Judiciário, especialmente quanto à proporcionalidade, à transparência e ao impacto social. OAB/MS, inclusive, já anunciou que vai entrar com ação contra o Município.