Moradores do Guanandi reclamam de construção de CAPS Infantojuvenil
Unidade será implantada na Avenida Manoel da Costa Lima, próxima ao CAPS Álcool e Drogas

A construção de uma unidade do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Infantojuvenil em uma área do Bairro Guanandi tem gerado revolta entre moradores que utilizam o local como praça e espaço para atividades físicas. O investimento previsto é de R$ 3,2 milhões, e a unidade será implantada na Avenida Manoel da Costa Lima, ao lado do CAPS Álcool e Drogas e da UBS (Unidade Básica de Saúde) Dona Neta.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A construção de uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantojuvenil no Bairro Guanandi, em Campo Grande, tem gerado protestos entre moradores. Com investimento previsto de R$ 3,2 milhões, a obra será realizada em área utilizada como praça pela comunidade, que reivindica há 46 anos a oficialização do espaço de lazer. Os moradores organizaram um abaixo-assinado contra a instalação, temendo aumento na circulação de usuários de drogas e casos de furtos. O projeto prevê salas de atendimento, espaços de meditação, brinquedoteca e outras estruturas para atendimento infantojuvenil.
Moradores relatam que chegaram a organizar um abaixo-assinado na tentativa de impedir a obra. O principal receio é de que a instalação do centro aumente a circulação de usuários de drogas no bairro, provocando uma possível elevação nos casos de furtos. No documento encaminhado à Prefeitura, os moradores também afirmam que reivindicam há 46 anos a construção de uma praça pública no local.
- Leia Também
- Empresa construirá novo CAPS Infantojuvenil por R$ 3,2 milhões
- Prefeitura lança licitação para construir CAPS Infantojuvenil no Bairro Guanandi
Em um dos trechos do abaixo-assinado, a comunidade afirma que não foi consultada sobre a implantação da unidade. A empresária Daiane Ferreira, de 40 anos, questiona a escolha do endereço e a concentração de equipamentos públicos na mesma avenida. “Por que trazer outro CAPS para cá? A praça é o espaço de lazer da população. É um gasto de dinheiro público à toa”, afirmou.
Mesmo ciente de que a unidade atenderá crianças e adolescentes, Daiane avalia que a obra pode aumentar a sensação de insegurança no bairro. “Vai ter segurança suficiente para cuidar da unidade? Não entendo por que construir e gastar o dobro se é possível reformar o outro prédio. O ideal seria no Centro, que é de mais fácil acesso para os pais”, opinou.
A advogada Isa Mary Cacho, de 41 anos, também defende que os investimentos sejam direcionados à revitalização do espaço utilizado como praça. “Eu preferiria mil vezes que investissem na pracinha. Ao redor já existem vários CAPS. Antes o espaço era mais cuidado, mas nunca recebeu investimentos,” reclamou.
Já a dona de casa Maria Aparecida dos Santos, de 53 anos, contou que participou do abaixo-assinado por acreditar, inicialmente, que a obra seria uma ampliação do CAPS Álcool e Drogas. “Quando soube que é para atender crianças, fiquei mais tranquila. Aqui na região há muitos problemas com moradores em situação de rua, e isso assustou a gente”, relatou à reportagem.
Segundo Maria Aparecida, o espaço reivindicado pelos moradores não era amplamente utilizado. “Algumas pessoas iam lá para usar drogas, ficavam sentadas nos bancos em meio às árvores. Teve vez de eu passar e ver alguém dormindo ali, só isso”, contou. Para ela, a nova unidade pode ser positiva para o atendimento infantil.

A autônoma Estela Oliveira, de 22 anos, também avalia a implantação como benéfica, embora lamente a perda do espaço de lazer. “Fico um pouco triste porque usava o local para caminhar com meu cachorro. Os moradores aqui são mais antigos, mais resistentes a mudanças, e não querem que mexam no bairro por enquanto”, comentou.
O projeto do novo CAPS Infantojuvenil prevê a construção de sete salas de atendimento individualizado, duas salas para atividades coletivas, espaços de meditação, acolhimento, emergência, enfermagem, farmácia e brinquedoteca. A estrutura também contará com áreas administrativas, almoxarifado, refeitório, dormitórios para pacientes e funcionários, salas de reunião, sanitários, área técnica e abrigo de resíduos.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


