Fortificações de Corumbá e Ladário podem ser declaradas patrimônio do Mercosul
Proposta voltou à discussão com o Brasil na presidência do bloco econômico
Um conjunto de fortificações erigidas entre os séculos XVI e XVIII no território da Bacia do Rio da Prata, dentre as quais os fortes Coimbra e Junqueira, em Corumbá, e a base naval da Marinha, em Ladário, pode ser o novo integrante da lista de Patrimônio Cultural do Mercosul.
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Fortificações históricas de Corumbá e Ladário, em Mato Grosso do Sul, podem ser reconhecidas como Patrimônio Cultural do Mercosul. A proposta, que inclui os fortes Coimbra e Junqueira e a base naval de Ladário, foi retomada com a presidência brasileira do bloco. A decisão final ocorrerá em novembro, durante reunião de ministros da Cultura em Porto Alegre. O reconhecimento reforçaria a importância histórica e cultural dessas estruturas militares, construídas entre os séculos XVI e XVIII na Bacia do Rio da Prata. Os fortes Coimbra e Junqueira e a base naval já são tombados pelo Iphan como patrimônio nacional. A candidatura conjunta com outros países do Mercosul abrange fortificações na Argentina, Paraguai e Uruguai, representando um período importante da história da região.
Com o Brasil na presidência do Mercado Comum do Sul (Mercosul) – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo em 3 de julho -, a antiga proposta de reconhecimento de fortes históricos da região voltou à pauta da Comissão de Patrimônio Cultural (CPC) do bloco econômico formado ainda pela Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
À frente da representação brasileira na CPC, servidores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Ministério da Cultura (MinC) começaram uma agenda de reuniões que vai se estender pelos próximos meses até 28 de novembro deste ano, data da próxima Reunião de Ministros da Cultura do Mercosul, em Porto Alegre (RS).
O superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, João Henrique dos Santos, informou que essa discussão ainda está incipiente, mas ganhou força com o Brasil se apresentando como protagonista. A reunião na capital gaúcha será decisiva ao avaliar a candidatura dos “Remanescentes das Fortificações da Bacia do Rio da Prata” a patrimônio cultural da região.

Com forte ligação cultural, migratória e econômica por séculos com os países do bloco, Corumbá e Ladário deverão ser contempladas com o reconhecimento de seus três monumentos bélicos, os quais margeiam o Rio Paraguai, um dos principais formadores da bacia. Até a chegada dos trilhos na fronteira, Corumbá foi o terceiro maior porto fluvial do continente.
Tombamento - As três fortificações de Mato Grosso do Sul já têm o reconhecimento do Iphan. Completando em setembro 250 anos de fundação, o Forte Coimbra foi tombado em 1974 como patrimônio histórico e artístico nacional. Situado no Pantanal do Nabileque, foi palco de conflitos armados contra os espanhóis e os paraguaios, no século XIX.
Mais recentemente, em 2017, o Forte Junqueira (ex-Forte da Pólvora) foi declarado patrimônio cultural brasileiro. Construído após a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), situa-se no topo da encosta do rio, área urbana de Corumbá, ocupando área do quartel do 17º Batalhão de Fronteira do Exército. É aberto à visitação.
A fortificação principal do 6º Distrito Naval da Marinha é o seu próprio edifício-sede, em Ladário (cidade vizinha a Corumbá). A edificação, conhecida pelo seu pórtico histórico (uma réplica do Arco do Triunfo, de Paris), foi fundada em 1873, no contexto da Guerra do Paraguai. Em 2023, o Iphan tombou os muros da base e 15 peças de artilharia.
Bens brasileiros - A lista dos bens brasileiros que podem ser reconhecidos no âmbito do Mercosul inclui a Ponte Internacional Barão de Mauá, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai; o “Itinerário das Missões Jesuíticas Guaranis, Moxos e Chiquitos” e a “Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani”, também no sul gaúcho; e a Serra da Barriga, em Alagoas, onde existiu o Quilombo dos Palmares.
As fortificações da Bacia do Prata são representativas do período entre o início da União Ibérica, em 1580, e o Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, que reestabeleceu as linhas gerais do Tratado de Madrid, redividindo o domínio da região entre as Coroas de Espanha e Portugal.
O conjunto abrange remanescentes de antigos fortes e fortalezas em Buenos Aires, na Argentina; Assunção, no Paraguai; Montevidéu, Colônia do Sacramento, Castilhos, Luanda e Maldonado, no Uruguai; além de fortificações brasileiras no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.