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Em Pauta

Alpha, o navio que impediu a mudança de localidade de Miranda

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 05/02/2026 07:00
Alpha, o navio que impediu a mudança de localidade de Miranda

Permanecer nas terras alagadiças da vila de Miranda significava aos militares e vigários, sobreviver com parcos recursos e grandes privações. Para eles, era um sofrimento em vão. O local era entendido como impróprio, localizado em “rincão arruinado”, em que nada poderia prosperar. A população local, constituída por 400 pessoas, entre brancos e negros, exceto os militares e seus familiares, enfrentava as inundações periódicas que chegavam a invadir as casas, causando contínuas doenças. Além da falta de moradias e alimentos adequados.


Alpha, o navio que impediu a mudança de localidade de Miranda

Uma capelinha muito feia.

O vigário Caldas escreveu sobre o forte em 1.858: “Um curral de pau a pique velho, e todo arrombado com um genuíno quadrado de casas de pau a pique muito baixas e mal construídas, que existe com o nome de Forte, tendo no centro uma capelinha da invocação da Nossa Senhora do Carmo, cuja imagem pequena e muito feia e imperfeita, existindo no centro do pequeno pátio um fosso muito fundo de água podre”. Essa a imagem que tinha Miranda para as principais autoridades e que continuaria até a chegada de um navio.


Alpha, o navio que impediu a mudança de localidade de Miranda

Cadê o índio que estava aqui?

Estavam discutindo a mudança de local do vilarejo. Até Taunay, o militar que estava de passagem pela localidade, intrometeu-se no debate. Um dos motivos que haviam acrescentado para a mudança da cidade era o “sumiço” de muitos indígenas. Haviam se embreado nos matos, fugindo dos trabalhos exaustivos que lhes eram exigidos. Eram eles que plantavam as roças, remavam as canoas de transporte dos brancos e carregavam seus pertences. Sumiram. Pensavam em mudar para as terras altas da serra de Maracaju, cujo progresso já era realidade ou para a “Forquilha”, bela e elevada planície.


Alpha, o navio que impediu a mudança de localidade de Miranda

Alpha, o navio da esperança.

Esse debate prosperava até que surgiu o Alpha. Um navio que chegava de Cuiabá, alimentando as esperanças, especialmente dos comerciantes, de que passariam a ter uma nova ligação com outras localidades. Até aquele momento, só se relacionavam com São Paulo e o Paraná, em viagens demoradas e raras. “Por toda a parte a agitação era grande. Nos ares trovoavam  de continuo inúmeros foguetes, o sino da matriz com festivos repiques parecia querer rachar de contente e o povo, depois de se ter aglomerado nas duas ruas convergentes à praça da igreja, havia se encaminhado todo para a margem do rio”. A esperança surgiu no horizonte. Miranda ficou onde havia surgido.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.