Operação apreende mais de R$ 1 milhão em canetas emagrecedoras nos Correios
Ação mira medicamentos clandestinos sem registro, vindos do Paraguai e distribuídos por remessas postais
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Operação Visa-Protege apreendeu mais de R$ 1 milhão em medicamentos irregulares no Centro de Triagem dos Correios em Campo Grande. A ação resultou na apreensão de aproximadamente mil canetas e ampolas de medicamentos emagrecedores sem registro sanitário, incluindo versões clandestinas de tirzepatida e retatrutida. A força-tarefa, que envolve Anvisa, Correios, CRF/MS, Polícia Civil e Vigilância Sanitária, visa combater a venda ilegal de produtos que custam entre R$ 800 e R$ 2.400 por unidade. A operação terá caráter permanente, estendendo-se a transportadoras, aeroportos e rodovias, especialmente na fronteira com o Paraguai.
- Leia Também
- Canetas emagrecedoras passam a ter uso contra infarto e doença renal
- Para lucrar 3X mais, contrabandistas fracionam tirzepatida em seringa delivery
A fiscalização ocorreu entre segunda (2) e quarta-feira (4) e faz parte de uma força-tarefa montada diante da venda ilegal de canetas emagrecedoras, com casos graves de danos à saúde já amplamente noticiados. A operação envolve a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Correios, CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia), Polícia Civil e SES/MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul).
Segundo as autoridades sanitárias, os produtos apreendidos custam entre R$ 800 e R$ 1.600 por unidade, a depender da etapa da cadeia de circulação, podendo chegar a R$ 2.400 ao consumidor final, especialmente na região Nordeste. O valor total das apreensões ultrapassa R$ 1 milhão.
Os itens estavam ocultos em encomendas, muitas vezes disfarçados em meio a presentes e outros objetos, como bolsas e copos térmicos, camuflados em erva de tereré, frascos de óleo e creme hidratante. Também foram encontrados escondidos dentro de embalagens de alimentos, como sacos de feijão, e até mesmo entre materiais escolares.
Crise das “soluções milagrosas” - A Anvisa iniciou 2026 intensificando a proibição de produtos sem registro, comercializados como soluções rápidas para perda de peso. O foco está em versões clandestinas de medicamentos injetáveis, como as tirzepatidas das marcas TG e Lipoless, que não são reconhecidas por agências reguladoras internacionais sérias, além da retatrutida, substância que ainda está em fase de testes e não possui aprovação para uso em nenhum país do mundo.
De acordo com a Vigilância Sanitária, embalagens sofisticadas e rótulos falsamente atribuídos a países como Alemanha ou Reino Unido são usados para ludibriar o consumidor. “O Retatrutida não é reconhecido oficialmente em nenhum país do mundo e é vendido no mercado clandestino como se tivesse origem em países sérios, o que não é verdade”, alerta o órgão.
Além da ausência de registro, os medicamentos não possuem rastreabilidade, controle de qualidade ou garantia de dose segura, o que eleva o risco de eventos adversos graves à saúde. Já há relatos de consumidores afetados por reações severas, agravadas por automedicação e prescrições ilegais feitas por profissionais de saúde.
Ação permanente - Diante do avanço do comércio ilegal, a SES/MS, por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária, determinou a criação do Plano de Ação – Operação Visa-Protege, com caráter permanente e atuação conjunta em locais estratégicos de trânsito de mercadorias.
“A ação começou pelos Correios por se tratar de uma estrutura pública, mantida com recursos públicos. Não podemos admitir que um equipamento de relevante valor social seja utilizado para que infratores lucrem impunemente”, explicou Matheus Pirolo, gerente do Sistema Estadual de Vigilância Sanitária.
Além dos Correios, a operação deve alcançar transportadoras, aeroportos do Estado e rodovias federais e estaduais, ampliando o cerco contra a entrada e distribuição de medicamentos proibidos, especialmente os trazidos do Paraguai.
Explosão - Em janeiro, a polícia de Mato Grosso do Sul já havia intensificado a fiscalização nas rodovias estaduais da fronteira com o Paraguai, diante da explosão no contrabando de canetas emagrecedoras. A demanda por esses produtos, incluindo substâncias ainda em fase experimental, cresceu de forma exponencial nos últimos meses.
A reportagem do Campo Grande News já mostrou que a retatrutida se tornou a nova “sensação” do emagrecimento milagroso no mercado clandestino. Desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly, o medicamento só deve começar a ser comercializado legalmente a partir de 2027, caso seja aprovado, mas já vem sendo falsificado em larga escala.
Diferente de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, que causam perda significativa de massa muscular e exigem acompanhamento nutricional rigoroso, a promessa da retatrutida seria promover a queima de gordura com menor impacto muscular - algo que ainda não foi comprovado cientificamente. A previsão é que, se aprovada, a retatrutida só chegue legalmente ao mercado no fim de 2026, reforçando o alerta das autoridades sobre os riscos do consumo de substâncias clandestinas e sem controle sanitário.
Ao consumir tirzepatidas proibidas pela Anvisa, como TG e Lipoless, ou a retatrutida, por automedicação ou prescrição ilegal, o usuário se expõe a riscos graves e imprevisíveis à saúde, incluindo possibilidade de câncer no sistema endócrino, insuficiência renal e pancreatite aguda, especialmente sem avaliação médica prévia.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



