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Economia

Juros altos derrubam confiança do comércio de Campo Grande no início de 2026

ICEC acumula queda de 12,3% em um ano e afeta principalmente setores de bens duráveis

Por José Cândido | 02/02/2026 11:10
Juros altos derrubam confiança do comércio de Campo Grande no início de 2026
Movimento do comércio não traduz no caixa das lojas de Campo Grande. (Henrique Kawaminami)

O humor do comércio de Campo Grande entrou 2026 em marcha lenta. O ICEC (Índice de Confiança dos Empresários do Comércio) da Capital seguiu a tendência nacional e registrou queda significativa em janeiro, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS (IPF-MS).

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O comércio de Campo Grande inicia 2026 com queda significativa no Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (ICEC). Segundo a Confederação Nacional do Comércio, houve retração de 6,1% em relação a dezembro, com destaque para a redução de 10,6% na intenção de contratação de funcionários. Na comparação com janeiro de 2025, a queda foi de 12,3%. Apesar do cenário desafiador, marcado por juros altos e crédito restrito, 55,8% dos empresários mantêm otimismo quanto à melhora da economia nos próximos meses, e 76% esperam resultados positivos para seus negócios.

Na comparação com dezembro, quando o indicador já operava abaixo da linha dos 100 pontos — patamar que separa confiança de desconfiança — a retração foi de 6,1%. O dado que mais pesou no resultado foi a intenção de contratação de funcionários, que despencou 10,6%, sinalizando cautela redobrada dos empresários diante do início do ano.

O recuo é ainda mais expressivo quando o olhar se volta para o retrovisor. Em relação a janeiro de 2025, a confiança caiu 12,3%. De acordo com a economista do IPF-MS, Regiane Dedé de Oliveira, os impactos variam conforme o tipo de mercadoria. “Na comparação mensal, as empresas que operam com bens semiduráveis e não duráveis foram as que mais perderam confiança. Já na análise anual, as quedas mais importantes ocorreram nos segmentos de semiduráveis e duráveis — como eletrônicos, eletrodomésticos e veículos — com retrações de 16,3% e 12,4%”, explica.

O pano de fundo desse cenário é conhecido do empresariado e do consumidor: o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic. Com o crédito mais caro, o consumo de bens de maior valor agregado perde fôlego, afetando diretamente setores que dependem de financiamento e parcelamento para girar o estoque.

A percepção sobre o ambiente econômico atual reforça o sinal de alerta. Mais da metade dos empresários entrevistados (51,1%) avaliam que as condições da economia brasileira pioraram muito, enquanto outros 35,4% consideram que houve uma piora moderada. A leitura negativa também se estende ao desempenho do setor e à situação das próprias empresas.

Ainda assim, o comércio não perdeu completamente o fôlego — nem a esperança. O levantamento mostra que 55,8% dos empresários acreditam em melhora da economia brasileira nos próximos meses e projetam um cenário mais favorável também para o comércio. Quando o foco é a própria empresa, o otimismo cresce: mais de 76% dos entrevistados esperam dias melhores.

Entre juros altos, cautela nas contratações e expectativa de retomada, o ICEC de janeiro revela um comércio atento, prudente, mas que ainda aposta na virada do jogo ao longo de 2026.