Luiz já foi açougueiro e hoje descasca 1.800 milhos por dia na rua
A tendinite mudou o rumo profissional dele, mas a nova realidade também foi bem-vinda
Luiz Antônio já foi açougueiro, mas hoje descasca 1.800 espigas de milho por dia na calçada. O trabalho veio após uma tendinite que acabou com a mobilidade e traz dores que ainda não o abandonam. Na Rua 14 de Julho, esquina com a Rua Eça de Queirós, ele conta que a nova profissão foi uma bênção e que nunca se arrependeu de ter começado na área há 11 anos. No ponto, ele está há menos tempo, apenas dois anos, mas já foi o suficiente para conquistar a vizinhança.
RESUMO
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Luiz Antônio, ex-açougueiro que desenvolveu tendinite, encontrou uma nova forma de sustento ao descascar milho nas ruas de Campo Grande. Há 11 anos na profissão, ele processa diariamente 1.800 espigas em seu ponto na Rua 14 de Julho, onde conquistou a simpatia da vizinhança. Trabalhando das 7h30 às 16h30, Luiz vende cada espiga a R$ 1 e diversifica seu negócio com a comercialização sazonal de frutas. Junto com sua esposa, ele já vendeu 500 melancias e 300 abacaxis apenas este ano. Conhecido como "véio" devido à sua barba, ele destaca o acolhimento da comunidade local.
Ele conta que, por dia, leva 25 sacos de milho e que tem vendido todos. Cada espiga ele cobra R$ 1, descascada ou não. Devido à barba grande, o pessoal começou a chamá-lo de “véio”. O apelido não incomoda, mas fez ele tirar um pouco da comprimento.
“A gente era de sítio, trabalhava lá todo mundo, meu pai, minha mãe. Quando veio pra cidade, como gostava, peguei isso pra fazer. Eu trabalhei em mercado, por causa da tendinite não tinha como mais, doía demais. É uma coisa que não some, incomoda muito.”
Apesar de o trabalho atual ainda ser feito manualmente, as dores não aparecem por ser um movimento diferente, segundo ele. “Aqui é repetitivo também, mas não pega no lugar que o outro pegava. O da faca doía porque nunca parava de cortar carne. Ao invés de ficar de atestado o resto da vida, resolvi sair. Aqui eu paro, dou uma respirada, faço no meu tempo.”
Luiz não está ali por opção, mas porque é, de fato, o sustento da casa. Junto com a esposa, eles vendem as frutas que consideram promissoras ao longo do ano. Em épocas comemorativas, como Natal e Ano Novo, é a vez das melancias e dos abacaxis reinarem na bancada. Só este ano foram 500 melancias e 300 abacaxis vendidos, segundo Luiz.
“Aqui o povo me conhece, não passo necessidade, não. O povo me chama de véio por causa da barba grande, até tirei um pouco. Se eu preciso comer, a comida vem aqui, vizinhos me dão café, são pessoas humanas mesmo. Se chove, convidam pra ficar em lugar melhor. Venho pra cá por isso. A gente vai pra roça e corta milho, eu e minha mulher, mas vou fazer 60 anos e ela 58, já não tá dando mais.”
A rotina de Luiz começa às 7h30 no sol, e, conforme a manhã avança, ele vai acompanhando a sombra, movendo sua estrutura para fugir do calor. O trabalho termina às 16h30. Sobre o lixo no local, Luiz conta que recolhe tudo e doa a casca do milho. "Um amigo leva para o gado dele, pega todo dia".




