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Lado Rural

Cumprindo promessa de campanha, Riedel decreta fim da lei da paridade das exportações

Convicto de que este é o momento de maturidade do mercado, governador decreta livre comércio de grãos

Por Gabriela Couto | 26/02/2025 18:51
Cumprindo promessa de campanha, Riedel decreta fim da lei da paridade das exportações
Momento de colheita de soja no Estado (Foto: Arquivo/Aprosoja)

Após 20 anos, o governador Eduardo Riedel (PSDB), decretou nesta quarta-feira (26), o fim da paridade das exportações de soja e milho no Estado. A reivindicação antiga do setor produtivo era uma promessa de campanha do tucano e o fim do regime especial de tributação dos grãos foi oficializado nesta tarde, no auditório da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).

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O governador Eduardo Riedel (PSDB) assinou nesta quarta-feira (26) o decreto que põe fim à lei da paridade das exportações de soja e milho em Mato Grosso do Sul, após 20 anos de vigência. A medida, que era uma promessa de campanha, elimina a obrigatoriedade de tributar equivalentemente no mercado interno para cada tonelada de grãos exportada.A lei, criada em 2005 durante o governo de Zeca do PT, surgiu como alternativa para compensar a perda de arrecadação causada pela Lei Kandir, que isentava as exportações de ICMS. Riedel, que já havia contestado judicialmente a medida quando presidia a Famasul, argumenta que o fim da paridade não deve impactar negativamente a arrecadação estadual, devido à atual maturidade do mercado e à forte industrialização do setor no estado.Mato Grosso do Sul evoluiu de 3 para 14 milhões de toneladas de soja produzidas, com capacidade de processamento industrial de 18.080 toneladas diárias do grão. A mudança beneficiará especialmente produtores da região norte do estado, que enfrentavam desvantagens competitivas de até R$ 4 por saca em relação a municípios vizinhos.

Riedel explicou que desde 2005 a lei da equivalência determinava que para cada tonelada de soja ou milho exportado do país tributava-se o equivalente para o mercado interno. “Se eu exportava uma tonelada, eu obrigatoriamente tributo a mesma tonelada independente do destino dentro do Brasil. Isso acaba distorcendo o mercado, porque era o Estado impondo um tributo para um mecanismo de comercialização”, relembra.

Cumprindo promessa de campanha, Riedel decreta fim da lei da paridade das exportações
Governador Eduardo Riedel segura o decreto ao lado das autoridades e representantes de instituições rurais (Foto: Paulo Francis)

Curiosamente, o governador chegou a judicializar a medida na época em que era presidente da Famasul e após décadas, ele encontrou o momento certo para acabar com a tributação.

“De lá pra cá saímos de 3 milhões para 14 milhões de toneladas de soja. Saímos de um Estado eminentemente exportador para um estado que processo boa parte da sua produção aqui e tem um comércio interestadual muito forte. Não fazia muito mais sentido manter a lei da paridade, apesar de ser importante para garantir uma fonte de receita, nós acreditamos que essa maturidade e dinâmica do mercado vai manter a receita, não vamos perder a receita, com o fim da lei da paridade”, pontuou.

No entanto, Riedel afirmou que não tem como saber o quanto irá perder de arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) credita que não haverá perdas. “Instituindo uma nova modalidade em relação a liberdade de mercado que a gente tem muita segurança em dizer que não vai ter perda de arrecadação”.

Cumprindo promessa de campanha, Riedel decreta fim da lei da paridade das exportações
Governador durante entrevista para imprensa, após assinar decreto na Famasul (Foto: Paulo Francis)

A convicção está baseada com o monitoramento do mercado ao longo dos anos. “Temos a convicção de que a dinâmica do mercado está se sobrepondo a decisão da empresa de pagar ou não a paridade”.

A decisão foi tomada em um momento de expansão da industrialização em Mato Grosso do Sul, agregando valor às commodities e abastecendo o mercado interno. O cenário é resultado das reformas estruturantes que começaram na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

“Vai na linha de liberdade de mercado, responsável do ponto de visto fiscal, porque estamos acreditando que não vai ter impacto na arrecadação. A gente vai poder já nessa safra checar e ter a convicção que foi a melhor decisão tomada”, concluiu Riedel.

Cumprindo promessa de campanha, Riedel decreta fim da lei da paridade das exportações
Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck (Foto: Paulo Francis)

Para o presidente da Aprosoja-MS,  Jorge Michelc, a mudança irá impactar positivamente os produtores da região norte do Estado. "Nós tínhamos a diferença de R$ 4, tendo que comercializar nossa produção a R$ 117 e a cidade ao lado de Chapadão, vendia a R$ 122. Não tinha como competir, mesmo tendo a melhor logística. Sendo que 96% da produção na região é para exportação", relatou.

O titular da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jaime Verruck, ressaltou que o processo de industrialização foi fundamental para assinar o decreto.

"A capacidade de processamento nas indústrias de soja é de 18.080 toneladas ao dia do grão. E 100% está sendo processado aqui. O milho não vai mais sair do Estado. A tendência é não enviar para o mercado externo. Faremos mais investimentos para que nos próximos anos, Mato Grosso do Sul compre milho d Mato Grosso para processar aqui".

Entenda - A lei da paridade das exportações das commodities foi feita pelo então secretário de Fazenda, Paulo Duarte, na gestão do governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT.

A medida serviu como alternativa do Estado arrecadar ICMS, já que a Lei Kandir de 1996 não tributava as exportações. Na ocasião, o governador federal prometeu a compensação aos Estados, mas o fundo nunca foi criado.

Então o Mato Grosso do Sul se viu obrigado a buscar uma fonte de receita a partir do momento que a exportação não era tributada e criou a lei da paridade.

"Hoje fazemos justiça com um setor que há muitos anos clama por algo, que lá atrás foi construído nas disfunções tributárias brasileiras ,e que hoje retoma o trilho para a normalidade", exaltou o governador.

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