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Interior

"Jamais esperaríamos", diz familiar sobre duas mortes após choque em tirolesa

Acidente aconteceu em chácara clandestina durante celebração de casamento na manhã de domingo

Por Ana Paula Chuva | 27/02/2026 07:25


RESUMO

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Dois amigos morreram após choque elétrico em tirolesa durante confraternização pós-casamento na Estância Walf, em Bonito (MS). Gustavo Henrique Camargo, 32 anos, e Pedro Henrique de Jesus, 20 anos, foram eletrocutados ao terem contato com a estrutura metálica do equipamento. A perícia identificou fiação antiga e pontos desencapados no sistema de iluminação. O estabelecimento, que pertence a um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, funcionava sem certificado de vistoria dos Bombeiros e foi interditado. A família das vítimas cobra esclarecimentos e melhorias na estrutura de atendimento emergencial da cidade turística.


Elenildo dos Santos Barbosa, primo de uma das vítimas de choque elétrico em tirolesa divulgou vídeo nas redes sociais esclarecendo como ocorreu o acidente durante confraternização após um casamento na Estância Walf, em Bonito, a 297 quilômetros de Campo Grande. O acidente aconteceu no domingo (22) e vitimou Gustavo Henrique Camargo, 32 anos, e Pedro Henrique de Jesus, 20 anos.

No vídeo Elenildo dos Santos Barbosa, primo de Gustavo conta que eles tinham celebrado o casamento na igreja matriz de Bonito e após a cerimônia os convidados foram para estância alugada para o fim de semana. De acordo com ele, na manhã de domingo, enquanto tomavam café, Gustavo e Pedro foram utilizar a tirolesa da área de lazer.

Conforme o relato, Gustavo desceu primeiro e, ao tocar a água no final do percurso, ficou paralisado, preso à estrutura. Inicialmente, os primos que estavam próximos acreditaram se tratar de uma brincadeira, mas perceberam que ele permanecia imóvel por mais de um minuto.

Dois jovens que aguardavam para descer puxaram a estrutura de volta. Quando Gustavo foi retirado da água, acabou se soltando e caiu no lago. Na sequência, Pedro Henrique atravessou o lago para tentar ajudar o amigo. Ao retornar, segurou o cabo de aço que sustenta a tirolesa e também ficou preso à estrutura.

“Nessa volta ele pegou no cabo de aço que segura a estrutura da tirolesa. Ali mesmo ele ficou, debruçado por cima do cabo”, afirmou Elenildo.

Segundo o familiar, um dos convidados, que teria conhecimento na área elétrica, alertou que poderia se tratar de choque elétrico e orientou que todos saíssem imediatamente da água. O caseiro da propriedade desligou a energia.

Após o desligamento, Pedro caiu na parte rasa do lago e foi retirado rapidamente, mas já estaria sem sinais vitais. Gustavo ainda foi encontrado submerso, retirado com pulsação e encaminhado ao hospital.

De acordo com a gravação o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas houve dificuldade de sinal de celular no local. Gustavo foi levado inicialmente ao hospital de Bonito e depois transferido para Campo Grande, onde morreu. Pedro também foi levado para atendimento médico, mas não resistiu.

A família agradeceu o atendimento prestado pela equipe de saúde de Bonito, mas cobrou melhorias na estrutura da cidade para atendimento de emergências, destacando que o município é um dos principais destinos turísticos do Estado.

Bonito é conhecido em todo o Mato Grosso do Sul, em todo o Brasil. Mas numa causa igual a esta, como que Bonito está preparado para receber os turistas?”, questionou.

Ele também afirmou que a família busca justiça e que espera esclarecimentos sobre as circunstâncias do acidente. O caso é investigado pelas autoridades competentes para apurar responsabilidades.

"Jamais esperaríamos", diz familiar sobre duas mortes após choque em tirolesa
Pedro (à esquerda) e Gustavo (à direita) vítimas do acidente na tirolesa (Foto: Reprodução)

Caso - Conforme a nota da Delegacia de Bonito, perícia realizada no local identificou que toda a estrutura da tirolesa era metálica e que, no topo da torre, havia um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados. A suspeita é de que essa condição possa ter energizado a estrutura.

Gustavo Henrique teria sofrido uma descarga elétrica ao descer pela tirolesa e entrar em contato com a água. Ao perceber que o amigo estava submerso, Pedro Henrique pulou na lagoa na tentativa de socorrê-lo e também foi atingido por choque.

Familiares que estavam no local relataram à polícia que, além da descarga, ambos acabaram submersos e perderam os sentidos. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas devido à distância encontraram as vítimas já sendo levadas por pessoas presentes na propriedade. Os dois tiveram parada cardiorrespiratória.

O espaço foi alugado pelos familiares das vítimas por três dias. Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a estância não tinha certificado de vistoria emitido pela corporação e funcionava de forma clandestina no aluguel para eventos. Por isso, o espaço foi multado e interditado até a regularização da documentação.

De acordo com documentos da Receita Federal, a estância pertence à empresa Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda, que tem como sócio o conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) e ex-presidente da Corte, Waldir Neves Barbosa.

A empresa foi aberta em 23 de abril de 2021 e tem capital social declarado de R$ 4.444.777,00. No cadastro, consta como atividade econômica principal o “aluguel de imóveis próprios”. A reportagem tentou contato com o conselheiro, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

"Jamais esperaríamos", diz familiar sobre duas mortes após choque em tirolesa
Tirolesa localizada na estância onde jovens foram eletrocutados (Foto: Reprodução | redes sociais)


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