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Meio Ambiente

Uso de explosivos na mineração vira alvo de investigação em Bonito

Detonações podem afetar cavernas e cursos d’água, com impactos na fauna, na flora e na qualidade da água

Por Viviane Oliveira | 27/02/2026 08:09
Uso de explosivos na mineração vira alvo de investigação em Bonito
Explosão registrada em área da Calluz, mineradora que se instalou nas proximidades da Estrada do 21 (MS-345) (Foto: reprodução/vídeo)

A 2ª Promotoria de Justiça de Bonito instaurou procedimento administrativo para apurar e acompanhar os impactos ambientais da mineração no município. A medida inclui a análise de atividades com uso de explosivos na Serra da Bodoquena e em áreas próximas.

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O Ministério Público de Bonito iniciou investigação sobre impactos ambientais causados por mineradoras na região, especialmente pelo uso de explosivos na Serra da Bodoquena. A medida foi tomada após denúncias de moradores e manifestações da Câmara Municipal sobre possíveis danos a rios e cavernas. Das quatro mineradoras que atuam no município, duas utilizam explosivos na extração de calcário. Uma delas foi autuada por operar em três turnos, contrariando a licença ambiental. O MPMS questiona a ausência de Estudo de Impacto Ambiental e busca esclarecimentos junto ao Imasul e especialistas da UFMS sobre os efeitos das detonações na região.

A investigação foi aberta após denúncias de moradores e manifestações da Câmara Municipal sobre explosões relacionadas a empreendimentos minerários. Os relatos apontam preocupação com possíveis danos a rios e cavernas da região.

De acordo com dados encaminhados ao Ministério Público, quatro mineradoras atuam em Bonito. Duas utilizam explosivos na extração de calcário. Uma delas operou em três turnos, durante 24 horas, em desacordo com a licença ambiental, o que resultou em notificação e autuação pelo órgão estadual.

Conforme levantamento do MPMS (Ministério Público do Mato Grosso do Sul), a Serra da Bodoquena é formada por rochas calcárias e abriga cavernas e rios subterrâneos. Segundo o órgão, explosões podem afetar cavernas e cursos d’água, com reflexos na fauna, na flora e na qualidade da água.

O MPMS questionou a ausência de Estudo de Impacto Ambiental para empreendimentos minerários no município e solicitou esclarecimentos ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) sobre os critérios adotados. A Promotoria também requisitou informações e documentos aos órgãos responsáveis pelo licenciamento e fiscalização.

O órgão entrou ainda em contato com especialistas da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para obter manifestação técnica sobre os efeitos das detonações. Há ainda preocupação com impactos das explosões, como sons e vibrações, uso do solo e possíveis conflitos entre atividades turísticas, ambientais e industriais na região.

Em junho do ano passado, a reportagem conversou com Elias Araújo, gerente da mineradora Calluz, instalada nas proximidades da Estrada do 21 (MS-345). Ele foi questionado sobre o susto relatado por moradores após explosões e sobre as normas que a empresa deve cumprir.

Segundo Araújo, o horário das detonações, a quantidade de explosivos utilizada, bem como os níveis de vibração e ruído, estão dentro dos limites estabelecidos pela NBR 9.653/2018 e pelas exigências do Exército. “Já conversamos com as autoridades de Bonito e enviamos relatórios para esclarecer que não houve irregularidades”, afirmou.

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