Membro do TCE é sócio de estância de R$ 4,4 milhões que operava clandestinamente
Propriedade em Bonito onde dois jovens morreram ao usar a tirolesa não tinha autorização para eventos
A Estância Walf, localizada na zona rural de Bonito, onde os amigos Gustavo Henrique Camargo, 29 anos, e Pedro Henrique de Jesus, 20 anos, morreram após sofrerem descarga elétrica em uma tirolesa instalada sobre uma lagoa durante uma festa de casamento no último fim de semana, pertence à empresa Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda, que tem como sócio o conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) e ex-presidente da Corte, Waldir Neves Barbosa.
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Um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, Waldir Neves Barbosa, é sócio da Estância Walf, em Bonito, onde duas pessoas morreram após choque elétrico em uma tirolesa durante um casamento. O estabelecimento, avaliado em R$ 4,4 milhões, operava sem as devidas licenças. As vítimas, Gustavo Henrique Camargo, 29 anos, e Pedro Henrique de Jesus, 20 anos, faleceram após contato com água eletrificada. A perícia identificou fiação antiga e desencapada na estrutura metálica da tirolesa. O local foi interditado e multado após o incidente.
Conforme documentos da Receita Federal, a empresa foi aberta em 23 de abril de 2021 e tem capital social declarado de R$ 4.444.777,00. No cadastro, consta como atividade econômica principal o “aluguel de imóveis próprios”.
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Como atividades secundárias, aparecem o cultivo de outras plantas de lavoura temporária não especificadas anteriormente, criação de bovinos para corte, holdings de instituições não financeiras, compra e venda de imóveis próprios e outras atividades de recreação e lazer.

Apesar de prever em seu objeto social a locação de imóveis, a estância não possuía as licenças específicas exigidas pelo Corpo de Bombeiros e pela prefeitura para funcionamento como espaço de eventos e atividades de lazer. Segundo os Bombeiros, o local não tinha certificado de vistoria emitido pela corporação, documento indispensável para que o município possa conceder alvará de funcionamento. Sem essa autorização, qualquer evento realizado na propriedade é considerado clandestino.
Após o acidente, a estância foi notificada, multada e interditada até a regularização da documentação. A página oficial da estância em rede social foi retirada do ar. Anúncios de locação do espaço em plataformas de aluguel por temporada também foram removidos depois do ocorrido.
Com a confirmação de que o ex-presidente do TCE-MS integra o quadro societário da empresa proprietária da estância, a reportagem tentou contato com o conselheiro, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

Mortes durante casamento - O acidente ocorreu no domingo (22), durante a comemoração de um casamento para o qual o espaço havia sido alugado por três dias. As vítimas foram identificadas como Gustavo Henrique Camargo dos Santos, de 32 anos, e Pedro Henrique de Jesus Martins, de 21 anos.
De acordo com as apurações repassadas pela Polícia Civil, Gustavo teria sofrido uma descarga elétrica ao descer pela tirolesa e entrar em contato com a água da lagoa. Ao perceber que o amigo estava submerso, Pedro pulou na água para tentar socorrê-lo e também teria sido atingido por choque elétrico.
Perícia realizada no local apontou que toda a estrutura da tirolesa era metálica e que, no topo da torre, havia sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados. A hipótese é de que essa condição possa ter energizado a estrutura.
A Energisa prestou apoio técnico durante os exames periciais, mas, até o momento, não há indícios de que o caso tenha relação com a rede pública de energia, já que o fato ocorreu dentro da propriedade particular.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas, devido à distância, encontraram as vítimas já sendo levadas por pessoas que estavam no local. Ambos sofreram parada cardiorrespiratória.
Pedro Henrique foi encaminhado ao hospital municipal de Bonito, mas não resistiu e morreu no mesmo dia. Gustavo recebeu manobras de reanimação, foi transferido em vaga zero para a Santa Casa de Campo Grande em estado grave, porém também faleceu horas depois.


