Novas tarifas dos EUA isentam 46% das exportações brasileiras
Aeronaves e produtos industriais têm alíquotas zeradas ou reduzidas
O novo regime tarifário dos Estados Unidos entrou em vigor nesta terça-feira (24) e passou a afetar 100% das exportações brasileiras ao país. Segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), 46% das exportações que somam US$ 17,5 bilhões ficam isentas de sobretaxas adicionais. Aeronaves, que tinham alíquota de 10%, entram no mercado americano sem tarifas.
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Outros 25% das exportações (US$ 9,3 bilhões) estão sujeitos à tarifa global de 10%, percentual que pode subir para 15% conforme futuras decisões do governo americano. Os 29% restantes (US$ 10,9 bilhões) continuam com tarifas setoriais aplicadas sob a Seção 232 da Lei de Comércio de 1962, mecanismo que estabelece sobretaxas com base em segurança nacional, como no caso de aço e alumínio. Antes das alterações, cerca de 22% das exportações brasileiras tinham tarifas de 40% a 50%.
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O MDIC detalhou que o novo regime abrange produtos industriais e agropecuários. Entre os setores afetados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais. Produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel passaram de alíquotas de 50% para a tarifa global de 10% ou eventual 15%.
O setor de aeronaves foi o terceiro item de maior valor na pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com alto conteúdo tecnológico. Apesar da redução da tarifa, o volume de exportação pode sofrer variações conforme classificação tarifária, decisões do governo americano e condições de mercado.
Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e EUA somou US$ 82,8 bilhões, com exportações de US$ 37,7 bilhões e importações de US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 7,5 bilhões. O MDIC alerta que os cálculos podem sofrer ajustes conforme critérios técnicos e destinação dos produtos.
A mudança de regras ocorre após decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou tarifas recíprocas impostas pelo governo de Donald Trump (Republicano) com base em legislação de emergência nacional.


