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Comportamento

Merendeira reencontrou alunos da escola depois de 48 anos longe

Turma de 77 e 78 da Escola João Evangelista se reuniu neste domingo para festejar com Francisca

Por Natália Olliver | 23/02/2026 06:30
Merendeira reencontrou alunos da escola depois de 48 anos longe
Francisca era merendeira de escola e se reunuiu com ex-alunos neste domingo (Foto: Osmar Veiga)

A merendeira Francisca Pereira Giniz, de 76 anos enfim conseguiu rever alguns dos alunos que ela cuidou como uma mãe há 48 anos. Eles deixaram os corredores da Escola João Evangelista Vieira de Almeida há muito tempo, mas neste domingo (22) foi como se o tempo não tivesse passado. Foram 32 anos trabalhados na instituição e inúmeras crianças que ainda carrega com carinho no peito.

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Francisca Pereira Giniz, de 76 anos, reencontrou ex-alunos da Escola João Evangelista Vieira de Almeida após 48 anos. O encontro, que reuniu mais de 20 pessoas, foi organizado ao longo de três meses e aconteceu no último domingo. Durante 32 anos, ela trabalhou como merendeira na instituição.O evento foi marcado por emoção e memórias, com direito a bolo quadrado, maria-mole e bala de coco. Francisca relembrou os tempos em que puxava água do poço e cozinhava no fogão à lenha. Os ex-alunos já planejam novos encontros e pretendem estabelecer uma organização formal para manter o grupo unido.

A ideia do reencontro levou quase 3 meses para sair do papel, mobilizou mensagens, ligações e memórias guardadas. No fim, mais de 20 pessoas apareceram. Teve bolo quadrado, maria-mole, bala de coco, pé de moleque e bexigas espalhadas pela varanda. Coisas pequenas, do passado, mas cheias de significado para eles.

Francisca não segurou a emoção em estar envolta de tantos alunos. Ela conta que o trabalho era pesado mas que fazia com gosto. Puxava água direto do poço e cozinhava no fogão à lenha.

Merendeira reencontrou alunos da escola depois de 48 anos longe
Merendeira reencontrou alunos da escola depois de 48 anos longe
Francisca e ex-launos se encontraram depois de anos longe; Francisca e Cely (Foto: Osmar Veiga)

"Não tinha luz ou água era poço. Depois melhorou veio a energia. Eu me sentia uma mãe porque tinha que cuidar de todas aquelas crianças de coração. Eu trabalhei só lá. Eu me senti muito bem, não esqueço de tudo que passei com a gurizada. Eu entrei em 1975 e sai em 2007, trabalhei 32 anos. Não Tinha aula de noite depois quando chegou energia. Eu sentia bem puxando água de poço. Fazia a merenda com grande amor no coaração, mesmo com as dificuldade".

Ela explica que os filhos não queriam muito que eu estivesse presente, pelo zelo com a saúde, mas que fez questão. "Ainda tomo uma caipirinha, danço. Tem pessoas que vi pequena. Tenho no coração."

Entre risadas e abraços demorados, teve também surpresa. Amigos que se reconheceram de imediato e outros que precisaram se apresentar de novo, como se a vida tivesse apagado alguns traços do rosto, mas não do coração.

Merendeira reencontrou alunos da escola depois de 48 anos longe
Francisca trabalhou 32 anos na escola e turma de 77/78 realizou uma festa para ela (Foto: Osmar Veiga)

 “A hora que cheguei, me abraçaram e a gente se apresentou outra vez. O momento se vive hoje, amanhã pertence a Deus. Eu cheguei até a chorar porque ela lembrou de mim. A vida dela foi um sacrifício lá, mas ela amava. E quando a gente ama, é isso”, resume Cely Flores 57 anos.

Na memória da ex-aluna, Francisca já não ocupava muito espaço, mas assim que lembrou da época da escola e organizaram o encontro, a meta era rever a merendeira que fez parte da vida de todos.

O reencontro não teve luxo nem grandes produções. Teve afeto. Teve passado e presente dividindo a mesma mesa. Teve a sensação de que, apesar dos anos, alguma coisa permanece intacta.

"Foi muito legal, me emocionei, não lembrava de todos, outros já se foram e nós estamos aqui. É uma coisa que vivemos lá no passado, não achei que veria muita gente. Pra mim foi um presente isso. Parece pequeno mas é tao significante. Depois de 48 a gente se reunir é uma benção.  Fizemos uma festinha e a Francisca não poderia ficar de fora", acrescentou Cely.

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Laurinete Pereira dos Santos, de 56 anos, foi uma das que organizaram o encontro. Ela tinha o sonho de reencontrar os antigos amigos. Devido ao Carnaval, ela não conseguiu reunir todos. A esperança é que de agora em diante eles comecem a aparecer. Aliás, para encontrá-los, até pedido na Justiça foi feito, segundo ela.

Avó e mãe, ela começou a dividir com a filha e com a neta as histórias da infância na escola. Em meio às conversas, a neta perguntou: "Vó, você não tem vontade de rever seus amigos?”

"Tem o pessoal de 77 até 82, que era da primeira à quarta série. Fomos na escola tentando levantar o nome daqueles amigos para a gente procurar no Facebook, porque eu antigamente não tinha telefone fixo e nem celular. Aí nós tentamos levantar na escola, a escola não cedeu, nós entramos na Justiça, eu e o Ricardo. Não conseguimos localizar ninguém".

Mesmo assim, a rede foi se refazendo do jeito antigo: um conhece o outro, que conhece mais um. Mensagens foram sendo encaminhadas, perfis encontrados “no Face”, abraços agendados. “Agora só com o primeiro nome a gente não consegue localizar”, explica. Muitos professores já se foram. “Eu tô com 56 anos, eu sou a mais velha da turma.”

Laurinete comenta que o encontro foi uma volta ao passado e que agora os encontros serão mais frequentes. A organização também será mais profissional, próxima de um grêmio estudantil, com presidente, tesoureiro e o que mais fizer sentido.

"A gente vai manter um valor mensal para a gente viajar final de ano, para a gente comemorar os aniversários do grupo, A gente tem esperança de encontrar os outros amigos.Vamos fazer mais econtraos."

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