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Comportamento

A IA quer seu corpo por dinheiro e nas ruas o pessoal aceitaria

Plataforma "aluga" humanos para fazer o que as inteligências artificiais ainda não podem

Por Natália Olliver | 23/02/2026 07:25
A IA quer seu corpo por dinheiro e nas ruas o pessoal aceitaria
Alex Câmara nunca tinha ouvido falar na proposta, mas aceitaria (Foto: Natália Olliver)

A Inteligência Artificial quer o seu corpo e está pagando por isso. Nas ruas de Campo Grande, ser “usado” e mandado por elas seria algo aceitável se isso trouxesse, de fato, lucro. Desde que apareceram e ganharam espaço no dia a dia, muitos acreditam que as IAs são assistentes pessoais e funcionárias, mas há sites fora do Brasil em que o jogo virou e os humanos é que viraram os “servos” delas. Se você está por fora disso, calma, o Lado B vai te explicar.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Inteligência Artificial avança para um novo território: a contratação de humanos para tarefas no mundo físico. Por meio de uma plataforma digital internacional, agentes de IA "alugam" pessoas para realizar atividades que não podem executar virtualmente, como verificações locais, registros fotográficos e experiências sensoriais. Em Campo Grande, a receptividade à ideia é positiva, com muitos entrevistados demonstrando interesse pela oportunidade de trabalho. O site já conta com quase 5 milhões de acessos e mais de 11 mil pessoas contratadas, embora ainda não opere no Brasil. A remuneração é feita principalmente em criptomoedas.

O site chamado “aluga-se um humano IA” funciona como um mercado digital onde agentes de IA “contratam” pessoas para realizar tarefas no mundo físico, o que eles chamam de meatspace, ou “espaço de carne”. O slogan resume a ideia com ironia: “AI can’t touch grass. You can” (A IA não pode tocar a grama. Você pode).

Na prática, a plataforma opera como um marketplace onde desenvolvedores integram seus agentes de IA ao sistema e, quando identificam que precisam de uma ação física para cumprir determinado objetivo, algo que não pode ser feito apenas no ambiente digital, ela busca um humano disponível cadastrado no site e negocia o valor do serviço. Geralmente, ele é pago em criptomoedas ou stablecoins.

Para entender melhor, entre as aplicações possíveis estão verificações locais e fotos em tempo real, experiências sensoriais e feedback humano.

A IA quer seu corpo por dinheiro e nas ruas o pessoal aceitaria
Na esplanada Fevorriária, Júlia Fernanda também aceitaria se fosse lucrativo (Foto: Natália Olliver)

Para entender melhor, entre as aplicações possíveis estão verificações locais e fotos em tempo real, experiências sensoriais e feedback humano. Imagine uma IA programada para monitorar imóveis. Ao detectar uma possível irregularidade ou precisar confirmar se uma obra foi concluída, ela pode “alugar” alguém que esteja próximo para tirar fotos, fazer vídeos e preencher um checklist visual.

Já na parte de experiência sensorial, um agente que gerencia um blog gastronômico pode contratar uma pessoa para ir a um restaurante recém-inaugurado, provar um prato específico e descrever sabor, textura e ambiente. A IA pode até processar dados, mas não sente o tempero nem percebe o cheiro da comida saindo da cozinha.

Mas afinal, o que a galera acha disso na rua?

Para muitos, a ideia ainda é novidade. Mas a reação passa longe do medo apocalíptico que costuma acompanhar debates sobre tecnologia. Alex Câmara, 33 anos, nunca tinha ouvido falar na proposta.

“Se fosse rentável pra mim, eu faria, com certeza. Não teria problema nenhum em receber ordem de uma IA. A evolução vem e, com isso, a tecnologia vai dominando partes que a gente estava acostumado, como receber ordens de pessoas. Se for rentável, vale a pena.”

Júlia Fernanda, 25, também conheceu o conceito agora, mas enxerga potencial.

“Acho que isso vai revolucionar muito com a modernidade que está hoje em dia. Se fosse em questão de negócios, eu aceitaria ela mandar em mim. Acho que facilitaria muito nas empresas, é algo que pode complementar a nossa sociedade.”

A IA quer seu corpo por dinheiro e nas ruas o pessoal aceitaria
Vicente Almeida Pereira, vê "aluguel" como oportunidade econômica (Foto: Natália Olliver)

Já Vicente Almeida Pereira, 20 anos, vê como oportunidade econômica. “Movimenta, é mais atividade financeira, dá mais autonomia. É um patrão virtual. Dependendo do valor, aceitaria ser mandado por IA, sem problema nenhum. Até porque eu tenho a escolha de aceitar ou não. Se for boa a renda, começo a partir de hoje.”

Para alguns, isso representa autonomia. Para outros, pode soar como mais um passo na precarização das relações de trabalho. Afinal, quem define regras, responsabilidades e limites quando o “empregador” é uma linha de código?

A pergunta do Lado B neste domingo foi exatamente sobre isso. Ao todo, 40% das pessoas responderam que jamais aceitariam ser mandadas ou usadas pela IA, 27% optaram pela opção "com certeza" e 27% talvez aceitariam.

O site estrangeiro “alugue um humano”, que ainda não chegou ao Brasil, soma quase 5 milhões de acessos e já pagou 11.511 pessoas. Além disso, conta com 553.179 avaliações.

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