Renda de R$ 3,6 mil é suficiente para manter um padrão de vida confortável?
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O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos em Mato Grosso do Sul chegou a R$ 3.693 no quarto trimestre de 2025, segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O valor é considerado estatisticamente estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação anual. A pergunta que fica é direta e incômoda: esse valor é suficiente para manter um padrão de vida confortável?
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A estabilidade da renda pode soar como boa notícia à primeira vista. Mas estabilidade não significa avanço. Se os preços sobem e o salário fica parado, o poder de compra encolhe. O próprio levantamento compara os rendimentos com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação, indicando que não houve ganho real significativo.
Homens recebem, em média, R$ 4.094, enquanto mulheres ganham R$ 3.175, uma diferença de 22,5%. No recorte por cor ou raça, pessoas brancas recebem R$ 4.499, enquanto pessoas pardas ficam em R$ 3.126.
O nível de escolaridade também pesa. Trabalhadores com ensino médio completo recebem, em média, R$ 2.966. Já quem tem ensino superior completo alcança R$ 5.960.
Outro ponto que desafia a ideia de conforto é a posição na ocupação. Empregadores com CNPJ recebem, em média, R$ 9.985. Empregados do setor privado sem carteira recebem R$ 2.340. Trabalhadores domésticos sem carteira ficam em R$ 1.293.
Apesar da taxa de desocupação ter atingido 2,4%, a segunda menor do país, o debate não se encerra no número do desemprego. Estar ocupado não significa, necessariamente, viver com conforto. A discussão passa pela qualidade da ocupação, pela formalização e, sobretudo, pela renda efetiva no fim do mês.
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