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Política

Prefeitura admite falhas e faz nova reunião para discutir IPTU

Executivo fala em erros pontuais, cita estudo de 2016 e promete correções

Por Kamila Alcântara e Mylena Fraiha | 06/01/2026 14:18
Prefeitura admite falhas e faz nova reunião para discutir IPTU
Procuradora-geral do município, Cecília Riskala, e o secretário municipal de Finanças, Ricardo Vieira, durante reunião na Câmara Municipal de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

Após o encontro da comissão, na Câmara Municipal nesta terça-feira (6), o Executivo reconheceu erros pontuais no cadastro imobiliário, sinalizou estudo para possível prorrogação de prazo e voltou a defender a taxa de lixo, baseada em um perfil socioeconômico cuja metodologia tem como base o ano de 2016.

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A Prefeitura de Campo Grande admitiu falhas pontuais no cadastro imobiliário do IPTU durante reunião na Câmara Municipal. O encontro, que contou com representantes do Executivo, da advocacia e da área econômica, discutiu reclamações sobre o imposto e a possibilidade de prorrogação do prazo de pagamento. A taxa de lixo também foi tema central das discussões. O secretário municipal de Finanças, Ricardo Vieira, explicou que a cobrança se baseia em estudo socioeconômico de 2016, considerando o perfil dos imóveis e infraestrutura dos parcelamentos urbanos. A Prefeitura estuda instalar pontos de esclarecimento nos Centros Regionais de Assistência Social para reduzir as filas na Central do Cidadão.

Representando a Prefeitura, a procuradora-geral Cecília Riskala afirmou que as ponderações levantadas pela comissão e pela OAB serão levadas ao Executivo para análise. Segundo ela, os pontos apresentados serão discutidos internamente com as secretarias responsáveis, e providências devem ser adotadas nos casos em que houver respaldo legal.

A procuradora explicou que o diálogo ocorreu dentro de um ambiente institucional e que eventuais correções podem ser feitas pela via administrativa, sem necessidade de judicialização automática.

"Nós vamos levar à Prefeitura as indicações que foram apresentadas e discutir o que é viável. Vamos analisar os pontos levantados e apresentar tanto à comissão de vereadores quanto à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), para, então, tomar as providências necessárias e cabíveis em relação aos pontos apresentados", garantiu a procuradora-geral.

Prefeitura admite falhas e faz nova reunião para discutir IPTU
Autoridades seguram documento com as solicitações de providência surgentes relativas ao IPTU 2026 (Foto: Osmar Veiga)

Já o secretário municipal de Finanças, Ricardo Vieira, reconheceu que o aumento das reclamações provocou sobrecarga no atendimento ao contribuinte. Segundo ele, a Prefeitura estuda a possibilidade de prorrogar o prazo de pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para aliviar a demanda e dar mais segurança à população.

Apesar disso, ele reforçou que a obrigação tributária continua válida. A orientação da Secretaria é que quem tiver condições efetue o pagamento, já que eventual mudança posterior garante restituição ou compensação do valor pago.

"Se houve, são casos pontuais. A pessoa vai lá e a gente corrige na hora, sem problema. Nós estamos trabalhando com mais de 470 mil imóveis, então você tem casos que podem ter erros, sim, é normal. Mas a gente garante que a maioria tem explicação", disse Ricardo.

Taxa de lixo - Outro ponto central da reunião foi a taxa de coleta de lixo. Ricardo Vieira explicou que a cobrança se baseia em um estudo socioeconômico publicado em Diário Oficial, no dia 26 de agosto, que considera o perfil dos imóveis e a infraestrutura existente nos parcelamentos urbanos.

Segundo ele, a cobrança não é feita apenas por bairro, mas por parcelamentos, que funcionam como subdivisões internas. Isso explicaria diferenças de valores entre imóveis próximos.

Prefeitura admite falhas e faz nova reunião para discutir IPTU
Tabela disponível no documento Perfil Socioeconômico de Campo Grande, publicado no dia 26 de agosto de 2025

"O valor médio anual para residências de alto padrão é de R$ 911. Dividindo isso por 12 meses, por 4 semanas e pelas 3 coletas semanais de lixo, chega-se a cerca de R$ 9 por coleta. Ou seja: cada vez que o caminhão passa na casa, recolhe o lixo, leva ao aterro e paga a taxa de descarte; esse é o valor", detalha.

Ele continua explicando, dizendo que "para as camadas mais humildes, excluindo os isentos, como aposentados, pensionistas, beneficiários do Minha Casa Minha Vida e famílias de baixa renda, a média anual é de R$ 67. Isso significa cerca de R$ 0,40 por coleta de lixo. Então, entendemos que é um valor mais do que plausível".

Ricardo ainda confirmou que, embora o estudo seja atualizado anualmente, a base metodológica utilizada é a mesma desde 2016. Esse ponto foi destacado por vereadores e representantes da OAB como um dos principais focos de questionamento.

"O IPTU leva em conta o perfil socioeconômico, que é um dos índices utilizados. Então, a cobrança não é exatamente por bairros, mas por parcelamentos, que são pequenos bairros que surgiram dentro do bairro. Esse perfil socioeconômico acaba elevando o valor em alguns parcelamentos, reduzindo em outros e mantendo em outros".

Prefeitura admite falhas e faz nova reunião para discutir IPTU
Fila de contribuintes na porta da Central do Cidadão, na manhã desta terça-feira (6), para tentar resolver a situação do IPTU (Foto: Geniffer Valeriano)

A crítica é que a cidade passou por mudanças significativas nos últimos anos, como adensamento urbano, verticalização e valorização imobiliária, que nem sempre se refletem de forma clara no cadastro utilizado para definir o perfil socioeconômico.

Sobre relatos de aumentos que chegam a 200%, o secretário afirmou que esses casos estão ligados, em geral, à mudança de alíquota do imposto territorial, que varia de 1% a 3,5% conforme a presença de benfeitorias como água, energia, esgoto, pavimentação e equipamentos públicos num raio de até três quilômetros.

Por fim, outro ponto é que estudam montar pontos de esclarecimentos para a população que está com dúvidas sobre o Imposto nos CRAS (Centros Regionais de Assistência Social) dos bairros, para tentar diminuir a fila na Central do Cidadão. Ainda não há uma data para as respostas do Executivo sobre o que foi apresentado hoje na Câmara.

Prefeitura admite falhas e faz nova reunião para discutir IPTU
Reunião dos vereadores com representantes do Executivo (Foto: Osmar Veiga)