ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MARÇO, QUARTA  04    CAMPO GRANDE 29º

Cidades

Operação intercepta canetas rejuvenescedoras proibidas até no Paraguai

Em meio a alerta internacional, Vigilância apreende 34 unidades de produto sem registro e promete ampliar fisc

Por Dayene Paz | 04/03/2026 08:53
Operação intercepta canetas rejuvenescedoras proibidas até no Paraguai
Alerta da Dinavisa sobre medicamentos proibidos. (Foto: Redes sociais)

Um medicamento vendido como promessa de rejuvenescimento da pele e cuja comercialização é proibida até no Paraguai foi apreendido durante a Operação Visa-Protege, em Campo Grande. Ao todo, 34 unidades da chamada GHK-CU Alluvi, apresentada como “caneta rejuvenescedora”, foram interceptadas no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios da Capital.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Operação Visa-Protege apreendeu 34 unidades da "caneta rejuvenescedora" GHK-CU Alluvi no Centro de Triagem dos Correios de Campo Grande. O produto, que promete rejuvenescimento da pele, tem comercialização proibida inclusive no Paraguai, conforme alerta da Dinavisa. A fiscalização sanitária adverte que o produto não possui registro válido e pode conter substâncias não declaradas ou em concentrações incorretas, representando sério risco à saúde. Desde o início da operação, em fevereiro, mais de 10 mil itens suspeitos foram interceptados no sistema de raio-x dos Correios.

A apreensão ocorre em meio a um alerta emitido nesta semana pela Dinavisa (Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria), que listou diversos medicamentos não autorizados para comercialização em território paraguaio. O relatório aponta a venda irregular de produtos que alegam conter peptídeos e destaca que não possuem registro sanitário válido no país, sendo proibidas sua importação, distribuição e venda.

Segundo a Dinavisa, o uso representa sério risco à saúde pública, já que podem conter substâncias não declaradas ou em concentrações incorretas. O documento alerta ainda que o consumo pode causar efeitos adversos graves, inclusive fatais, e que não há informações validadas sobre dosagem, preparo ou modo de uso.

Promessa “milagrosa” - As 34 unidades da GHK-CU Alluvi foram apreendidas ao longo do mês de fevereiro, dentro da Operação Visa-Protege, iniciada em 2 de fevereiro. Desde então, mais de 10 mil itens já foram interceptados no sistema de raio-x dos Correios, todos suspeitos de irregularidades sanitárias.

Operação intercepta canetas rejuvenescedoras proibidas até no Paraguai
Medicamento proibido até no Paraguai foi apreendido em Campo Grande. (Foto: Divulgação)

De acordo com Matheus Pirolo, fiscal da Vigilância Sanitária da SES (Secretaria de Estado de Saúde), a embalagem chama atenção pela aparência sofisticada. “Embalagem sofisticada, e dizem no invólucro que o produto vem da Alemanha, mas sabemos que isso não é verdade. É apenas uma tentativa de enganar o consumidor desavisado e ávido por soluções milagrosas”, afirmou.

Ele reforça que não há qualquer garantia sobre o conteúdo das canetas. “Não sabemos o que tem dentro dessas canetas. Nem a Anvisa do Brasil sabe, nem a Dinavisa do Paraguai. É um risco imenso ao consumidor”.

O alerta vai além da apreensão pontual. Segundo o fiscal, quem se aventura a comprar medicamentos do Paraguai, regularizados ou não pelo órgão sanitário local, tem mais de 50% de chance de adquirir o que ele chama de “pílula de farinha”, produtos falsificados ou adulterados.

A falsificação e adulteração no comércio online, segundo ele, são avassaladoras. Muitas pessoas que recorrem à automedicação relatam que a “caneta” não surtiu efeito e, por conta própria, aumentam a dosagem ao adquirir produtos com concentração maior do suposto princípio ativo. “Não deu efeito não por conta da dose. Não deu efeito porque era ‘pílula de farinha’. Aumenta a dose e vem a pancreatite aguda, que pode evoluir para necrosante ou insuficiência renal”, alerta.

A marca Alluvi, também oferece o Retatrutide em embalagem semelhante, comercializado como caneta emagrecedora. No entanto, o princípio ativo retatrutida não é autorizado pela autoridade sanitária paraguaia nem por nenhuma agência reguladora do mundo, pois ainda está em fase de testes preliminares no Reino Unido.

Para a Vigilância, a combinação de promessa de emagrecimento rápido, aparência importada e venda online cria um cenário propício para o engano. “Acompanhamento médico, produto registrado no Brasil, vendedor autorizado e mudança de hábitos são os únicos caminhos para minimizar danos e emagrecer com segurança e qualidade de vida. O barato sempre sai caro”, reforça o fiscal.

Enquanto isso, a operação segue diariamente, inclusive aos sábados, no Centro de Triagem dos Correios de Campo Grande, tentando frear a entrada de medicamentos irregulares que circulam sem controle e colocam a saúde pública em risco.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.