Após 1º caso de MS, Maria José e Daniel avançam na Justiça por polilaminina
Eles aguardam autorização para uso compassivo do medicamento em fase de estudos

Após o militar Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, receber autorização judicial para uso compassivo da polilaminina e fazer a cirurgia para aplicá-la, outros pacientes procuraram a Justiça Federal com essa finalidade. Até a última quinta-feira (26), eram dois os pedidos que tramitavam na Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, segundo a assessoria de imprensa.
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Mato Grosso do Sul registra aumento nos pedidos de uso compassivo da polilaminina, medicamento experimental para tratamento de lesões medulares graves. Dois casos já obtiveram tutela antecipada da Justiça Federal e aguardam manifestação do laboratório Cristália e da Anvisa. Entre os pacientes que buscam o tratamento estão Maria José Gonçalves, de 64 anos, que ficou paraplégica após acidente doméstico, e Daniel Santos, de 32 anos, que perdeu os movimentos após acidente de trabalho. O medicamento já foi aplicado em 28 pacientes no Brasil e segue em fase de estudos pela UFRJ em parceria com o laboratório.
Nesta terça-feira (3), o advogado Gabriel Oliveira Traven do Nascimento, que representou o primeiro jovem operado, afirmou que está à frente de dois casos que já obtiveram tutela antecipada do juiz. O que falta é o laboratório Cristália, que está produzindo a droga, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se manifestarem no processo.
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“É possível que ainda nesta semana a gente consiga essa devolutiva, embora as duas partes estejam lidando com alta demanda para o medicamento. Estamos bastante esperançosos, porque agora depende da disponibilidade de o laboratório atender e da autorização da Anvisa, que não tem negado nenhum pedido que venha com uma avaliação médica”, afirma Gabriel.
A polilaminina é um medicamento em fase de estudos que é promissor para devolver movimentos a pessoas que tiveram lesão grave na medula. É o caso de Luiz Otávio, que ficou tetraplégico após um tiro acidental, e dos dois pacientes que estão próximos de conseguir a autorização, Maria José Gonçalves e Daniel Aparecido Costa dos Santos.
O uso compassivo consiste na autorização para uso de medicamentos ainda em análise e sem registro comercial, caso eles sejam a última alternativa para pessoas com doenças graves ou em estágio terminal.
Merendeira aposentada - Maria José tem 64 anos é merendeira aposentada e foi vítima de um acidente doméstico em 11 de dezembro de 2025, em Campo Grande. Estava ajudando uma amiga a limpar o sobrado onde mora, quando escorregou ao pisar no último degrau de uma escada toda molhada, caiu e bateu a cabeça. Já não sentia as pernas logo em seguida à queda.
A mulher precisou fazer uma neurocirurgia na Santa Casa da Capital, onde ficou 15 dias, e depois foi transferida para o Hospital São Julião, onde passou cerca de dois meses internada até a recuperação.
Há alguns dias voltou para casa e começou a receber os cuidados de três filhas. Uma delas, a microempresária de agência de viagens, Rosimeire Gonçalves Rocha, 50 anos, foi quem começou a busca pela polilaminina. “Vi as reportagens e consegui falar com a família do Luiz Otávio, que me ajudou muito nesse processo”, conta.
A filha explica que Maria perdeu os movimentos do peitoral para baixo. Ela e as irmãs se revezam para cuidar da mãe, sendo que uma decidiu deixar o trabalho e o marido, no interior de Mato Grosso do Sul, para morar com Maria José. A família fez uma vaquinha entre amigos e vizinhos para bancar um quarto e um banheiro adaptados à paraplegia de Maria.
“O caso do Luiz abriu uma esperança para a gente. Eu nunca imaginei que essa situação seria tão complicada. Mudou a vida não só da minha mãe, mas a minha e a das minhas irmãs”, fala a microempresária.
Se o uso da polilaminina for autorizado, a família espera conseguir a aplicação do medicamento experimental num hospital da rede pública de Campo Grande.
Montador de silos - Daniel tem 32 anos e mora no Assentamento Nazareth, em Sidrolândia, com a esposa e a filha de apenas um ano. Ele viajava pelo Brasil montando silos que armazenam grãos como soja e milho, até sofrer um acidente de trabalho que o deixou paraplégico.
No dia 9 de dezembro de 2025, ele estava em Comodoro (MT) montando a peça industrial, quando uma ferramenta de aproximadamente 300 kg o atingiu. Por sorte, ela esbarrou numa estrutura e não esmagou todo o corpo do montador. “Ela não me ‘macetou’, mas eu fiquei igual a um sanduíche embaixo de uma parte”, relata.
A empresa para a qual Daniel trabalhava providenciou o transporte aéreo do funcionário até Dourados, em Mato Grosso do Sul, onde ele passou por cirurgia para estabilizar a coluna. Houve lesão na 10ª e 11ª vértebras, que acabaram resultando na perda dos movimentos da cintura para baixo. Hoje, ele depende de cadeira de rodas para se movimentar, passou a usar sonda, fralda e aguarda a liberação de um benefício pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A expectativa é que o assentado venha para um hospital particular de Campo Grande fazer a cirurgia para a injeção da polilaminina. De acordo com o advogado, a instituição de saúde sinalizou que o uso da sala de cirurgia e os custos da internação não serão cobrados, considerando o uso compassivo.

Cinco, no total - Gabriel do Nascimento afirmou ainda que mais três casos no Estado estão em andamento no escritório e provavelmente serão judicializados. O advogado acrescentou que também atua em pedidos de pacientes de outros estados e assessora um de outro país.
Como funciona - O laboratório está fornecendo gratuitamente a polilaminina e deslocando uma equipe de médicos para realizar o procedimento em diversos estados. Até 23 de fevereiro deste ano, 28 pacientes que conseguiram liberação para o uso compassivo já haviam sido operados, conforme informação repassada pela assessoria de imprensa do Cristália.
Enquanto isso, a substância segue em estudos exigidos pela Anvisa para comprovar sua eficácia e segurança. A polilaminina começou a ser estudada pela pesquisadora e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Tatiana Sampaio, há mais de 25 anos. A universidade tem parceria com o laboratório para o desenvolvimento do medicamento. As cirurgias para o uso compassivo são realizadas por equipe do Hospital Souza Aguiar associada à pesquisa.
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