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Saúde e Bem-Estar

Um mês após receber polilaminina, jovem tetraplégico corta bolo e escreve

Medicamento está em fase de estudos e pode ter contribuído para a recuperação do paciente

Por Cassia Modena | 20/02/2026 11:59

Tetraplégico após ser atingido por um tiro acidental no pescoço, o sul-mato-grossense Luiz Otávio Santos Nunez, 19 anos, segue recuperando movimentos depois de receber uma dose experimental do medicamento polilaminina, que está em fase de estudos e é promissor para regenerar a medula espinhal que sofreu lesão grave, como no caso do jovem.

RESUMO

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Um mês após receber dose experimental de polilaminina, o jovem Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, apresenta evolução significativa nos movimentos. O sul-mato-grossense, que ficou tetraplégico após um tiro acidental no pescoço, consegue agora realizar atividades como comer, segurar objetos e escrever. A polilaminina, medicamento em fase de estudos desenvolvido pela UFRJ em parceria com o laboratório Cristália, foi aplicada por ordem judicial. O tratamento, ainda não aprovado pela Anvisa, tem como objetivo regenerar lesões graves na medula espinhal. O paciente passará por nova avaliação médica na próxima semana.

A cirurgia que injetou a substância ocorreu em 20 de janeiro deste ano, por ordem judicial. Nos últimos 30 dias, a mãe, Viviane Goreti Ponciano dos Santos, vem registrando em vídeos avanços que alimentam a esperança de que Luiz volte a viver como antes.

Imagens compartilhadas nas redes sociais o mostram cortando e comendo bolo com uma colher, pegando frutas com garfo e segurando um copo para beber água com canudo. O rapaz também foi filmado escrevendo o nome em uma pequena lousa.

Um mês após receber polilaminina, jovem tetraplégico corta bolo e escreve
Luiz Otávio relatou comando à coxa uma semana após cirurgia (Foto: Renan Kubota/Arquivo)

Luiz havia recuperado parte dos movimentos das mãos e braços antes de receber o medicamento, mas não conseguia pegar objetos e fazer gestos mais finos com um dedo indicador. A família e a equipe que cuida dele ainda não comentaram sobre possíveis evoluções relacionadas às pernas e pés. O paciente segue acamado, em casa.

Em entrevista ao Campo Grande News concedida sete dias após a operação, o jovem relatou os primeiros sinais de melhora em uma das coxas. “Fazendo força com a minha mente, eu consegui fazer aquele movimento. Por mais que eu não sinta, mandei o comando para aquilo acontecer”, comentou. Espasmos naquela região do corpo foram outra pequena evolução percebida. Na mesma data, o médico que participou da operação e acompanha o tratamento de Luiz, Wolnei Zeviani, confirmou que havia algo diferente. "Eu coloquei a mão e vi que ele tem um padrão de contração muscular, mas que ainda não desenvolve movimento. Agora a gente precisa dar tempo ao tempo", falou.

O paciente, que é de Fátima do Sul e atualmente mora em Campo Grande, passará por uma avaliação médica sobre os resultados do primeiro mês pós-cirurgia na próxima semana.

O medicamento - Polilaminina vem da junção de poli (muitos, no idioma grego) + laminina, uma proteína encontrada nas células-tronco e em todo o corpo humano. A substância foi descoberta a partir de uma pesquisa iniciada há quase 25 anos na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) sob a liderança da professora Tatiana Sampaio.

Um mês após receber polilaminina, jovem tetraplégico corta bolo e escreve
Equipe que participou da cirurgia, da esq. para a dir.: médicos Wolnei Zeviani, Bruno Cortez e Olavo Franco e o tenente-coronel André Antunes Mascarenhas, da direção do Hospital Militar (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Em parceria com a instituição, o laboratório Cristália requer o registro do medicamento junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O processo está em andamento. Na atual fase de estudos, a polilaminina será testada em cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos. Por ainda não ser um medicamento liberado, é preciso entrar com pedido judicial para conseguir autorização para uma cirurgia experimental.

Intervalo entre acidente e uso - A aplicação de uma dose é indicada em até 72 horas após a lesão. Luiz, no entanto, é vítima de um disparo feito acidentalmente em 4 de outubro do ano passado por um colega, a caminho de uma pescaria. São mais de quatro meses de intervalo.

Quando esteve no Hospital Militar de Campo Grande, onde a cirurgia ocorreu, a equipe do Rio de Janeiro responsável pelo tratamento defendeu que resultados em quadros como esse são plausíveis porque a lesão ainda estava na fase aguda.

Antes de receber a dose, o jovem passou por mais de uma cirurgia para recuperação e já havia iniciado sessões de fisioterapia. A expectativa é que o medicamento em fase de estudos ajude a acelerar a melhora e retomar movimentos em todos os membros.

Matéria editada às 13h30 para acrescentar informações.

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