Parceria entre UFMS e Estado amplia diagnóstico de doenças negligenciadas em MS
Laboratório da universidade passou a realizar exames antes enviados a outros estados
Quando universidade e gestão pública caminham na mesma direção, a ciência sai dos laboratórios e chega diretamente à população. É o que vem acontecendo em Mato Grosso do Sul desde 2019, com a parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES), responsável por ampliar o acesso a exames especializados e reduzir o tempo de diagnóstico de doenças infecciosas no Estado.
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A parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) tem ampliado o acesso a exames especializados e reduzido o tempo de diagnóstico de doenças infecciosas em Mato Grosso do Sul desde 2019. O Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias (Labdip) realiza 20 exames diagnósticos especializados. A iniciativa ganhou força durante a pandemia da Covid-19, quando o laboratório realizou cerca de 45 mil testes RT-PCR. Desde o início da parceria, foram realizados 12.840 exames, beneficiando diretamente 4.122 pessoas, principalmente em casos de doenças com diagnóstico tardio e maior risco clínico.
A cooperação envolve pesquisadores, técnicos e estudantes do Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias (Labdip), ligado à Faculdade de Medicina da UFMS, em Campo Grande. O grupo passou a atender uma demanda que não era plenamente coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no diagnóstico de doenças consideradas negligenciadas.
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Segundo o pesquisador responsável pelo laboratório, James Venturini, a parceria começou de forma simples. Na época, o Labdip realizava apenas um exame diagnóstico, voltado à paracoccidioidomicose, uma micose sistêmica de origem ocupacional. Com o amadurecimento das pesquisas e a estruturação do espaço, novos exames foram incorporados para atender o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).
Antes disso, amostras precisavam ser enviadas para outros estados, o que atrasava os resultados por meses. “Foi uma parceria construída inicialmente sem fomento específico, baseada na cooperação técnica e institucional”, relembra Venturini.
Apoio decisivo durante a pandemia
A integração ganhou força durante a pandemia da Covid-19. O laboratório passou a atuar no diagnóstico molecular do coronavírus e realizou cerca de 45 mil testes de RT-PCR, ampliando a capacidade estadual de resposta à emergência sanitária.
Hoje, o principal eixo de atuação do Labdip é o diagnóstico de micoses sistêmicas, com exames especializados que ainda não são ofertados rotineiramente pelo SUS. A expectativa é que um novo acordo institucional amplie a cooperação, garantindo atualização tecnológica e aumento da capacidade diagnóstica.
Para a professora da Faculdade de Medicina e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias, Anamaria Paniago, a parceria transforma pesquisa em benefício direto à sociedade. “A cooperação permite aplicar o conhecimento científico na saúde pública, especialmente para pacientes em situação de maior vulnerabilidade”, afirma.
Já a secretária-adjunta estadual de Saúde, Christinne Maymone, destaca o impacto estratégico da iniciativa. “Ao integrar pesquisa, inovação e assistência, fortalecemos a vigilância em saúde e ampliamos o acesso a exames especializados no Estado”, pontua.
Centro de referência em diagnóstico
Atualmente, o Labdip realiza 20 exames diagnósticos especializados. Quinze deles são voltados a cinco micoses sistêmicas de alta relevância clínica: paracoccidioidomicose, histoplasmose, aspergilose, criptococose e pneumocistose. O laboratório também oferece exames para tuberculose e análises de imunofenotipagem, fundamentais para pacientes imunocomprometidos.
Desde o início da parceria, já foram realizados 12.840 exames, beneficiando diretamente 4.122 pessoas — principalmente em casos de doenças que costumam apresentar diagnóstico tardio e maior risco clínico.
Além do atendimento à rede pública, o laboratório também cumpre papel estratégico na formação profissional. Atualmente, seis docentes mantêm projetos vinculados ao espaço, que reúne técnicos, pesquisadores de pós-doutorado e cerca de 40 estudantes de graduação e pós-graduação, além de médicos residentes em infectologia.
De acordo com Venturini, a iniciativa fortalece ensino, pesquisa e extensão ao conectar a pós-graduação às necessidades reais do SUS. O impacto acadêmico contribuiu, inclusive, para a manutenção do conceito 6 — nível de excelência — do programa de pós-graduação da UFMS na última avaliação da Capes.
Na prática, a parceria mostra que, quando ciência e gestão pública se unem, o resultado aparece onde mais importa: no diagnóstico mais rápido, no tratamento adequado e na melhoria da qualidade de vida da população sul-mato-grossense.


