Área que já foi de "vaca e braquiária" cresceu e virou bairro de alto padrão
Apesar de aumento de impostos e valores de terrenos, moradores do Rita Vieira avaliam mudanças como positivas

Bairro que só tinha "vaca e braquiária" quando surgiu, o Rita Vieira passou por uma transformação quase completa e se tornou uma das regiões mais valorizadas de Campo Grande. De acordo com levantamento do FipeZap, divulgado em janeiro deste ano, o bairro registrou variação média de 6,6% no preço de venda de imóveis residenciais nos últimos 12 meses, com o metro quadrado cotado a R$ 5.556.
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O bairro Rita Vieira, em Campo Grande, passou por significativa transformação nos últimos anos, deixando de ser considerado periferia para se tornar uma das regiões mais valorizadas da cidade. Segundo o FipeZap, houve aumento de 6,6% no preço dos imóveis residenciais, com metro quadrado avaliado em R$ 5.556. A valorização está relacionada aos investimentos em infraestrutura realizados nos últimos cinco anos, incluindo pavimentação e rede de esgoto. Moradores relatam melhorias na segurança e no comércio local, embora apontem aumento nos impostos e necessidade de mais serviços, como lotéricas. Uma obra importante ainda pendente é a conclusão do acesso às Moreninhas.
Para moradores e comerciantes, a valorização está diretamente ligada aos investimentos em infraestrutura realizados nos últimos cinco anos. Segundo relato deles à reportagem, até 2021, grande parte do bairro não era asfaltada nem contava com rede de esgoto. Ainda assim, uma etapa considerada importante segue pendente: a conclusão do acesso às Moreninhas.
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A retomada da obra foi confirmada pela prefeita Adriane Lopes (PP) e pelo governador Eduardo Riedel (PP), em dezembro do ano passado, para pavimentação dos setores 3 e 4 da via. Moradores destacam que a chegada do asfalto foi o principal fator de valorização, impulsionando novos imóveis, pontos comerciais, maior movimentação e mais segurança.
Morador do Rita Vieira há 44 anos e comerciante na avenida homônima há 11, Newton Nere, de 70 anos, relembra que, quando chegou ao local, “só tinha vaca e braquiária”, sem ruas, apenas fazendas e “trieiros”. Hoje, afirma que o bairro “deu a volta por cima” e mudou para melhor.
“Melhorou tanto, que acabaram os bandidos aqui. Tem, mas não é que nem antes, está melhor. O que nós precisamos nessa Avenida Rita Vieira é uma lombada eletrônica ou um sinaleiro, porque nesse cruzamento da Rua Rotterdã com a Avenida, virou um troço sabe? É porque o pessoal passa aqui a 100 e 120 km/h, e é um cruzamento”, disse o comerciante.
Newton afirma que já buscou apoio para melhorar a sinalização da via, mas não obteve retorno. Com a chegada de novos moradores e empreendimentos, o vendedor de garapa diz que o crescimento ampliou a clientela e a renda, mas trouxe aumento de impostos, considerado por ele um reflexo negativo da valorização.
“O imposto aqui é fora de série. É por causa do bairro né? Aqui é considerado um bairro de alto padrão, então o imposto vem matando”, comenta.
A dona de casa Rosa Acosta, de 50 anos, moradora do bairro há sete anos, concorda com a avaliação. Ela relata que, quando se mudou para o Rita Vieira, havia poucas casas nas proximidades. Nos últimos anos, segundo ela, a construção de novas residências intensificou o movimento na região e elevou os custos.
“Aumentou bastante o IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana), o esgoto, o valor dos terrenos. Antigamente você achava terreno por R$ 70 mil, R$ 80 mil, agora não, acha mais terreno de R$ 200 mil, R$ 300 mil”, aponta Rosa.

Apesar das melhorias, há moradores que aguardam a chegada de novos serviços. Irma Gomes, de 78 anos, vive no bairro há mais de 25 anos e acompanhou a transformação, como a pavimentação e o surgimento de novas casas. No entanto, sente falta de uma lotérica próxima à residência. Devido à extensão territorial do bairro, parte do comércio fica distante da casa da idosa.
“Eu acho ruim a falta de mercado, de lotérica, para pagar uma conta de água ou luz. Quando a gente quer pagar tem que ir naquele outro bairro. Mas é bom, o bairro ficou bonito, eu gostei que agora não fica mais deserto. Dia de quinta-feira tem uma feira enorme, que começou pequenininha, foi crescendo e mudou de rua”, conta.
Os jovens também cresceram junto com a expansão do bairro. Pedro Augusto de Souza Pires, de 24 anos, operador de mercado, praticamente nasceu no Rita Vieira. Ele lembra das brincadeiras nas ruas de terra, mas recorda das queixas da mãe sobre poeira e buracos.
“Nessa parte de cima era asfaltada e bem estruturada, só que lá para baixo, antigamente na época de chuva a gente sofria com buraco na rua e cratera. Eu era criança, era bom que a gente brincava, mas eu ouvia minha mãe reclamar da rua e que não tinha esgoto”, relata.
Apesar das melhorias, Pedro concorda que ainda faltam comércios e acrescenta que, em períodos de chuva, há problemas com a rede de esgoto. “Acho que é por causa de tanta construção que está tendo, às vezes o esgoto estoura na época de chuva, acumula barro”, afirma.

Mesmo com o crescimento urbano, o bairro ainda mantém áreas verdes e hortas. Sebastião Pires, de 78 anos, mora no Rita Vieira há 30 anos e cultiva uma pequena horta há cerca de duas décadas. Na manhã desta sexta-feira (27), cuidava de mandioca, abóbora, mamão e feijão. Ele afirma que a mudança demorou, mas a chegada do asfalto melhorou a qualidade de vida. “Antes era muita poeira, lama, buraco”, relata.
A tradição das hortas também atraiu novos empreendedores. Márcia Fernandes, de 62 anos, mantém uma horta no bairro desde novembro de 2025. Ao lado do marido, escolheu o local pela segurança e pelo potencial de clientes.
“Já teve uma horta aqui, mas nunca ficavam, e aí a gente está aqui agora e está bem. É um ponto bom para o nosso tipo de negócio e todo mundo que vem aqui fala que é bom ter uma horta no bairro, porque hoje você vai no mercado e as coisas estão caras e tudo pequenininho. Aqui a gente recolhe na hora, a pessoa vê recolhendo, lavando, então as pessoas ficam felizes”, relata a comerciante.
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