Comércios se multiplicam e Rua Raul Pires Barbosa vira shopping "a céu aberto"
O que antes só havia consultórios médicos, agora, a rua está passando por uma mudança em seu perfil econômico
A Rua Raul Pires Barbosa, localizada no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, começa a viver uma mudança em seu perfil econômico. A rua está assumindo características de um pequeno centro de compras a céu aberto.
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A Rua Raul Pires Barbosa, no bairro Chácara Cachoeira em Campo Grande, está se transformando em um centro comercial a céu aberto. Antes conhecida por concentrar clínicas médicas, a via agora abriga diversos estabelecimentos, incluindo lojas de roupas, salões de beleza, cafeterias e escritórios. Segundo o presidente do Creci-MS, Roberto da Cunha, essa mudança reflete uma tendência de bairros valorizados, com imóveis comerciais alcançando valores milionários. A proximidade com o Shopping Campo Grande e importantes vias da cidade contribui para atrair investidores, indicando uma contínua evolução do perfil comercial da região.
Quem passa pelo local já percebe que o cenário começou a mudar. Antes, as clínicas e consultórios predominavam a região, agora, novos estabelecimentos como lojas de roupas, salões de beleza, cafeterias, farmácias, escritórios de diferentes áreas e até quadra de beach tennis começaram a ocupar os imóveis.
Comerciantes relatam que a escolha pelo endereço foi estratégica. Para eles, a região reúne características atrativas para quem busca visibilidade e praticidade.
A proprietária de uma oficina de carros, Gisele Gamarra, de 25 anos, mantém o negócio no endereço há 1 ano e 3 meses. Antes disso, ela já empreendia na mesma com uma empresa de estética automotiva que funcionou no mesmo prédio por 8 anos e depois mudou de endereço, continuando no mesmo bairro.
“A Raul Pires é a chave da Chácara Cachoeira, cresceu muito, muito, muito. Muitos comércios foram abrindo, a necessidade foi aparecendo de empreender em mais aspectos, porque os clientes da Chácara Cachoeira estavam cansados de buscar fora e hoje eles encontram de tudo aqui. Para uma oficina mecânica teriam que ir em bairros mais afastados. Então, foram se abrindo empresas que atendem o padrão do bairro”, pontuou.
Pensando na expansão da via e na praticidade da clientela, Gisele também abriu um salão de beleza na região.
“Tem cliente que já vem aqui na oficina, depois já vai em outro comércio nosso. Hoje, o cliente procura muita praticidade dentro da região e hoje a região oferece tudo isso”, enfatizou.
Gerente de uma loja de cama e banho, Ester Matos, de 24 anos, afirma que muitos clientes ainda se surpreendem ao encontrar o comércio em uma via que antes concentrava principalmente clínicas. A empresa está aberta há 3 anos.
“Eu acho incrível a expansão, porque muitos clientes passam aqui e não esperam encontrar uma loja de enxoval no meio de uma rua que antes tinha bastante clínica, esperam uma loja de enxoval mais para o centro”, disse.
Ela também relata a diversidade de segmentos. “Aqui tem de tudo, tem padaria, farmácia, tem loja de roupa, mercado, é bem mesclado, aqui consegue encontrar tudo o que quiser. Muitos clientes estacionam aqui para ir para a farmácia e já olham a fachada da loja, dão uma passada e acabam comprando”, comentou.
A gerente de uma loja de roupas femininas, Andressa Oliveira, de 29 anos, conta que o movimento intenso da via foi um dos fatores decisivos para a mudança do estabelecimento para a região.
“Mudamos para cá porque o movimento aqui é muito bom, o fluxo de carros. A gente tem bastante visibilidade por conta do salão ao lado e vem muita mulher. Aqui mudou bastante, tem muita cliente nova. Aqui tem tudo, tudo o que precisa, aqui é pertinho”, destacou.

Proprietário de uma cafeteria, João Luiz Vital assumiu o negócio há 4 anos, embora a loja funcione no mesmo endereço há cerca de 13 anos. Segundo ele, a transformação da rua ficou evidente nos últimos anos.
“Está tendo cada vez mais a expansão, já percebi. Quando eu cheguei aqui não tinha essas galerias todas que estão tendo agora. Agora praticamente a Raul Pires é só galeria, ficando cada vez mais caro as coisas aqui também.”
A atendente Brenda de Moraes, de 20 anos, trabalha em uma loja de produtos naturais que funciona no local há 2 anos. No mesmo prédio, um consultório de nutrição já atende há cerca de 4 anos.
Ela também percebe o crescimento recente da região, apesar do grande fluxo de pessoas e veículos. “Estou vendo que agora está crescendo muito mais, abriu beach tennis, loja de roupas. A única dificuldade é que é muito movimentada, porque a maioria das pessoas passam todos os dias e não percebe aqui.”
Análise - Segundo o presidente do Creci-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul), Roberto da Cunha, o movimento observado na Raul Pires Barbosa reflete uma tendência comum em bairros valorizados.
“Áreas como o Chácara Cachoeira tendem a se consolidar como polos comerciais de bairro: mantêm o uso residencial, mas concentram lojas e serviços voltados a um público de renda mais alta. Na prática, cresce a procura por imóveis com vocação comercial na Rua Raul Pires Barbosa, tanto para compra quanto para locação, o que pressiona preços para cima”, pontuou.
Ainda de acordo com ele, anúncios recentes de casas comerciais e terrenos na via mostram valores na casa de milhões de reais, reforçando a percepção de valorização.
“A transformação acompanha a valorização da Chácara Cachoeira, apontado por imobiliárias como um dos bairros mais caros de Campo Grande, com metro quadrado elevado e forte presença de empreendimentos comerciais e residenciais de padrão médio e alto. A proximidade com o Shopping Campo Grande e com importantes vias da cidade ajuda a atrair público e investidores para a região”, completou.
Para Roberto da Cunha, o cenário deve continuar evoluindo nos próximos anos, impulsionado pela adaptação de imóveis e pela chegada de novos negócios.
“Para o setor imobiliário, a tendência é que a rua siga se fortalecendo como corredor de serviços qualificados, com abertura de novos negócios e adaptação de antigos imóveis residenciais para uso comercial, fenômeno que já se repetiu em outras áreas nobres da capital”, finalizou.
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