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Outono nem começou e hospitais já sentem alta de doenças respiratórias

Crianças lideram casos graves e cidade registra avanço precoce de vírus

Por José Cândido | 19/03/2026 08:55
Outono nem começou e hospitais já sentem alta de doenças respiratórias
Proteção começa cedo: vacinação de recém-nascidos é aliada no enfrentamento de doenças respiratórias.

O outono ainda nem começou oficialmente, mas os sintomas típicos da estação já estão batendo à porta — e, neste ano, chegaram mais cedo. Em Campo Grande, o aumento de doenças respiratórias acendeu o alerta da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), que acompanha um crescimento acima do esperado para o período.

RESUMO

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O aumento precoce de doenças respiratórias em Campo Grande acendeu alerta na Secretaria Municipal de Saúde. Os atendimentos já superam os números de 2025, com circulação simultânea de rinovírus, Influenza A, vírus sincicial respiratório e Covid-19, afetando principalmente crianças menores de um ano. A cidade registrou 291 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave até a 10ª semana epidemiológica, com 25 óbitos. A Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza inicia em 28 de março, enquanto a rede municipal reforça protocolos de atendimento para evitar sobrecarga do sistema.

Dados da vigilância epidemiológica mostram que os atendimentos já superam os números registrados no mesmo intervalo de 2025. A diferença, segundo técnicos da área, está na intensidade e na precocidade da circulação viral, com a presença simultânea de agentes como rinovírus, Influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e Covid-19.

Tradicionalmente, o pico dessas doenças ocorre entre abril e julho. Mas, em 2026, a curva começou a subir antes — um indicativo de que o sistema de saúde e a população precisam se antecipar.

Crianças lideram casos graves

O impacto mais forte tem sido sentido entre os pequenos. A maior parte das ocorrências mais graves envolve crianças, especialmente bebês com menos de 1 ano. Na sequência aparecem as faixas de 1 a 4 anos e de 5 a 9 anos.

Até a 10ª semana epidemiológica, Campo Grande já registrou 291 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Desses, 25 evoluíram para óbito, o que representa uma taxa de 8,2%.

Nos casos mais críticos, a presença combinada de vírus preocupa. A circulação simultânea aumenta o risco de agravamento, principalmente em públicos mais sensíveis, como crianças pequenas e idosos.

Além disso, o município já identificou surtos em ambientes fechados — um relacionado à Covid-19 e outro ao VSR em crianças — ambos com necessidade de internação. Situações que reforçam o papel da ventilação e da prevenção no dia a dia.

Outono e chuva favorecem avanço

A tendência é de crescimento nas próximas semanas. Fatores como a queda gradual de temperatura, aumento das chuvas e maior permanência em ambientes fechados criam o cenário ideal para a disseminação dos vírus.

A Sesau aponta que, desde o início de março, a demanda por atendimento já segue acima do padrão do ano passado — e deve se intensificar com a chegada do frio.

Prevenção volta ao centro das atenções

Diante do cenário, medidas simples voltam a ser protagonistas:

  • Higienizar as mãos com frequência

  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar

  • Evitar ambientes fechados e aglomerações

  • Manter a vacinação atualizada

A recomendação é redobrar os cuidados, especialmente em casas com crianças, idosos ou pessoas com doenças crônicas.

Vacinação começa no fim do mês

A principal arma para evitar casos graves continua sendo a vacina contra a gripe. Em Campo Grande, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza 2026 começa no dia 28 de março, com o Dia D.

Outro avanço importante é a proteção contra o VSR para gestantes, estratégia que ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida, reduzindo o risco de bronquiolite e outras complicações.

Rede de saúde se prepara

Enquanto os casos aumentam, a rede municipal já entra em modo de reforço. As unidades de saúde estão sendo orientadas a intensificar protocolos de atendimento, isolamento de casos suspeitos, uso de equipamentos de proteção e monitoramento de surtos.

O objetivo é claro: responder rápido, evitar agravamentos e impedir que o sistema entre em sobrecarga no momento mais crítico do ano.

Em um cenário que antecipa o inverno, o recado das autoridades de saúde é direto: a temporada das doenças respiratórias já começou — e, desta vez, sem esperar o frio chegar.