Antes de José Antônio, Taunay foi o primeiro a descrever C.G.
A história não deixa margem a dúvidas: por Campo Grande passaram alguns soldados e fornecedores do Exército brasileiro. Pelo menos oito antes de José Antônio Pereira chegar nestas terras, um desses soldados tem nome celebrado: Visconde de Taunay, à época, apenas um tenente.
Saindo dos horrores da Retirada da Laguna.
Em seu livro pouco conhecido, “Visões do Sertão”, o tenente Alfredo d’Escragnolle Taunay afirma que partiu das margens do rio Aquidauana, em um lugar chamado Porto Canuto, às 10 horas do dia 17 de junho de 1.867. Levava ao Rio de Janeiro as terríveis noticias da chamada “Retirada da Laguna”, considerada perdida e dizimada. Era acompanhado por João do Prado Mineiro, outro tenente, mas não do Exército e sim do Corpo Policial de S.Paulo, homem acostumado aos sertões.
Na região de Aquidauna.
Taunay conhecia bem a região de Aquidauana. Descreve a viagem passando pela então chamada “Serra de Maracaju”, conhecida atualmente como “Serra de Aquidauana“. Passou pelas fraldas do Morro Azul e, em seguida, chegou à “Tapera Dois Irmãos”, pertencente a um tal Henrique. Tem dúvida se essa tapera não era a fazenda “Correntes”, posteriormente uma terra pertencente a Augusto Mascarenhas. Prosseguindo, atingiu o Ribeirão “Cachoeira” ou “Cachoeirinha“, e depois, a Palhoça do Mota. Ali, atrasou a viagem pois tivera aviso da presença de tropas paraguaias nas redondezas.
Taunay no Campo Grande.
Escreveu o visconde: “Uma légua mais [depois da palhoça do Mota] - depois do entroncamento e entramos no Campo Grande. Esta extensa campina constitui vastíssimo chapadão de mais de 50 léguas de extensão em que raras árvores rompem a monotonia de uma planura sem fim, nela está lançada a estrada que leva a Nioaque, e que é conhecida perfeitamente em toda a extensão pelos paraguaios”. Não existe uma dúvida sequer de que essa é a primeira descrição escrita das terras do que hoje conhecemos como Campo Grande.
Uma árvore “Para-tudo”, o primeiro marco.
Diz Taunay: “A encruzilhada estava assinalada por uma árvore Para-tudo que foi pelos carreteiros golpeada e quase lavrada". Esses carreteiros eram os fornecedores da Expedição [do Exército brasileiro]. Mais uma légua na frente, informa Taunay, foram repousar no capão dos Buritis. Esse é o lugar, conhecido pelos soldados, onde os paraguaios haviam assassinado uma família de brasileiros.
Chegou no “Botas”.
“Duas léguas além, fomos às Botas, limpo ribeirão que corre aí no encontro de dois abaulados outeiros [um pequeno monte], onde vicejam a congonha [árvore alta, chamada mate-falso] e o mato em sua orla”. Todas as descrições são claramente de Campo Grande e de seu entorno. E não para aí. Taunay continua descrevendo essa viagem passando pelo córrego Marimbondo, onde os estudiosos afirmam que estão as terras de Jaraguari.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.







