Nu, caçando veado no Mato Grosso do Sul
Na altura da cabeceira do Rio Verde, região que era conhecida como “Quebra Cocão”, divisa de Mato Grosso do Sul com Goiás, ao aproximar-se do “Atoleiro do Jatobá”, ia o ainda tenente Taunay viajando a cavalo quando viu de longe um homem nu. Pensou a principio tratar-se de um indígena. Ao aproximar-se viu que o mesmo portava uma espingarda e não tinha a aparência de índio. Um parêntese antes da continuação da história do peladão: “Cocão” era o suporte que fica na parte inferior do carro de boi, o local onde gira o eixo.
Faro ultra sensível.
Chamado às falas, o pelado não fugiu. Apresentou-se com a maior naturalidade declarando que estava caçando veado. Explicou ao carioca ignorante dos hábitos dos sul-mato-grossenses que esse animal é por demais desconfiado, muito arisco, e que, apesar de ter vista fraca, possui faro ultra sensível. Assim sendo, o correto era caçar veado nu, devido ao cheiro do suor humano que a roupa retém.
Um “atleta” do mato.
O veado é um animal “atlético”. Está sempre a correr e saltar. É por esse motivo, além de ser herbívoro, que sua carne é magra. Há pouca gordura em seu corpo. Nunca caiu nas graças do homem da zona rural do Mato Grosso do Sul, que se deleitava com carnes o mais gordas possíveis, mas sempre foi um ótimo complemento alimentar.
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