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Sabor

Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia

História começou há 15 anos, no Mercadão Municipal, mas virou negócio, anos depois

Por Natália Olliver | 07/03/2026 08:07
Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia
Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia (Foto: Natália Olliver)

Caldo de cana com maracujá e batido antes de servir, já viu isso? Essa foi a aposta de Edézio Braz de Oliveira, 61, e da esposa, Gisele Cristine Maymone de Oliveira, de 58, para entrar no ramo das garaparias há 6 anos. O negócio deu tão certo que hoje eles têm três kombis rodando pela cidade e esperam uma 4ª ficar pronta. Tudo começou com um serviço antigo de Edézio e um sonho que se realizou depois da aposentadoria.

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Casal de aposentados inova no mercado de garapa em Campo Grande com kombis personalizadas e sabores diferenciados. Edézio Braz de Oliveira, 61, e Gisele Cristine Maymone, 58, iniciaram o negócio há seis anos, oferecendo caldo de cana com maracujá e gengibre, além dos tradicionais. O empreendimento começou após Edézio resgatar sua experiência como garapeiro aos 15 anos no Mercadão Municipal. Hoje, o casal possui três kombis em operação, com uma quarta em desenvolvimento, e se destaca pela higienização com ozônio e pelo método único de moagem, que resulta em uma bebida mais cremosa.

A história começa cedo. Aos 15 anos, Edézio foi trabalhar no Mercadão Municipal, onde aprendeu o básico do ofício com um italiano. Por lá, ficou cerca de dois anos observando de perto a rotina da garapa. “A máquina era linda, maior que eu”, lembra.

Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia
Gisele começou negócio antes do marido e hoje eles tocam juntos a empresa (Foto: Marcos Maluf)

Depois, ele seguiu outro caminho e virou servidor público, estudou e acumulou quatro décadas no serviço. Mas, quando faltavam 5 anos para a aposentadoria, a pergunta bateu: e depois? A resposta estava guardada desde a adolescência. Ele já tinha sido garapeiro, e ali seria a salvação dos dias, tanto para a mente quanto para o bolso.

Com 54 para 55 anos, comprou uma Kombi e começou a restaurá-la por conta própria. Logo depois, veio a segunda, que seria usada apenas para retirar as peças, mas estava “melhor que a primeira”, então acabou entrando no jogo também. Edézio reformou, pintou e colocou as duas no negócio, que foi batizado com o sobrenome dele, “Braz”.

Tudo parecia perfeito até que a virada de 2019 para 2020 alterou os planos. Com mudanças nas regras de aposentadoria, Edézio precisou ficar mais tempo no trabalho. Foi aí que ele decidiu acelerar a estrutura e iniciou um projeto com parcerias. Ele alugou as kombis de garapa para quem quisesse trabalhar com isso, e os lucros seriam divididos.

Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia
Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia
História começou há 15 anos, mas só virou negócio anos depois (Foto: Natália Olliver)

“Como veio a previdência, pensei nisso para começar o trabalho. Minha esposa se aposentou primeiro, ela abriu a empresa e fizemos 3 parcerias. Agora estou na 4ª kombi, a última eu chamo de cabeçuda porque ela é uma cabeça de kombi e corpo de trailer, estou desenhando ela ainda”.

Sabores

Edézio resolveu que faria uma garapa diferente. Ao invés de moer a cana muitas vezes e colocar o limão direto na hora de moer, ele usa uma máquina que mói apenas uma vez. O limão é colocado depois. Além do sabor tradicional e de abacaxi, também tem alguns diferenciados, como maracujá e gengibre.

“Eu estudei muito sobre sabores. Moer mais de uma vez não deixa a cana cremosa. Se é feito apenas uma vez, isso deixa. Além disso, a gente bate no liquidificador e tem dado certo”.

Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia
Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia
Além do sabor maracujá, Edézio e Gisele apostaram no gengibre, acabaxi e limão (Foto: Natália Olliver e Marcos Maluf)

Ele explica que, além dos sabores, o que o pessoal acaba levando em consideração é a higiene. Para ser parceiro da Braz, precisa seguir todo o manual criado por ele e a esposa.

“A primeira coisa que o pessoal gostou muito foi por causa da higiene, uso ozônio nas canas para limpar elas, isso mata bactéria. A cana é de primeira e trabalhamos com luva, uso material específico para evitar qualquer problema sanitário”.

Gisele era orientadora educacional, entrou no projeto junto com o marido e não esperava a resposta que teve. “Dá uma renda boa”, diz. Não é a única fonte de renda da família, mas virou um complemento relevante. Hoje ela coloca a mão na massa em feiras junto com Edézio.

Caldo de cana com maracujá batido virou aposta de casal em garaparia
Bater caldo de cana deixa garapa mais cremosa, segundo Edézio (Foto: Natália Olliver)


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