Viva o Zé Pereira! Viva a bebedeira de carnaval! Surgem os blocos
Foi na rua São José, número 22, no centro do Rio de Janeiro. Nesse endereço nasceu o “pai dos blocos carnavalescos”. Era filho de um português. Seu nome era José Nogueira de Azevedo Paredes. Passou para a historia dos carnavais como “Zé Pereira”.
Um enorme bumbo.
Em uma segunda-feira de carnaval saiu às ruas com um enorme bumbo, seguido por outros portugueses com tambores menores, fazendo uma enorme algazarra e arrastando animados seguidores que logo se transformaram em uma multidão. O Zé Pereira virou o símbolo do Carnaval.
A canção que abria todos os carnavais por decênios.
Em homenagem ao Zé Pereira, Francisco Vasques cantou o “hino do carnaval” por muito tempo: “E viva o Zé Pereira. Pois que a ninguém faz mal. Viva a bebedeira. Nos dias de carnaval”. Na espontaneidade das ruas, nasceram os blocos e cordões, contando com a população negra que, até então, tinha uma participação secundária nos festejos.
Negros das confrarias religiosas.
Não eram negros comuns. Eram ligados a confrarias religiosas, como a de Nossa Senhora do Rosário, que abrigava escravos e libertos. Foi assim que nasceram as primeiras coreografias carnavalescas reproduzindo personagens da cultura do Congo.
Os chocalhos, agogôs e marimbas.
Outros elementos dos blocos do Zé Pereira tinham na dança a memória africana. Além da dança, foram eles que levaram o ritmo dos chocalhos, agogôs, marimbas, ganzás e xequerês aos blocos. Em mais uma demonstração das origens religiosas do carnaval, esses instrumentos eram usados em rituais das igrejas católicas e nas ligadas aos credos da África.
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