O Muro de Berlim que habita nosso cérebro e a longevidade
A doença de Alzheimer é uma das piores coisas que podem acontecer a uma pessoa idosa. A doença aos poucos vai apagando as memórias de uma vida inteira até os pacientes não conseguirem mais se lembrar nem mesmo das pessoas que amam. É uma maneira devastadora de terminar uma vida longa.
A matadora de cérebro.
A doença é caracterizada pelo aparecimento de placas de proteína no cérebro. Podemos pensar nelas como pequenos aglomerados. Não sabemos por que esses aglomerados de proteína se formam no cérebro, mas sabemos que podem levar à inflamação do cérebro que acabam matando as células cerebrais. É isso mesmo, há proteínas que matam nosso cérebro.
O Muro de Berlim que habita nosso cérebro.
Isso nos fornece uma solução óbvia: remover os aglomerados de proteína do cérebro. Outra alternativa é impedir que esses aglomerados se formem no cérebro. Falar é mais fácil que fazer, é claro. O enorme problema é que o cérebro é protegido pela famosa “barreira hematoencefálica”, essa palavra esquisita significa que o cérebro tem uma proteção quase intransponível para defendê-lo de intrusos, como bactérias e vírus. Todavia, no caso do Alzheimer, essa tal barreira hematoencefálica funciona ao contrário: impede que medicamentos cheguem ao cérebro . É um verdadeiro Muro de Berlim para ser escalado. Dificílimo.
Bilhões gastos. Nenhum resultado.
Apesar de todas as dificuldades, as empresas farmacêuticas conseguiram desenvolver medicamentos capazes de impedir a formação dos aglomerados de proteína no cérebro. Elas conseguiram até desenvolver medicamentos capazes de removê-los. Mas, infelizmente, isso não resolve. Na verdade, nada resolve. A luta contra o Alzheimer custou bilhões de dólares, e milhares dos cientistas mais talentosos dedicaram suas vidas a ela. Centenas de medicamentos em potencial foram testados. Apesar de todos os esforços e despesas, não temos nenhum resultado para comercializar.
Exclusiva dos humanos.
Todos os medicamentos promissores falharam. Não há cura, nem mesmo uma pequena esperança de remissão espontânea. O que podemos estar deixando de fora? Deve haver algo nessa maldita doença que ainda não entendemos. Para piorar, ela é exclusiva dos humanos. Isso significa que não podemos simplesmente estudá-la em camundongos. Os cientistas, para estudá-la, tem de criar artificialmente camundongos que se assemelham aos pacientes humanos com Alzheimer. E, em seguida, tentam curá-la. É um problema a mais para ser resolvido. A longevidade toma um tombo quando se defronta com o Alzheimer. Perde de goleada para esse escalofriante time.
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