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Em Pauta

As 1ªs fumaças de guerra e a decisão de construir o Forte Coimbra

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 07/02/2026 09:00
As 1ªs fumaças de guerra e a decisão de construir o Forte Coimbra

As fronteiras do litígio entre os portugueses do Brasil contra os espanhóis do Paraguai não ficavam onde hoje estão demarcadas, estavam na região do rio Miranda. Esse é um rio difícil de entender estudando sua história. Tinha muitos nomes: Aranhaly, Araniani, Botetei, Mareco, Mbotetyn, Mondego, Nabiniogo e, finalmente, Miranda. João Leme do Prado, navegando pelo rio Paraguai, em 1.778, criou em suas margens a povoação de Albuquerque, onde foram assentados pessoas vindas de Cuiabá. Todavia, as longas distâncias não impediam as incursões militares espanholas do Paraguai na região.


As 1ªs fumaças de guerra e a decisão de construir o Forte Coimbra

Os assédios espanhóis na região do Miranda.

Logo depois da construção de Albuquerque, em 1.791, os espanhóis estiveram na região com a finalidade de construir um povoado ou uma fortificação. Dois anos depois, o projeto espanhol veio a lume, com a construção de um diminuto forte sobre o rio Apa. Em 1.796, realizaram uma expedição militar, tida como bem armada, no encalço dos índios guaicurus e mataram 60 deles e seis de seus chefes. Na seguinte, organizados em um grupo de 700 militares, com três canhões, tomaram mais de mil vacas dos Guaicurus. Logo em seguida, os castelhanos “aterrorizaram a população nativa com o uso de armas”, dizem os documentos da época. Na última, enviaram entre 800 e 1.000 militares, providos de artilharia, com a pretensão de ocupação definitiva da área.


As 1ªs fumaças de guerra e a decisão de construir o Forte Coimbra

A “estacada militar” brasileira-portuguesa.

As entradas espanholas , em território pretendido pelos brasileiros-portugueses, impulsionaram a mobilização. Saíram da inércia. Resolveram, finalmente, defender o território do “Mondego”, como chamavam o rio Miranda. “Cravaram em região hostil uma estacada militar”. Dessa forma, em agosto de 1.797, a região passou a ser defendida. O Forte Coimbra, erigido por esses motivos, era, efetivamente, uma paliçada, aquele tipo de forte que assistimos nos filmes de faroeste, com paus pontiagudos fincados lado a lado. A Guerra promovida pelos guaranis de Solano Lopes tem suas fumaças quase um século antes de destruírem as fazendas e diminutas fortificações brasileiras.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.