“Sou um cara que tem berço”, diz pai preso após ameaçar matar bebê
Juiz arbitrou fiança de R$ 16.210,00 mínimos por conta do flagrante de posse ilegal de arma de fogo
“Eu sou um cara que tem berço. Eu tenho vivência e jamais encostaria na filha dele ou no meu filho.” A frase foi dita à polícia por um rapaz de 28 anos preso na última terça-feira (3), no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande, após ameaçar matar o próprio filho e ser flagrado com uma arma de fogo, mesmo tendo mandado de prisão preventiva em aberto por violência doméstica.
RESUMO
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Um homem de 28 anos foi preso em Campo Grande após ameaçar matar o próprio filho e ser flagrado com arma de fogo irregular. O suspeito, que possui mandado de prisão preventiva por violência doméstica, alegou ter comprado o revólver calibre 38 por medo de ameaças do sogro. O acusado, que afirma ter renda mensal de R$ 40 mil, é investigado por crimes de ameaça, injúria e violência contra a ex-companheira, inclusive durante a gravidez. A Justiça fixou fiança de R$ 16.210, ainda não paga, e a defesa solicita redução do valor, alegando comprometimento da subsistência do investigado.
Durante depoimento à delegada responsável pelo caso, o rapaz afirmou que estava morando sozinho havia 3 dias, desde que a companheira decidiu sair de casa. Segundo ele, o revólver calibre 38 foi comprado por medo, após sofrer ameaças do sogro. “Eu comprei porque ele me fez várias ameaças. Fiquei com medo de piorar e por isso não fiz boletim de ocorrência”, disse.
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O suspeito admitiu que sabia estar errado ao adquirir a arma, já que o registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) estava vencido, e contou que comprou o revólver de um policial aposentado. Ainda assim, alegou que o objetivo era proteger a família. “Eu precisava defender minha família”, afirmou.
Na audiência de custódia, realizada dois dias após a prisão, a juíza Tatiana Decarli analisou apenas o cumprimento do mandado de prisão preventiva por violência doméstica, ressaltando que naquele momento caberia apenas verificar a legalidade da detenção e a preservação dos direitos do rapaz.
Posteriormente, o juiz Albino Coimbra Neto analisou o flagrante por posse ilegal de arma de fogo e concedeu liberdade provisória mediante fiança de dez salários mínimos, no valor de R$ 16.210, o dobro do montante que já havia sido fixado pela autoridade policial. Até o momento o pagamento não foi efetuado.
No mesmo dia, a defesa do rapaz entrou com pedido de redução do valor da fiança pela metade, alegando que a quantia é excessiva e compromete a subsistência do investigado. Os advogados destacaram despesas mensais com aluguel, contas básicas, alimentação, transporte e gastos com o filho recém-nascido.
“Assim, o valor da fiança arbitrada mostra-se excessivo e desproporcional, pois compromete de forma significativa sua subsistência, contrariando a finalidade da fiança”, argumentaram os defensores.
Além disso, os advogados José Roberto Rodrigues da Rosa, Lucas de Nobrega Fuzinatto e João Pedro da Silva Fialho também pediram a revogação da prisão preventiva, com substituição por medidas cautelares. O pedido ainda aguarda análise do Judiciário.
No depoimento, o rapaz afirmou ainda que tem renda mensal em torno de R$ 40 mil e disse ser o responsável pelo sustento da família. O caso segue em tramitação na Justiça.
Mandado de prisão - De acordo com a investigação, o homem é investigado pelos crimes de ameaça, injúria, lesão corporal contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e violência psicológica. As apurações apontam uma escalada de violência, com risco concreto à integridade física e emocional da vítima.
A medida cautelar foi deferida no domingo (1º), após representação do delegado de plantão, com base em boletim de ocorrência registrado no sábado (31). Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou mandado de busca e apreensão de arma de fogo e munições.
Ainda conforme a polícia, as agressões contra a mulher ocorriam desde o período da gravidez e continuaram após o nascimento da criança. Diante do material apreendido, o homem também foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo e munições. Ele foi levado à 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde foram adotadas as providências de polícia judiciária, e permanece à disposição da Justiça.
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