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Interior

Outras 3 cidades de MS aplicaram R$ 2,2 milhões da previdência em banco falido

Nova Alvorada do Sul, Tacuru e Três Lagoas fizeram aportes indiretos via fundos ligados ao Master

Por Jhefferson Gamarra | 07/02/2026 14:14
Outras 3 cidades de MS aplicaram R$ 2,2 milhões da previdência em banco falido
Fachada do Banco Master em São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

A crise envolvendo o Banco Master e a aplicação de recursos da previdência pública ganha novas proporções em Mato Grosso do Sul. Novo levantamento divulgado neste sábado (7) revela que outros três municípios do Estado aplicaram recursos de regimes próprios de previdência em fundos de investimento ligados ao banco, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. Somados, os aportes dessas três cidades chegam a cerca de R$ 2,2 milhões.

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A crise envolvendo o Banco Master se agrava em Mato Grosso do Sul com a descoberta de que mais três municípios - Nova Alvorada do Sul, Tacuru e Três Lagoas - aplicaram cerca de R$ 2,2 milhões em fundos de investimento ligados à instituição financeira liquidada pelo Banco Central.Ao todo, oito municípios sul-mato-grossenses tiveram recursos previdenciários expostos ao colapso do banco. Diferentemente dos casos anteriores, as novas aplicações foram feitas de forma indireta, por meio de fundos de investimento. Tacuru realizou o maior aporte, com R$ 2 milhões no fundo Texas I, seguido por Três Lagoas com R$ 208 mil e Nova Alvorada do Sul com R$ 56,9 mil.

Os municípios identificados são Nova Alvorada do Sul, Tacuru e Três Lagoas, que aparecem em um cruzamento de dados publicados pela Folha de São Paulo, através da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com informações do Ministério da Previdência. Diferentemente dos casos já noticiados anteriormente em Mato Grosso do Sul, em que institutos de previdência investiram diretamente no Banco Master por meio da compra de letras financeiras, agora os recursos foram aplicados de forma indireta, por meio da aquisição de cotas de fundos de investimento conectados à estrutura financeira do banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.

De acordo com levantamento, o maior volume de recursos partiu do regime próprio de previdência de Tacuru, que destinou R$ 2.018.777,00 ao Texas I Fundo de Investimento em Ações, classificado como renda variável. O fundo é apontado como o principal destino dos aportes feitos por regimes de previdência em todo o país e está no centro das investigações conduzidas por órgãos de controle.

Já o município de Três Lagoas aplicou R$ 208 mil, enquanto Nova Alvorada do Sul investiu R$ 56.931,00, ambos no Brazilian Graveyard & Death Care Services FII, um fundo de investimento imobiliário que integra a rede de fundos ligados ao Banco Master.

O levantamento indica que pelo menos 100 regimes próprios de previdência estaduais e municipais aplicaram recursos em cinco fundos associados ao Master: o Texas I, voltado à renda variável, e os fundos imobiliários Áquila, Osasco Properties, São Domingos e Brazilian Graveyard & Death Care. Esses fundos concentraram investimentos em imóveis, empresas nas quais a família Vorcaro tem participação societária, além de ações da Ambipar, companhia de gestão ambiental que entrou em crise financeira, deixou de pagar fornecedores e teve seus papéis fortemente desvalorizados.

Até então, o que se sabia era que diversos institutos de previdência haviam investido diretamente no Banco Master, comprando títulos emitidos pela própria instituição. O novo levantamento amplia o alcance do problema ao demonstrar que mais de uma centena de regimes próprios também se tornaram investidores indiretos do banco, por meio de fundos estruturados que, segundo investigadores, faziam parte de uma rede complexa de aplicações financeiras.

Antes de 2025, pouco antes da forte queda das ações da Ambipar, os aportes dos regimes de previdência nesses fundos totalizavam R$ 238 milhões. Desde então, esse montante sofreu uma redução de aproximadamente 57%, puxada principalmente pela desvalorização dos ativos do Texas I, cuja carteira era fortemente concentrada em ações da empresa.

Dados oficiais mostram que, em agosto de 2025, o Texas I concentrava R$ 103 milhões em recursos de entes previdenciários. No mês seguinte, em setembro de 2025, o fundo tinha patrimônio de R$ 634 milhões, sendo 93% desse valor aplicado em ações da Ambipar. Em dezembro de 2025, o patrimônio líquido do fundo havia recuado para R$ 122 milhões, evidenciando a perda expressiva de valor.

Segundo o Ministério Público Federal, o Texas I teria sido utilizado para inflar artificialmente o valor das ações da Ambipar. Documentos da investigação apontam ainda que o fundo era controlado pelo Banco Voiter, que foi comprado pelo Banco Master e posteriormente vendido a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também investigado pela Polícia Federal.

Assim como ocorre com os institutos que investiram diretamente no Banco Master, os regimes próprios de previdência que aplicaram recursos por meio desses fundos agora enfrentam incerteza quanto à recuperação dos valores, já que os ativos estão vinculados a um banco em liquidação e a fundos citados em investigações por suspeitas de irregularidades.

Com a inclusão de Nova Alvorada do Sul, Tacuru e Três Lagoas, sobe para oito o número de municípios de Mato Grosso do Sul que tiveram recursos da previdência de servidores expostos, de forma direta ou indireta, ao colapso do Banco Master.

  • Campo Grande – aplicação direta de R$ 1,39 milhão pelo IMPCG
  • Fátima do Sul – aplicação direta de R$ 7 milhões pelo Iprefsul
  • Angélica – aplicação direta de R$ 2,2 milhões
  • São Gabriel do Oeste – aplicação direta de R$ 3 milhões
  • Jateí – aplicação direta de R$ 2,5 milhões
  • Tacuru – aplicação indireta de R$ 2,01 milhões via fundo Texas I
  • Três Lagoas – aplicação indireta de R$ 208 mil via fundo imobiliário
  • Nova Alvorada do Sul – aplicação indireta de R$ 56,9 mil via fundo imobiliário

O Campo Grande News tentou contato, por meio de e-mail, com as prefeituras e os institutos de previdência de Nova Alvorada do Sul, Tacuru e Três Lagoas para solicitar esclarecimentos sobre as aplicações de recursos previdenciários em fundos ligados ao Banco Master e questionar as providências adotadas diante da liquidação da instituição financeira. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação das administrações municipais e dos responsáveis pelos regimes próprios de previdência.