Diversificação econômica de MS faz proliferar a oferta de cursos técnicos
São 44 novas opções privadas, além de escolas públicas, que vão de comunicação trilíngue a serviços aduaneiros

A diversificação da economia vivenciada por Mato Grosso do Sul, com o avanço de atividades industriais, e as expectativas em torno da consolidação do projeto da Rota Bioceânica desencadearam uma ampliação vertiginosa de cursos de formação técnica no Estado.
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A diversificação econômica de Mato Grosso do Sul impulsiona a expansão de cursos técnicos no estado. No último trimestre de 2025, o Conselho Estadual de Educação autorizou 44 novas iniciativas, que se somam à formação oferecida pela Secretaria de Estado de Educação nas 320 escolas de ensino médio, abrangendo os 79 municípios. Entre as novas formações destacam-se cursos de trâmites aduaneiros, comunicação trilíngue, tecnologia e áreas ligadas ao agronegócio, visando atender demandas da Rota Bioceânica e do crescimento industrial. O estado é pioneiro na oferta de ensino técnico em toda rede estadual, superando a meta nacional de 50% dos jovens com formação técnica.
Somente no último trimestre de 2025, o Conselho Estadual de Educação autorizou 44 novas iniciativas, que se somam à formação que a SED/MS (Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul) passou a levar neste ano às cerca de 320 escolas que mantém para o ensino médio, abrangendo os 79 municípios.
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Como a situação é do chamado pleno emprego, a aposta é oferecer preparo para que as pessoas consigam as oportunidades que exijam maior qualificação, diante da ampliação das atividades econômicas no Estado.
As possibilidades oferecidas pela internet também foram aproveitadas por instituições públicas e privadas. Entre os novos cursos estão trâmites aduaneiros, influenciador digital, comunicação em mais de um idioma e áreas ligadas ao agronegócio e à expansão industrial.
A Secretaria lançou edital e recebeu inscrições de profissionais interessados em lecionar nos cursos técnicos ofertados de forma integrada ao ensino regular. Os adolescentes cursarão o ensino médio e terão a opção de se qualificar profissionalmente.
Aqueles que se dedicarem ao longo dos três anos podem, inclusive, contar com uma transição facilitada para o ensino superior na área em que se prepararam. Há escolas que ofertarão mais de um curso, permitindo a escolha conforme a estrutura do estabelecimento, a economia local e a empregabilidade.

Um exemplo é o curso de comunicação trilíngue, com carga horária de 1.200 horas-aula, desenhado para atender ao intercâmbio de pessoas e relações que devem surgir com a Rota Bioceânica. Um ano será dedicado ao espanhol, outro ao inglês profissional e o terceiro à Libras (Língua Brasileira de Sinais).
Na área de tecnologia, haverá diversas opções, como criação de páginas na web, desenvolvimento de sistemas, produção de imagens e vídeos, marketing digital, comércio eletrônico, programação de jogos e uso de inteligência artificial.
Ao todo, são 56 opções de cursos, o dobro do ofertado no ano passado, conforme o superintendente de Modalidades e Programas Educacionais, Davi de Oliveira Santos. Diferentemente das aulas voltadas à conclusão do ensino regular, na formação técnica o foco é o mundo do trabalho.
No setor agropecuário, há cursos de gestão rural, negócios agroindustriais, produção agrícola e animal, agronegócio e cultivo de eucalipto. Ribas do Rio Pardo, onde está instalada a maior fábrica de celulose do País, ofertará aos alunos diversos cursos relacionados à atividade. O mesmo ocorre em Inocência, onde outra unidade industrial está em construção e os estudantes poderão se qualificar em produção florestal e outras áreas ligadas ao setor rural.
A relação completa dos cursos foi divulgada no edital de seleção de professores. Santos explica que a ampliação só foi possível pela importância que a formação técnica passou a ter no poder público. Ele cita que o setor contará, inclusive, com recursos do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), além da priorização da área no Estado, que se tornou pioneiro no volume ofertado em toda a rede estadual.
Segundo o superintendente, o novo Plano Nacional de Educação, atualmente em discussão, trará a meta de levar neste ano a formação técnica a 50% dos jovens, percentual que Mato Grosso do Sul já supera ao oferecer a modalidade em todas as escolas da rede.
O ensino regular será presencial, e os alunos poderão cursar disciplinas a distância para complementar a formação. Para quem não frequenta a escola em tempo integral, 80% das aulas serão presenciais. Já os estudantes do período noturno, por terem jornada mais curta, terão 50% das aulas em formato gravado.
Cursos pagos - O setor privado também identificou a demanda por trabalhadores com formação técnica e elaborou propostas que foram submetidas e aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação. Há cursos nas áreas de mecânica, elétrica, gastronomia, tecnologia, serviços e setor rural. A Faculdade Prime Tech conseguiu aprovar três cursos técnicos em dezembro: Serviços Jurídicos, Transações Imobiliárias e Gestão Documental e Trâmite Aduaneiro. As aulas serão presenciais e em EAD (Educação a Distância) para quem está cursando ou já concluiu o ensino médio.
O curso voltado a serviços aduaneiros foi pensado sob medida para as demandas que devem surgir com a Rota Bioceânica, ampliando as relações comerciais internacionais do Estado, segundo a supervisora pedagógica Ana Bughi. Ele é dividido em três módulos independentes, totalizando 900 horas-aula.
Um dos módulos, de formação técnica na área jurídica, permite atuação em empresas, escritórios e cartórios, por exemplo, com duração de oito meses. A formação terá 20% da carga horária presencial, com turmas de 45 a 50 vagas e mensalidades que variam conforme o curso escolhido. No caso dos cursos ligados à área aduaneira, os valores ficam entre R$ 150 e R$ 280.
Segundo Ana, a definição dos novos cursos profissionais seguiu áreas emergentes da economia estadual. Cursos como agronegócio e gastronomia contarão com aulas práticas. Há formações planejadas de forma integrada à graduação. Outros estabelecimentos de ensino também foram credenciados para ampliar a oferta a partir deste ano, com cursos de saúde bucal, urgência e emergência, nutrição e dietética, jogos, social media e marketing de influência, além de diversas formações ligadas às atividades rurais.
Aprendiz - A SED também se habilitou para atuar como ponte entre jovens com capacitação técnica e empregadores, com cerca de 500 estudantes já encaminhados diretamente ao mercado de trabalho, sem intermediários. Foi possível conciliar a carga horária do ensino regular com a jornada profissional, modelo que já despertou interesse de outros estados, conforme o superintendente. A estratégia foi priorizar os conteúdos obrigatórios no horário regular e oferecer os complementares no período em que os alunos já estão inseridos no mercado.
Além do ensino técnico, há ainda a oferta de cursos de qualificação para trabalhadores, disponíveis em instituições como Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), além de iniciativas apoiadas pelo Governo do Estado por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

