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Interior

Antes do incêndio que matou ex, homem disse aos filhos que se sentia rejeitado

Casal estava separado há quatro anos, mas suspeito ainda tentava reatar o relacionamento com a vítima

Por Bruna Marques | 09/03/2026 14:36
Antes do incêndio que matou ex, homem disse aos filhos que se sentia rejeitado
Corpo completamente carbonizado após incêndio em casa. (Foto: Divulgação)

Horas antes do incêndio que matou Ereni Benites, de 44 anos, o principal suspeito do crime, Juares Fernandes, de 52 anos, disse aos filhos que se sentia rejeitado e desamparado. A informação foi revelada pelo delegado Sidney Pinheiro de Queiroz, responsável pela investigação do caso ocorrido na madrugada de domingo (8), na aldeia Tekoha Paraguassu, em Paranhos, a 462 quilômetros de Campo Grande.

RESUMO

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Um homem de 52 anos é o principal suspeito da morte de sua ex-companheira, Ereni Benites, de 44 anos, encontrada carbonizada após um incêndio em uma casa na aldeia Tekoha Paraguassu, em Paranhos, Mato Grosso do Sul. Horas antes do crime, o suspeito havia confidenciado aos filhos que se sentia rejeitado.O casal estava separado há quatro anos, mas o homem insistia em reatar o relacionamento, frequentando constantemente a residência da vítima. Ereni, que já estava em outro relacionamento, é a sétima vítima de feminicídio no estado em 2026. A polícia encontrou um isqueiro no local e continua investigando o caso.

A vítima foi encontrada morta e carbonizada dentro de uma casa de madeira que estava em fase de construção. Ereni é a 7ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2026.

Segundo o delegado, o suspeito também se ausentou do local justamente no período em que o incêndio aconteceu.

“Ele revelou aos filhos que estava se sentindo rejeitado, desamparado. Que ninguém gostava dele. No momento em que teve o incêndio ele se ausentou, e esse tempo coincide com a ausência dele”, afirmou Sidney Pinheiro de Queiroz.

De acordo com a investigação, o casal estava separado há cerca de quatro anos. Mesmo assim, o suspeito continuava frequentando a casa da vítima e insistia em reatar o relacionamento.

“Ele ia diversas vezes na casa dela, ela se sentia incomodada, mas nunca havia registrado boletim de ocorrência”, disse o delegado.

Ereni já estava em outro relacionamento e, conforme a polícia, o ex-companheiro demonstrava ciúmes.

A casa onde a vítima foi encontrada era de madeira e estava sendo construída por ela. Próximo ao local há outro imóvel onde moram vários familiares.

Segundo o delegado, o suspeito estava na residência desde cedo no dia do crime. Apesar de morar com a mãe em outro endereço, ele frequentava o local com frequência sob a justificativa de visitar os filhos.

O capitão da aldeia chegou a aconselhar o homem a deixar a vítima em paz.

“Ele ficou fora alguns meses, trabalhando em algumas fazendas. No dia dos fatos houve esse encontro de todos nessa casa”, explicou o delegado.

Na noite do crime, Ereni estava inicialmente na casa onde os familiares estavam reunidos, junto com o suspeito. Em determinado momento, ela saiu com outras mulheres e foi até o imóvel que estava construindo.

Mais tarde, voltou rapidamente à casa onde estavam os parentes para buscar um tomate. Nesse momento estavam no local o suspeito, um dos filhos do casal e outro familiar.

Antes do incêndio que matou ex, homem disse aos filhos que se sentia rejeitado
Isqueiro apreendido pela Polícia Civil e pela perícia próximo ao local do crime (Foto: Direto das Ruas)

Após pegar o alimento, ela retornou à casa em construção para dormir. Testemunhas afirmaram que o ex-companheiro foi atrás dela. Pouco tempo depois, o incêndio começou.

“Então mais tarde teve esse incêndio. Durante diligências, no trajeto das duas casas tinha um isqueiro que foi apreendido”, relatou o delegado.

Testemunhas que perceberam o fogo afirmaram que o incêndio foi criminoso. Moradores chegaram a fazer buscas na região na tentativa de encontrar algum suspeito, mas ninguém foi localizado.

Na manhã de domingo, equipes da Polícia Civil e da perícia estiveram no local. À tarde, os investigadores retornaram para identificar testemunhas e reunir novas informações.

“Tivemos essas informações, as peças foram se juntando e vimos evidências apontando para ele como suspeito”, afirmou Sidney.

O corpo da vítima estava completamente carbonizado. Apenas exames necroscópicos poderão indicar se Ereni sofreu algum tipo de agressão antes de morrer.

O caso foi registrado inicialmente como incêndio com vítima fatal, mas depois foi reclassificado como feminicídio majorado pelo uso do fogo.

Ereni e Juares tinham três filhos em comum. A Polícia Civil continua investigando o caso.

Entenda o caso - De acordo com o registro policial, a equipe foi acionada por volta da 1h da madrugada após um incêndio atingir uma residência localizada em uma aldeia do município. Diante da gravidade e da possibilidade de haver vítima no local, foram acionados a Perícia Criminal e o IML (Instituto Médico Legal). Após a chegada das equipes, foi confirmado que Ereni morreu dentro da própria casa atingida pelo fogo.

No sábado, horas antes do crime, Juares e Ereni participaram de uma confraternização com familiares e conhecidos. Durante o encontro o suspeito demonstrou "emoções intensas" ao falar sobre o relacionamento com a vítima. Ereni deixou o local e, pouco depois, Joares também saiu. Cerca de 20 minutos depois, ocorreu o incêndio na residência da mulher.

Inicialmente, havia a informação de que a vítima estaria em estado de embriaguez. Diante da situação, as pessoas que estavam ingerindo bebida com Ereni foram ouvidas pela Polícia Civil para esclarecer as circunstâncias e ajudar a apurar como o fogo começou. Durante as investigações, Joares passou a ser considerado suspeito.

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