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Economia

Preços da indústria voltam a subir em janeiro, puxados pela metalurgia

Índice do IBGE registra alta de 0,34% na porta de fábrica após sequência de quedas

Por José Cândido | 04/03/2026 11:40
Preços da indústria voltam a subir em janeiro, puxados pela metalurgia
Metalurgia exerceu maior influência no indicador mensal do IPP - (Foto: José Fernando Ogura/AEN-PR)

Depois de quase um ano marcado por quedas, os preços da indústria brasileira voltaram a subir em janeiro. O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo IBGE, registrou alta de 0,34% frente a dezembro, quando a variação havia sido de 0,14%.

RESUMO

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Os preços da indústria brasileira registraram alta de 0,34% em janeiro, conforme o Índice de Preços ao Produtor (IPP) divulgado pelo IBGE. O aumento, segundo maior consecutivo após dez quedas em 2025, foi impulsionado principalmente pelo setor de metalurgia, que avançou 2,73%.O setor de alimentos, com maior peso no índice, manteve tendência de queda pelo nono mês consecutivo, recuando 0,17%. Apesar da alta em janeiro, o IPP acumula retração de 4,33% nos últimos 12 meses, influenciado pela valorização do real frente ao dólar, que caiu 11,3% no período.

O resultado representa a segunda alta consecutiva após uma sequência de 10 resultados negativos entre fevereiro e novembro de 2025. Mesmo assim, no acumulado dos últimos 12 meses, o indicador ainda mostra retração de 4,33%.

O IPP mede a variação dos preços dos produtos “na porta de fábrica”, sem considerar impostos e fretes, sendo um dos principais termômetros da inflação no setor industrial.

Metalurgia lidera aumento

Entre as 24 atividades industriais pesquisadas, 15 registraram aumento de preços em janeiro. O maior destaque foi o setor de metalurgia, que avançou 2,73% e teve a maior influência no resultado geral do índice.

Segundo o gerente do IPP no IBGE, Murilo Alvim, a alta foi impulsionada principalmente pelos metais não ferrosos, com destaque para derivados de ouro e cobre.

O ouro teve aumento de demanda no mercado internacional, enquanto o cobre enfrenta déficit de oferta e baixos estoques, o que pressiona os preços. Só a metalurgia respondeu por 0,18 ponto percentual da variação total da indústria no mês.

Outras atividades com forte impacto foram:

  • Impressão: alta de 2,73%

  • Outros produtos químicos: aumento de 1,70%

  • Perfumaria, sabões e produtos de limpeza: avanço de 1,67%

No caso dos produtos químicos, o aumento está ligado principalmente à elevação no custo de fertilizantes, pressionados por insumos importados, especialmente derivados de enxofre.

Dólar mais baixo não impediu alta

A taxa de câmbio costuma influenciar diretamente os preços industriais, mas em janeiro o movimento foi diferente.

Apesar de o dólar ter recuado 2,1% no mês, o IPP registrou aumento. No acumulado de 12 meses, porém, a queda da moeda americana — de 11,3% frente ao real — ajuda a explicar o resultado negativo do índice no período.

Alimentos continuam em queda

O setor de alimentos, que possui o maior peso no IPP — cerca de 24% da estrutura do índice — voltou a registrar recuo.

Os preços caíram 0,17% em janeiro, marcando o nono mês consecutivo de queda. No acumulado de 12 meses, a retração chega a 9,84%.

O principal responsável é o grupo de açúcares, que acumula queda de 28,3% no período. A redução acompanha o recuo das cotações internacionais, impulsionado pela oferta global elevada e alta produtividade, além da valorização do real frente ao dólar.

Bens intermediários puxam o resultado

Pela ótica das grandes categorias econômicas, o avanço do índice foi puxado pelos bens intermediários, que incluem insumos utilizados na produção industrial.

  • Bens intermediários: +0,54%

  • Bens de consumo: +0,26%

  • Bens de capital: -0,70%

Os bens intermediários, que representam 53,76% do peso do índice, responderam por 0,29 ponto percentual da alta total da indústria.

Já os bens de consumo contribuíram com 0,10 ponto, enquanto os bens de capital exerceram influência negativa de -0,06 ponto percentual.

Sinal de mudança na indústria

O resultado de janeiro indica uma interrupção no ciclo de queda observado ao longo de 2025, mas ainda não aponta uma tendência consolidada de alta nos preços industriais.

Com alimentos em retração e metais em valorização, o comportamento do IPP no início de 2026 revela um cenário de movimentos distintos entre os setores, refletindo tanto fatores internacionais — como oferta de commodities — quanto custos de insumos industriais.