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Meio Ambiente

"Mais um descendo": pescadores flagram dezenas de peixes mortos no Rio Sucuriú

Eles fizeram denúncias à Polícia Militar Ambiental, que suspeita de decoada

Por Cassia Modena | 04/03/2026 11:19


RESUMO

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Pescadores amadores encontraram dezenas de peixes mortos no Rio Sucuriú, em Paraíso das Águas, durante o último domingo. Entre as espécies afetadas estavam jaús, tucunarés e curimbas, distribuídos ao longo de 10 quilômetros do rio. A Polícia Militar Ambiental suspeita que o fenômeno seja causado pela decoada, processo natural em que o acúmulo de material orgânico reduz o oxigênio na água. Segundo pescadores locais, situações semelhantes vêm ocorrendo há três anos na região, especialmente após períodos chuvosos.

Pescadores amadores que passavam pelo Rio Sucuriú, em Paraíso das Águas, no último domingo (1º), se assustaram com a quantidade de peixes mortos que boiavam nas águas. Foram vistos jaús, tucunarés, curimbas e outras espécies.

Raphael Maia e a esposa praticavam pesca esportiva, permitida durante a piracema, quando testemunharam a situação. "Foi no trecho entre o porto e a Ponte de Pedra. Pelo que consegui contar, eram 34 peixes mortos”, ele relata.

Comerciante de artigos de pesca há 16 anos na região, Washington Costa afirma que a situação ocorre há, pelo menos, três anos. "Anda recorrente depois das chuvas, como aconteceu agora. Não sabemos o que pode estar gerando essa mortandade", diz.

"Mais um descendo": pescadores flagram dezenas de peixes mortos no Rio Sucuriú
Peixe morto no Rio Sucuriú visto durante pesca esportiva (Foto: Raphael Maia/Divulgação)

Cliente da loja, o pescador Edson Herdina, falou sobre o assunto com Washington e outros participantes de um grupo no WhatsApp sobre pesca esportiva. "Estava fedendo à tardinha. Está 'descendo' muito peixe, é muito piau morto. É toda hora você vendo aquele 'branco' no rio", falou em um áudio. Havia espécies mortas boiando e presas em galhos ao longo de 10 quilômetros de rio, segundo outras mensagens trocadas.

"Não dá para entender. E não é uma dúzia ou 100 peixes. A gente não conseguia contar o tanto de peixe catingando", contou Enivan de Almeida Ferreira à reportagem. Ele é mecânico e pescador esportivo. O homem também afirma que fez a primeira denúncia sobre a situação, há três anos, e entregou vídeos comprovando o que viu.

"Antes de iniciar a piracema de agora, eu estive no rio e presenciei a situação de novo. Muitos peixes fedendo por estarem boiando há três, quatro dias", finaliza Enivan.

Suspeita - Na segunda-feira (2), a PMA (Polícia Militar Ambiental) vistoriou o rio e as proximidades, incluindo fazendas e a PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Fundãozinho, que começou a gerar energia em 2025 e é operada pela Atiaia Renováveis, sediada em Recife (PE).

Segundo nota enviada pela PMA nesta quarta-feira (4), não foram encontrados peixes mortos nas águas nem presos às grades da hidrelétrica no momento da fiscalização. O uso de agrotóxicos irregulares também não foi identificado nas propriedades rurais próximas.

A corporação informou que suspeita de decoada, um fenômeno que provoca a redução de oxigênio nas águas devido ao acúmulo de material orgânico durante as cheias, resultando na morte de peixes por asfixia.

"Análises preliminares indicam que a mortandade pode ter sido causada por um fenômeno natural conhecido como decoada. Imagens registradas no dia da denúncia mostraram um grande acúmulo de resíduos orgânicos e vegetação seca na calha do rio, trazidos pelas fortes chuvas e cheias. Esse material orgânico, ao entrar em decomposição, reduz drasticamente o oxigênio da água, o que pode levar à morte de peixes de forma moderada — fato que também foi registrado na região no mesmo período em 2025", diz trecho da nota.

A PMA disse ainda que mantém o monitoramento contínuo do rio e comunicou o caso ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para que seja feita a coleta e a análise técnica da qualidade da água.


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