R$ 200 milhões estão na mesa, mas MS ainda doa pouco para projetos sociais
Destinação do IR começa dia 23 e permite ajudar entidades sem custo ao contribuinte

Enquanto milhares de contribuintes se preparam para declarar o Imposto de Renda, um dado chama atenção em Mato Grosso do Sul: até R$ 200 milhões poderiam ser destinados todos os anos a projetos sociais — mas a maior parte desse recurso ainda fica pelo caminho.
RESUMO
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Mato Grosso do Sul tem potencial para destinar R$ 200 milhões anuais a projetos sociais por meio do Imposto de Renda, mas apenas R$ 11,2 milhões foram efetivamente doados em 2025. A destinação, que não gera custos ao contribuinte, pode ser feita aos fundos da pessoa idosa e da criança e do adolescente. O valor é monitorado por órgãos de controle e tem impacto direto nas entidades beneficiadas. O prazo para declaração do IR 2026 vai até 29 de maio, e especialistas destacam a importância de ampliar a adesão para fortalecer projetos sociais no estado.
A possibilidade começa oficialmente no próximo dia 23, com a abertura do prazo de entrega da declaração de 2026 (ano-base 2025). Pela regra, pessoas físicas podem destinar até 6% do imposto devido aos fundos da pessoa idosa e da criança e do adolescente.
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Apesar do potencial elevado, o volume efetivamente destinado ainda é baixo. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou R$ 11,2 milhões em doações — o oitavo maior valor do país, mas ainda muito distante da capacidade real.
Segundo o delegado da Receita Federal em Campo Grande, Zumilson Custódio da Silva, a diferença entre o que é feito e o que poderia ser alcançado é enorme.
“Temos que levar essa mensagem à sociedade. São R$ 200 milhões que poderiam ser destinados a projetos sociais apenas em Mato Grosso do Sul. Esse recurso ajudaria a resolver grande parte dos problemas enfrentados pelas entidades”, afirmou.
Dinheiro que volta para o contribuinte
Um dos principais entraves, segundo especialistas, é a falta de informação. Muita gente ainda acredita que a destinação representa gasto extra — o que não é verdade.
Na prática, o contribuinte apenas direciona parte do imposto que já pagaria.
“O valor não gera custo. Ele é devolvido com correção na restituição ou abatido do imposto devido”, explica Zumilson.
Ou seja, além de não pesar no bolso, a decisão permite que o cidadão escolha para onde vai parte do dinheiro — e mantenha o recurso dentro do próprio Estado.
Fiscalização e confiança
A aplicação dos recursos também é acompanhada de perto por órgãos de controle, o que reforça a segurança do mecanismo.
A promotora de Justiça Fabrícia Barbosa Lima afirma que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul monitora os repasses e não identificou irregularidades.
“Posso garantir a quem tem dúvida que o dinheiro é bem aplicado. Podem confiar: ele está sendo corretamente utilizado”, disse.
Segundo ela, equipes da área da Infância e Adolescência visitaram entidades beneficiadas e comprovaram a efetividade das ações.
Impacto direto nas entidades
Nos conselhos responsáveis, a avaliação é de que o recurso tem impacto imediato e concreto.
Membro do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, Marcos Henrique Marques destaca o cuidado na gestão dos valores.
“É um dinheiro bem-vindo e muito bem cuidado. Acreditem no trabalho das entidades, porque ele tem o poder de mudar vidas”, afirmou.
Já Astrit Rebhein Siqueira, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, reforça o alcance das doações no dia a dia.
“As pessoas não fazem ideia da importância desse dinheiro. Ele melhora tudo nas entidades, inclusive a alimentação de crianças e adolescentes”, disse.
O desafio: transformar potencial em realidade
Com prazo até 29 de maio para entrega da declaração, o desafio agora é ampliar a adesão.
Se o potencial de R$ 200 milhões fosse plenamente aproveitado, Mato Grosso do Sul poderia dar um salto no atendimento social — fortalecendo projetos, ampliando vagas e garantindo melhores condições para crianças, adolescentes e idosos em todo o Estado.
Hoje, o dinheiro existe. Falta apenas chegar ao destino certo.

