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Comportamento

Cada vez mais mulheres chegam a MS para operar máquinas pesadas

Operadoras de máquinas, gestoras e técnicas mostram como a presença feminina cresce em setores do agro

Por Thailla Torres | 08/03/2026 07:19
Cada vez mais mulheres chegam a MS para operar máquinas pesadas
Carolina Conti escolheu o setor de máquinas pesadas.

O dia começa cedo para muitas mulheres que hoje ajudam a movimentar diferentes setores da economia rural em Mato Grosso do Sul. Na indústria, no campo, na gestão de dados ou na restauração ambiental, elas estão assumindo funções estratégicas e mostrando que técnica, organização e sensibilidade também são motores de produtividade.

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Em Mato Grosso do Sul, mulheres conquistam espaço em setores tradicionalmente masculinos, como operação de máquinas pesadas, indústria e gestão rural. Profissionais como Mércia Cristina dos Santos, que opera tratores no setor florestal, e Roberta Maia, diretora de uma empresa de nutrição animal, demonstram competência em suas áreas. A presença feminina também se destaca na produção leiteira, com a zootecnista Giovana Albuquerque, e na preservação ambiental, através da Rede de Sementes Flor do Cerrado. Nos viveiros florestais, a engenheira Lana Moraes lidera equipes, provando que competência não tem gênero.

Em alguns casos, a rotina começa antes mesmo do nascer do sol.

É o caso de Mércia Cristina dos Santos, que trabalha operando máquinas pesadas no setor florestal em Bataguassu. Sentada na cabine de um trator, ela conduz parte do trabalho ligado ao plantio e à colheita de eucalipto.

Cada vez mais mulheres chegam a MS para operar máquinas pesadas
Mércia Cristina dos Santos, que trabalha operando máquinas pesadas no setor florestal em Bataguassu

“Minha rotina começa cedo, às 4h da manhã, e no campo faço de tudo um pouco: manobro trator, faço o plantio e coloco a mão na massa. Sabemos que no Brasil ainda existe muito machismo, mas hoje trabalho em uma equipe excelente, com igualdade de funções e salários”, relata a operadora da MS Florestal.

A presença feminina também aparece dentro das indústrias ligadas ao agro. Na Servsal, empresa de nutrição animal, Roberta Maia ocupa a diretoria e lidera uma equipe formada majoritariamente por homens.

“Assumir um cargo de liderança em um setor majoritariamente masculino sendo mulher e mãe de dois filhos, trouxe desafios únicos. Precisar conquistar credibilidade foi um processo que demandou tempo, posicionamento firme e, acima de tudo, a entrega de resultados consistentes. Não foi algo que aconteceu do dia para a noite, foi uma construção que parece ininterrupta, porque diariamente passamos por desafios, eles só mudam de tamanho. Hoje sei lidar facilmente com cada um deles”, afirma Roberta.

Cada vez mais mulheres chegam a MS para operar máquinas pesadas
No ramo leiteiro, a zootecnista Giovana Albuquerque destaca que a presença feminina é um diferencial

No setor leiteiro, a atuação feminina também tem impacto direto nos resultados das propriedades. A zootecnista Giovana Albuquerque, técnica do Senar e mestre pela UFMS, acompanha produtores e explica que a organização de dados faz diferença na produtividade.

“Controle de dados, observação dos animais e organização das informações fazem muita diferença no resultado. Muitas vezes percebemos que quando a mulher do produtor participa da gestão das anotações e dos dados da propriedade, isso melhora muito o controle do sistema”, pontua a especialista.

Segundo ela, o trabalho envolve diferentes frentes dentro das propriedades.

“No dia a dia trabalhamos com nutrição do rebanho, escrituração zootécnica, planejamento de acasalamentos, controle leiteiro e análise de custos de produção. Muitas vezes precisamos organizar dados e mostrar quais pontos podem ser ajustados para melhorar a eficiência do sistema. Isso exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade para entender a realidade de cada produtor”, explica a zootecnista ao falar sobre sua atuação junto a produtores vinculados ao Núcleo Girolando MS.

A presença feminina também tem impacto direto em iniciativas ambientais. Por meio da Rede de Sementes Flor do Cerrado, coordenada pelo Instituto Taquari Vivo, mulheres quilombolas, assentadas e indígenas participam da coleta e comercialização de sementes usadas na restauração do Pantanal. O projeto já comercializou 16 toneladas de sementes nativas.

Para Jânia Batista Malaquias, da comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão, a atividade representa mais do que uma fonte de renda.

“Fui motivada pela oportunidade de aumentar a renda e pelo amor pela natureza. Além da renda complementar, a experiência fortaleceu a união entre as mulheres da comunidade. E para nós, mulheres, sabermos que o nosso trabalho contribui para a preservação ambiental é motivo de orgulho”, conclui.

Cada vez mais mulheres chegam a MS para operar máquinas pesadas
Lana Moraes, engenheira florestal, é técnica do viveiro, e confirma que mulheres ocupam a função que quiser

Nos viveiros florestais, mulheres também assumem funções técnicas e de liderança. A engenheira florestal Lana Moraes trabalha na produção de mudas e coordena uma equipe responsável pela qualidade das plantas até o momento do plantio.

“Aqui lidero uma equipe de oito pessoas, garantindo a qualidade da muda até o plantio. Muitos dizem que somos frágeis, mas temos uma força gigante; é só focar no objetivo que conseguimos. Vivi uma fase marcante quando fui mãe durante a faculdade e muitos diziam que eu não conseguiria atuar na minha área. Hoje, sou engenheira florestal, estou aqui há três anos atuando firme e forte no meio de tantos homens e sei que vou conquistar muito mais. Não é por sermos mulheres que somos frágeis; somos capazes de tudo o que quisermos.”


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