Com seriguela no pé, moradores param, colhem e mudam a rotina nos bairros
Fruta da estação transforma as calçadas em espaços de convivência e criançada de férias faz festa
Quando os frutos começam a amadurecer, não é difícil perceber. Carros encostam, motos param, sacolas aparecem e, em poucos minutos, a sombra da árvore vira ponto de encontro. Em bairros de Campo Grande, a temporada da seriguela transforma calçadas, praças e terrenos em espaços de convivência improvisados, onde gente de todas as idades se reúne para colher, comer e repetir um costume antigo da cidade.
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A temporada de seriguela em Campo Grande tem transformado calçadas, praças e terrenos em pontos de encontro, onde moradores param para colher e saborear a fruta típica do Cerrado e da Caatinga. O período de frutificação, que ocorre entre dezembro e março, atrai pessoas de todas as idades e de diferentes bairros. A tradição local revela histórias como a do barbeiro Matheus Rodrigues, que observa diariamente o movimento em frente à sua barbearia, e do empresário Cícero dos Santos, que mantém um pomar diversificado em seu quintal. Para os moradores, a seriguela representa não apenas uma fonte de alimento gratuito, mas também um importante elo entre gerações e com a natureza.
A seriguela, fruta típica do Cerrado e da Caatinga, começa a frutificar no fim da primavera e tem pico entre dezembro e março. Pequena e fácil de colher, ela atrai não só moradores do entorno, mas também curiosos que atravessam bairros inteiros atrás dos pés carregados.
Na Rua Miguel Vieira Ferreira, no Bairro Nossa Senhora das Graças, o barbeiro Matheus Rodrigues, de 59 anos, acompanha o movimento da cadeira da barbearia. Segundo ele, quando a árvore está cheia, a rotina muda.

“Para carro, moto, o pessoal vem com sacola. Homem, mulher, criança. Os mais velhos chegam cedo, já sabem a hora certa. Pegam bastante, fazem suco ou comem ali mesmo. É uma festa”, conta. Para Matheus, o fenômeno diz muito sobre a cidade. “Sempre falo isso: aqui só passa fome quem quiser. Tem manga, goiaba, banana, seriguela. Nem todo lugar tem isso.”
A movimentação chama a atenção até em dias de evento. “Quando tem festa nos espaços aqui do lado, o pessoal sai de lá só para vir pegar seriguela aqui. Parece novidade toda vez”, relata.
Na Avenida Euler de Azevedo, o empresário Cícero dos Santos, conhecido como Magrão, de 61 anos, mantém um quintal que mais parece um pomar. Ali há seriguela, acerola, banana, cana, abacate, laranja, manga, mamão, limão, mandioca, chuchu e até açaí, cultivado a partir de sementes trazidas por ele.

“Moro aqui por causa do verde. Comprei outro terreno só por causa disso. Como tenho espaço, eu planto”, resume.
Sobre a seriguela, ele destaca que a árvore também exige paciência. “Ela é bonita e dá sombra, mas só em parte do ano. Depois as folhas caem todas e ela fica pelada, justamente quando mais precisa de sombra. É a mais diferente das outras árvores.”
Na Vila Almeida, a autônoma Iasmin Fernanda, de 25 anos, vê na seriguela um elo entre gerações. Mãe de três crianças, ela mora há pouco mais de um mês em frente a uma praça onde há um pé carregado.
“Eu subia no pé de seriguela e ficava horas lá em cima. Acho importante meus filhos terem esse acesso, conhecer as frutas, ter contato com a natureza. Isso faz parte da infância”, afirma.

Arthur, de 5 anos, é um dos mais animados. “O legal é catar, pegar e comer, às vezes até com sal”, conta a mãe. Segundo ela, é a primeira vez que as crianças vivenciam esse tipo de brincadeira ao ar livre.
Já na Rua Constantinopla, aos fundos da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Almeida, o aposentado Elisvaldo Gonçalves Cruz, de 77 anos, acompanha o ciclo da seriguela há mais de duas décadas. Foi ele quem trouxe a muda, de Rondônia, plantada em frente à casa. “Plantei e ela pegou bem, desenvolveu e ficou forte”, lembra.
Para ele, a colheita espontânea faz parte do acordo informal entre moradores e a árvore. “Quando ela ajuda a gente, a gente ajuda também. Ficamos aqui na frente e até auxiliamos quem chegar catar, dou garrafas, caos de vassoura. O pessoal aproveita. Isso marca até as férias das crianças", termina.

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