Neto de caçador, Diego preferiu ser defensor das onças do Pantanal
Além de médico-veterinário, ele também trabalha como DJ fazendo mixagens que conectam pessoas aos felinos
Depois de crescer vendo fotos de onças mortas, o médico-veterinário Diego Viana decidiu inverter essa história. Hoje, especialista em felinos, ele acumula imagens ao lado das mesmas onças, só que vivas, também transformou a cena da infância em um trabalho que mistura ciência, conservação e até música.
Natural de Corumbá, Diego lembra que o bisavô, conhecido como “Bravo”, era caçador em uma época em que a prática ainda era permitida no Brasil e sustentava a família com a venda de peles de animais, incluindo onças-pintadas. Naquele tempo as histórias eram contadas com certo orgulho, mas causavam sentimentos conflitantes no neto.
“Eu cresci vendo fotos de animais abatidos. Ao mesmo tempo que eu admirava aquela história, me dava um dó, um carinho pelos animais”, relembra.
Foi justamente esse incômodo que fez Diego, ainda jovem, decidir que queria ver as onças vivas e, mais do que isso, ele queria cuidar delas. “Meu bisavô tinha fotos com onças mortas. Eu queria ter fotos com onças vivas,” detalha.
O caminho o levou ao curso de Medicina Veterinária da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), e depois ao doutorado em Ecologia e Conservação. Há cerca de 10 anos, ele atua diretamente na área de convivência entre humanos e onças, especialmente no Pantanal, ajudando a reduzir conflitos com produtores rurais.
No entanto, a vivência do pesquisador vai além da ciência. No mesmo ano em que começou a trabalhar com onças, ele também virou DJ e decidiu unir os dois mundos.
“Nem todo mundo está disposto a ouvir uma palestra sobre conservação, mas quase todo mundo se conecta com música. A música toca as pessoas de uma forma diferente. Às vezes, mais do que só falar”, explica.
Hoje, ele desenvolve sets que misturam ritmos brasileiros e latino-americanos com letras que falam, direta ou indiretamente, sobre a relação entre humanos, natureza e onças. Entre uma faixa e outra, ele usa o microfone para traduzir o conteúdo em informação rápida e acessível.
“Existe um repertório grande, incluindo clássicos populares que muita gente canta sem perceber que têm ligação com o tema”, pontua.

Durante as apresentações, o resultado aparece na prática com reações de surpresa, e abertura para enxergar as onças de outra forma. “Muita gente chega sem querer ouvir sobre onça. Mas quando a música entra, ela se abre. Aí a gente consegue conversar”, relata.
Nesta semana, Diego levou essa mistura de ciência e música para uma ação da COP15 na universidade onde se formou. Na ocasião, ele deixou de lado o caderno de anotações para assumir o computador como ferramenta de DJ, apresentando ao público uma forma diferente de falar sobre conservação.
Confira a galeria de imagens:
“Foi a primeira vez que cheguei na UFMS não para assistir aula ou escrever pesquisa, mas para tocar como DJ. Foi diferente e muito especial”, finaliza.
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