Espetáculo 'Estudos para não fazer a mesma coisa' faz estreia gratuita

Nesta quinta (05) e sexta-feira (06), às 19h30, o Teatro Aracy Balabanian recebe a estreia de “Estudos para não fazer a mesma coisa”, primeiro trabalho solo da artista da cena Marcus Perez. A entrada é gratuita.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A obra é uma investigação que atravessa dança, improvisação, performance, palavra e música e parte de um princípio simples e radical: nada se repete. Cada apresentação é construída no momento em que acontece.
O espetáculo integra o projeto Danças do aqui e do agora, realizado com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc, por meio da Fundação Municipal de Cultura e Prefeitura de Campo Grande, via Governo Federal e Ministério da Cultura.
Em cena, Marcus se relaciona com objetos, cria imagens, desloca sentidos e abandona qualquer promessa de narrativa linear. “Não é um solo com uma história fechada. Ao mesmo tempo em que algo está se formando, eu já vou para outro lugar. Como é improvisado, as apresentações nunca são iguais”, explica.
O trabalho nasce do encontro com o bailarino e coreógrafo sul-mato-grossense Gera Si, que assina a direção cênica. Natural de Aquidauana, ele iniciou a trajetória nos anos 1980 entre a dança contemporânea e o balé clássico, foi um dos fundadores do grupo Pantanáliadança, primeiro grupo independente do Estado, e hoje vive em Berlim, na Alemanha, onde integra o coletivo PlaygroundberliM Crew.
A criação do solo foi inspirada na metodologia desenvolvida por Gera chamada “Ibipío”, palavra de origem indígena que significa presença no aqui e no agora, não no passado, nem no futuro. A referência vem da comunidade amazônica dos Pirahãs e orienta o trabalho como exercício de atenção radical ao tempo presente.
“Estudos para não fazer a mesma coisa” se constrói como um exercício de infração à repetição. É um trabalho que tensiona o gesto cênico, desloca expectativas e convoca o público a compartilhar a responsabilidade pelo que surge ali, diante dos olhos.
Marcus ativa sua própria pré-história: repertório, memória, experiências acumuladas na pesquisa em danças populares brasileiras e na atuação como professora e produtora cultural. Licenciada em Artes Cênicas pela UEMS, ela integra o grupo de pesquisa Renda que Roda e circula atualmente com os espetáculos Guaperi e Cabeça de Toco.
No solo, essas camadas aparecem em forma de gambiarra poética, imagens que se constroem e se desfazem, encruzilhadas abertas para que o inesperado opere como presença e fricção.
O projeto também gerou desdobramentos formativos. Como contrapartida, Marcus e Gera realizaram oficina com integrantes do grupo de pesquisa “Corpo Sendo”, da UEMS, coordenado por Dora de Andrade. No encontro, os artistas propuseram aos participantes a construção simbólica de uma “ilha sem nome”, território onde as coisas desaparecem e não podem ser recuperadas como eram, metáfora direta da proposta do espetáculo.
A ficha técnica reúne nomes da cena local: trilha sonora e iluminação de Adriel Santos; figurino de Gabriela Mancini e Luan Figueiró (ErrarEfeito); direção audiovisual de Manu Komiyama (KPROD); identidade visual de Pedro Brucz e Rita Sepulveda de Faria (Rima Gráfica); produção executiva da Arado Cultural.
“Estudos para não fazer a mesma coisa”
Quinta (05) e sexta (06)
- 19h30
- Teatro Aracy Balabanian – Centro Cultural José Octávio Guizzo (Rua 26 de Agosto, 453, Centro)
- Entrada gratuita (reservas por link)
- Classificação indicativa: 14 anos
- Apresentações com intérprete de Libras

