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Meio Ambiente

Apesar de lei liberar remoção de árvores, custo pode chegar a R$ 12 mil

Se o pedido não for feito em até 45 dias, o morador está autorizado a executar o serviço desde que tenha laudo

Por Izabela Cavalcanti | 19/03/2026 13:27
Apesar de lei liberar remoção de árvores, custo pode chegar a R$ 12 mil
Problema sério na cidade é queda de árvores em dias de chuva e vento forte (Foto: Arquivo)

Acabar com o risco de queda de árvore em Campo Grande pode custar caro ao morador, que precisa esperar por meses e até anos pela remoção. Quem decidir resolver o problema por conta própria pode desembolsar até R$ 12 mil.

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A remoção de árvores em Campo Grande pode custar até R$ 12 mil aos moradores, que enfrentam longos períodos de espera pela liberação do serviço. Desde dezembro, uma lei federal permite que cidadãos realizem podas ou cortes em áreas públicas ou privadas quando há risco de acidentes, desde que o órgão ambiental não responda em 45 dias. O custo varia conforme a complexidade do serviço, localização e porte da árvore. Casos que exigem equipamentos especiais, como guindaste e escavadeira, ou envolvem proximidade com redes elétricas, tendem a ser mais caros. Profissionais do setor apontam falta de regulamentação clara para a nova legislação.

Desde dezembro do ano passado, uma lei federal passou a permitir que o próprio cidadão realize a poda ou o corte em áreas públicas ou privadas quando houver risco de acidentes e o órgão ambiental não responder dentro do prazo legal. A medida está prevista na Lei nº 15.299, que altera a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).

Pela nova regra, se o pedido não for analisado em até 45 dias, o morador pode executar o serviço desde que apresente um laudo técnico emitido por profissional ou empresa habilitada.

Reclamações de moradores sobre o medo de queda de árvores e a lentidão na remoção já foram temas de diversas reportagens do Campo Grande News. Segundo o sanitarista ambiental Shin Ro Rezende, da empresa Locker, especializada em serviços mecanizados, os custos variam bastante conforme o cenário.

“A remoção varia de R$ 1 mil a R$ 10 mil. Às vezes é uma área crítica perto de poste ou fiação”, explicou. Ele detalha que, em casos mais complexos, o uso de equipamentos pesados é inevitável, o que torna o serviço mais caro. “Árvores grandes podem exigir munck, guindaste e até escavadeira. Fora a destinação do material, que envolve carregamento mecanizado e envio para aterro com emissão de certificado”, afirmou.

Quando a árvore está próxima da rede elétrica, o processo fica ainda mais burocrático. “É preciso comunicar a Energisa e a Agetran. É trabalhoso”, disse.

Em outras áreas, ele explica que o preço varia por hectare. “Já em área com leucena, um pouco maior que arbusto, a supressão já varia bastante, gira entorno por hectares ou metros quadrados.”

Além disso, segundo Rezende, ainda faltam regras claras para aplicação da nova lei. “Não existe uma regulamentação detalhada, nem um termo de referência de como fazer o estudo ou levantamento. Isso também gera custo elevado”, pontuou.

O profissional Cacildo Salina afirma que o preço depende diretamente das condições da árvore e do local. Ele tem 20 anos de experiência e treinamento com trabalho em altura.

“Depende de como a árvore está condicionada, o tamanho e riscos. Eu cobro o volume. Uma árvore pode ser centenária, mas estar em um terreno aberto. Se estiver perto de fiação elétrica, muro, residência, piscina, talvez uma árvore pequena sai o mesmo custo de uma árvore centenária”, explicou.

De acordo com ele, os valores geralmente variam entre R$ 800 e R$ 12 mil. “Já trabalhei com guindaste, munck e alpinismo."

Isso ocorre porque para uma derrubada por inteiro seria necessário um espaço livre equivalente a 2,5 vezes a altura da árvore. Na prática, se a árvore tem 15 metros, precisaria de 45 metros livres.

“Geralmente, não tem esse espaço. Tem que subir e cortar aos poucos. Cada uma é um estudo, geralmente precisa tirar por parte”, completou

Espécies de grande porte, como seringueira, mangueira e ipê, estão entre as mais caras para remoção, principalmente por atingirem alturas de até 20 metros.

Ele relatou ainda que percebeu mudança no comportamento da população. “Os pedidos de remoção diminuíram nos últimos dois anos. Hoje tem mais podas do que cortes”, disse Salina.

Ele também alerta para a falta de atenção à segurança na contratação. “Precisa de treinamento. A pessoa que vai contratar não se preocupa com isso, se preocupa com preço", concluiu.

O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande e aguarda o retorno.

Na Capital - Em Campo Grande, o corte ou a remoção de árvores depende de autorização prévia da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano). Para isso, é obrigatória a realização de vistoria e a emissão de laudo técnico, que irão determinar a necessidade.

É necessário vistoria e laudo técnico para, então, autorizar a remoção. Antes da lei, por exemplo, em alguns casos, a remoção era autorizada, mas ocorria a demora por esse serviço. Além da espera, o morador não podia fazer o corte.

O pedido deve ser formalizado por meio do CAC (Central de Atendimento ao Cidadão) ou pelo telefone 156 – Fala Campo Grande.

Em situações de emergência, quando há risco iminente à segurança, o atendimento pode ser acionado pelo Corpo de Bombeiros Militar ou pela Defesa Civil. Ainda assim, a atuação segue critérios técnicos e não dispensa a avaliação ambiental posterior.

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