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Meio Ambiente

Relatório técnico acende alerta sobre efeitos de agrotóxicos na fauna de MS

Impactos vão além dos animais silvestres e atingem rios e aquíferos da região pantaneira

Por Kamila Alcântara | 11/01/2026 11:38
Relatório técnico acende alerta sobre efeitos de agrotóxicos na fauna de MS
Apesar da proibição, agrotóxicos são usados de forma indiscriminada na APA (Área de Proteção Ambiental) Nascentes do Rio Paraguai (Foto: Jacildo de Siqueira Pinho para o Intercept Brasil)

Neste domingo (11), quando o país marca o Dia Nacional de Combate à Poluição por Agrotóxicos, um alerta que já não é mais teórico ganha peso técnico em Mato Grosso do Sul. Estudos recentes identificaram a presença de agrotóxicos em mais da metade dos tamanduás-bandeira monitorados após a morte na região do Pantanal e da Serra da Bodoquena, evidência de que a contaminação química já alcançou a fauna silvestre.

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Um relatório técnico revelou a presença de agrotóxicos em mais da metade dos tamanduás-bandeira monitorados após mortes no Pantanal e Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul. O estudo, realizado pelo Instituto Tamanduá, detectou até mesmo substâncias proibidas no Brasil e metais pesados nos animais. A pesquisa também apontou que a Bacia do Rio Miranda perdeu significativa área de vegetação nativa entre 1985 e 2023, com avanço da cultura da soja. Essa expansão agrícola aumenta o risco de contaminação de rios e aquíferos, ameaçando o ecoturismo na região de Bonito e a biodiversidade local.

Os dados constam em relatório técnico do Instituto Tamanduá e embasam a Nota Técnica SOS Bonito, elaborada de forma conjunta pelo Instituto SOS Pantanal, Instituto Tamanduá, Fundação Neotrópica do Brasil, Instituto Libio e SOS Mata Atlântica.

O documento analisa os impactos das mudanças no uso do solo na Bacia Hidrográfica do Rio Miranda, área que abrange municípios como Bonito e Aquidauana, e aponta riscos que extrapolam a perda de biodiversidade, atingindo a qualidade da água e a integridade de ecossistemas estratégicos para o turismo e o abastecimento humano.

Segundo o estudo, exames necroscópicos realizados em tamanduás-bandeira reintroduzidos na natureza revelaram resíduos de agrotóxicos, inclusive substâncias proibidas no Brasil, além de metais pesados.

A conclusão técnica indica um quadro compatível com intoxicação aguda, mesmo em áreas onde os animais circularam majoritariamente por pastagens e matas ciliares, e não por lavouras intensivas.

A nota técnica vai além do caso emblemático da fauna. O levantamento mostra que, entre 1985 e 2023, a Bacia do Rio Miranda perdeu grandes áreas de vegetação nativa, enquanto a cultura da soja avançou de forma consistente, ampliando o uso de insumos químicos.

Esse processo, segundo os autores, aumenta o risco de contaminação de rios, aquíferos (reservatórios subterrâneos de água) e sistemas cársticos (formações geológicas porosas que armazenam água) altamente sensíveis, como os que garantem a transparência das águas que tornaram Bonito referência internacional em ecoturismo.

Os impactos potenciais incluem desregulação biológica, efeitos neurotóxicos em organismos silvestres e ameaça direta às atividades econômicas ligadas ao turismo de natureza. A nota recomenda medidas como monitoramento contínuo de agrotóxicos e metais pesados, revisão de licenças ambientais em áreas sensíveis e fortalecimento da fiscalização, especialmente em regiões de transição entre Cerrado e Mata Atlântica.

O alerta reforça um cenário já noticiado anteriormente. Em fevereiro deste ano, reportagem mostrou que cinco tamanduás morreram contaminados por agrotóxicos em apenas um mês, antecipando um problema que agora ganha contornos mais amplos e respaldo técnico.

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