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Política

"Qualquer um pode ser a próxima vítima", diz Lula ao criticar omissão da ONU

Em tempos de guerra contra Irã e série de ameaças do governo Trump, presidente cobra ação

Por Ângela Kempfer | 22/03/2026 19:08
"Qualquer um pode ser a próxima vítima", diz Lula ao criticar omissão da ONU
Lula na mesa de autoridades durante encontro da C0P15 em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)

Ao concluir o discurso no Segmento de Alto Nível da COP15, realizado neste domingo (22), em Campo Grande, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta sobre os riscos da instabilidade internacional. “Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, disse.

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Durante discurso na COP15, em Campo Grande, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou sobre os riscos da instabilidade internacional, afirmando que "um mundo sem regras é um mundo inseguro". O presidente destacou a importância histórica da ONU, mas criticou a omissão do Conselho de Segurança na resolução de conflitos. Em meio às tensões geopolíticas globais, Lula defendeu o multilateralismo e políticas de acolhimento em vez de "muros e discursos de ódio". O presidente também ressaltou a conexão entre a crise geopolítica e questões ambientais, pedindo avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade.

A declaração marcou o tom mais duro da fala, quando Lula deixou a pauta ambiental e passou a abordar diretamente o cenário geopolítico global. Sem citar Estados Unidos ou governo Trump, personagens centrais da instabilidade hoje, ele pediu atenção ao que vem ocorrendo no mundo.

Diante de chefes de Estado e representantes de diversos países, o presidente lembrou que a conferência ocorre em um contexto de tensão internacional. “Esta COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”, afirmou.

Ao abordar o papel das instituições internacionais, o presidente fez uma defesa da Organização das Nações Unidas, realizadora da COP15, destacando sua atuação histórica. “Nos seus oitenta anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes”, disse.

Apesar disso, apontou falhas da Organização no cenário atual, apesar de ser a responsável por manter a paz e a segurança internacional. “Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”, afirmou, em crítica direta ao principal órgão de mediação internacional.

Ao ampliar o argumento, Lula relacionou a crise geopolítica à própria ideia de mobilidade e convivência entre povos. “A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões”, disse.

Na sequência, defendeu uma mudança de postura diante desse cenário. “No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”, afirmou.

Ao encerrar, o presidente voltou a conectar o tema ambiental ao contexto global. “Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade”, concluiu.